O HDR é uma ameaça ao tempo de vida das televisões OLED?

John L. Jacobi, TechHive
06 de julho de 2018 - 17h24
Estudos confirmam que a queda é maior com o uso linear, mas também pode tornar-se exponencial se os elementos OLED forem usados ao máximo

Eu amo a qualidade de imagem que você recebe de uma TV OLED. Ela me lembra das pinturas em veludo preto que eu costumava ver em estandes de beira de estrada na década de 1970. Não me entenda mal, existem algumas TVs LCD excelentes por aí, especialmente aquelas que usam pontos quânticos, mas isso é um assunto para outra hora - junto com o tempo de vida do LCD.

A história aqui é que minha paixão pelo OLED é atenuada pelo fato de que os elementos OLED, sendo orgânicos depois de superarem uma moda, têm uma vida útil. O HDR reduzirá esse tempo de vida, mas quanto os fornecedores não estão dizendo. Felizmente, outras pessoas no ramo estavam dispostas a conversar.

De acordo com um relatório do Flat Panel HDs, as TVs OLED da LG têm uma vida útil de 100 mil horas. Mas, durante esse tempo, há uma diminuição de 50% no brilho. Ou seja, a redução de brilho é extremamente perceptível, muito além do limite de tolerância. 

Por outro lado, o OLED tem uma vantagem em comparação ao LCD para a qualidade HDR, já que o seu limite da faixa inferior de iluminação é muito mais escura do que as televisões de LCD. Porém, ainda são necessários outros elementos para que ele possa alcançar o topo da faixa e alcançar o que é considerado “efeito HDR”.

O brilho dos elementos OLED relaciona-se diretamente com a intensidade da corrente que está sendo aplicada. Ou seja, a vida útil do OLED diminui à medida que a corrente aumenta. O calor também o afeta, mas se o OLED estiver em um local fresco, os componentes eletrônicos funcionam relativamente bem.

Uma das fontes sobre o brilho OLED em relação à longevidade é um artigo do Departamento de Energia de 2016. Segundo o documento, um painel de iluminação OLED é capaz de produzir 8.300 cd/m² - classificado para 40 mil horas a 25% de brilho, mas somente 10 mil horas a 100% de brilho. Isso é uma diminuição de 400%. 

Outros estudos confirmam que a queda é maior com o uso linear, mas também pode tornar-se exponencial se os elementos OLED forem usados ao máximo, como pode ser o caso com o HDR. Embora seja difícil encontrar informações diretamente dos fornecedores, é possível observar que, com a TV OLED Bravia XBR65A1E da Sony, em sua faixa dinâmica padrão, houve, no máximo, 170 nits. Mas, enquanto exibia o vídeo HDR, o número saltou para até 700 nits nas áreas mais brilhantes – um aumento de 400% no brilho.

Outros trabalhos confirmam que a queda é na maior parte linear em uma base por elemento, mas ele pode se tornar exponencial se os elementos OLED forem colocados ao máximo, como pode ser o caso com HDR.

Com sorte, os 700 nits não colocam os OLEDs além do limite da queda linear, então o aumento de quatro vezes no brilho reduzirá sua expectativa de vida em somente 25%. Além disso, o HDR é aplicado de maneira uniforme em toda a tela e, se aplicado de forma desigual, algumas áreas de um display se desgastariam mais rapidamente do que outras.

No caso de um decréscimo linear hipotético, o brilho máximo do HDR – cobrindo a totalidade de um display de 100 mil horas – diminuiria o tempo em 50%. Felizmente, na configuração normal, as áreas de pico de brilho do HDR acontecem com pouca frequência e quase nunca cobrem a tela inteira.

Por exemplo, se o brilho máximo é exibido 5% do tempo, mais ou menos uniformemente em todo o display, são três minutos por hora de queda em todo o painel ou 12 minutos diminuídos da vida útil da televisão. Isso representa somente 20%, fazendo com que a vida útil de uma televisão de 100 mil horas ainda seja de 80 mil horas.

Os donos de TVs OLED devem se preocupar com a longevidade?

Lembro-me de testar e substituir os tubos da minha primeira TV CRT após apenas alguns anos. TVs CRT falham. TVs de LCD falham. TVs OLED falham. Eletrônicos falsos não me incomodam, desde que eu tenha um retorno razoável pelo meu dinheiro. Mas isso é parte do enigma: as TVs OLED são muito caras, e quando você paga um prêmio pesado por algo, não quer ouvir que sua compra pode não durar tanto quanto alternativas menos dispendiosas, certo?

Eu também estou preocupado com o fato de que as pessoas que antes falavam na imprensa ficaram em silêncio quando perguntei sobre a vida útil do OLED. O problema pode ser significativamente pior do que o que especulei aqui?

Dito isso, meu melhor palpite com a informação disponível para mim é que a vida útil do OLED, mesmo levando em conta as demandas mais altas do HDR, deve permanecer um problema para os minimalistas de TV que só assistem a um filme de vez em quando. A imagem OLED, com seus negros quase puros e contraste maravilhoso, é atraente e viciante. Mas o mesmo acontece com a imagem mais brilhante das TVs de ponto quântico de alta qualidade, embora seus negros não sejam tão aveludados.

Eu não me preocuparia muito, mesmo se eu fosse um espectador comum, alguém que assiste quase cinco horas de TV por dia. Viciados e outras pessoas que precisam de uma TV 24 horas por semana, no entanto, provavelmente devem ficar com o LCD retroiluminado por LED.

Nenhuma dessas informações pode ser vista como um fato estabelecido. O OLED simplesmente não existe há tanto tempo e o conteúdo HDR está disponível por um tempo ainda menor. Mas aqui estão alguns conselhos que posso fornecer com total confiança: não use sua TV OLED como um porta-retrato digital, um monitor de câmera de segurança ou para exibir informações de voo em um aeroporto.