Quando a portaria virtual é ou não vantajosa para o condomínio?

Fernando Fornícola*
28 de setembro de 2018 - 15h00
Aparentemente é questão de tempo para que não sejamos mais recebidos por pessoas nas portarias dos edifícios quando formos visitar nossos familiares e amigos

Numa época na qual os bancos são digitais, os robôs começam a competir com humanos pelos empregos e as projeções dos futuristas não falam de outra coisa senão da chegada da internet das coisas, parece natural considerar como inevitável a adoção de modernidades em todos os setores. Nos condomínios não é diferente. A bola da vez nesta busca por inovação são as portarias virtuais.  

Este equipamento traz consigo o status de poder dizer que em seu prédio tudo é automatizado e que sua vizinhança caminha para um ambiente parecido com um episódio de ‘Os Jetsons’, desenho animado que, segundo o Wikipedia, introduziu no imaginário da maioria das pessoas o que seria o futuro da humanidade, com seus carros voadores, cidades suspensas, trabalho automatizado, toda sorte de aparelhos eletrodomésticos e robôs como empregados.

Além disso, a virtualização do atendimento na portaria oferece a possibilidade de economia nos custos condominiais. Recentemente, a Habitacional coordenou um projeto no qual houve uma diminuição de 39% nas despesas mensais para os moradores de um condomínio em São Paulo.

Esses fatores parecem apontar para uma tendência sem retorno. Aparentemente é uma questão de tempo para que não sejamos mais recebidos por pessoas nas portarias dos edifícios quando formos visitar nossos familiares e amigos. Em São Paulo, por exemplo, estima-se que mil dos 35 mil condomínios já tenham aderido à portaria virtual.

Mas será que as inovações tecnológicas são sempre vantajosas?

Nunca é demais lembrar que, se ‘Os Jetsons’ fizeram sucesso, “Os Flintstones” não ficaram para traz. Isto prova que o ser humano consegue se adaptar muito bem tanto com o moderno quanto com o tradicional.

Na verdade, a opção pela portaria virtual deve obedecer não apenas ao critério emocional, mas sim a certeza do racional.

A experiência de implantação deste tipo de tecnologia tem mostrado que nos condomínios menores, de até 10 casas ou apartamentos, por exemplo, a portaria virtual atende muito bem ao objetivo da redução de custos. Isto porque nestes casos, o rateio para pagamento das despesas é feito com um número reduzido de unidades e, a compilação total da relação custo X benefício acaba sendo bastante vantajosa, principalmente por produzir uma redução significativa na conta do condomínio.

Existem muitos prédios antigos com este perfil instalados em bairros nobres nos quais a alta de taxa de condomínio se transforma numa importante barreira para negociações de aluguel e venda. Para estes casos, a instalação da portaria virtual é, sem dúvida, uma alternativa bastante válida.

Por outro lado, em condomínios com grande número de unidades, o rateio pulverizado termina por acarretar uma redução praticamente imperceptível na conta final do condomínio. Neste tipo de situação, a portaria virtual perde um pouco da sua atratividade uma vez que ao ser instalada ela traz alguns riscos de funcionamento como a possibilidade de queda de energia e de internet no bairro que normalmente deixa o sistema funcionando de forma precária.

Ao colocar na ponta do lápis a economia que será conseguida frente ao risco de uma queda de qualidade no serviço da portaria, os moradores de condomínios grandes geralmente estão optando pela segurança e simpatia dos velhos e bons porteiros humanos.

Nos dois casos, tanto em condomínios menores como nos maiores, antes de tomar a decisão, o ideal é fazer todos os cálculos. É preciso fazer todo o levantamento de custos de rescisão contratual dos funcionários que se pretende eliminar com a automação, pesquisar as melhores soluções em sistemas de portaria virtual, realizar orçamentos para instalação de equipamentos e adequações físicas na portaria e área comum além de determinar qual será o custo mensal de manutenção da portaria virtual.

Com esses dados em mãos é possível ter uma noção mais precisa tanto do tempo necessário para que o condomínio recupere o recurso investido, como também da redução que a inovação provocará nas despesas e consequentemente na taxa que cada unidade pagará mensalmente.

Assim, com base em dados concretos, será mais fácil decidir se vale a pena ou não adotar a portaria virtual. Afinal tanto na casa dos Jetsons e como na dos Flintstones, sempre há espaço para o cuidado com o dinheiro do Tio Patinhas. 

 *Fernando Fornícola é diretor da Habitacional, empresa do segmento imobiliário que administra condomínios no Brasil