Startup de Curitiba recorre à realidade virtual e AI para ensinar inglês

Por Carla Matsu*
02 de julho de 2018 - 16h00
Beetools inaugura cinco unidades no Paraná neste mês de julho e até o final do ano espera abrir 15 novas escolas com sistema de franquia

Uma nova escola brasileira de idiomas quer fazer do uso de tecnologias emergentes como realidade virtual e inteligência artificial um caminho, digamos, mais assertivo para seus alunos aprenderem a língua inglesa.

Batizada de Beetools, a escola é uma iniciativa da startup de Curitiba Beenoculus, que se lançou no mercado em 2015 como uma das primeiras companhias brasileiras a oferecer um headset de VR proprietário. Fabio Ivatiuk, CEO da Beetools, explica que o propósito da nova escola é tornar mais prático o estudo do idioma ao mesmo tempo que cria um método atualizado para prender a atenção de alunos de novas gerações. 

"Um dia, eu estava caminhando para uma aula e vi uma turma inteira olhando para seus celulares. Fui seguindo eles, eles se sentaram e a professora gritou para que eles guardassem o celular e aquilo me deu um estalo”, lembra Ivatiuk que trabalha na área de educação há cerca de dez anos. “As pessoas querem que os alunos aprendam da forma que aprendemos antigamente, mas será que a gente não consegue usar os dispositivos de hoje para ensinar de uma forma mais efetiva?”, questiona o empresário.

Sala de aula invertida

Segundo Ivatiuki, a startup dedicou 13 meses para construir a metodologia da Beetools, que inaugura suas primeiras unidades em Curitiba já em julho. Diferente do método tradicional de matrícula e mensalidade, o aluno da Beetools faz a sua inscrição diretamente pelo aplicativo da escola e não paga taxa de matrícula. Ele compra pacotes de 20, 30, 60 ou até mesmo 1 aula sem precisar assinar contratos, pois pagará somente pelos créditos de aulas adquiridos. A Beetools diz que o valor de cada aula varia de acordo com a cidade. As aulas, que são presenciais, são preparadas para alunos a partir de 10 anos.

O CEO explica que a empresa foca na metodologia de sala de aula invertida para evoluir o aprendizado. Isso quer dizer que o aluno, primeiro, faz as tarefas pelo aplicativo e depois vai tirar suas dúvidas em sala de aula. Outro diferencial se debruça na computação cognitiva para personalizar o ensino. Com uso do IBM Watson, os professores conseguem avaliar, em um nível, mais minucioso, no caso, na análise de dados, as lacunas no aprendizado. Ao mesmo tempo, todas as tarefas, são entregues de forma automatizada. Se o sistema de AI, por exemplo, identificar que um aluno está tendo dificuldades em aprender concordância verbal, a tecnologia concentrará mais exercícios neste tema.

Já a realidade virtual serve para contextualizar o aluno em um ambiente de uso prático do idioma. Ao colocar o óculos, o estudante será imerso em situações onde ele precisará aplicar o idioma como se estivesse vivendo a cena na vida real. Completam a metodologia, o uso da  gameficação para engajar o aluno.

Onde fica o professor nesta nova sala de aula?

Mas com o uso de inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets, você pode se perguntar que papel o professor terá na Beetools. Segundo o CEO da startup, os professores aqui servem como um guia no aprendizado. 

“Levamos o professor para ficar ao lado do aluno. Munido de dados, ele vai atuar como um guia, vai ensinar o aluno nessa jornada do conhecimento. Todo o input será dado através do sistema, toda parte do ensino, a entrega dos exercícios é automatizada”, explica. “O professor, se ele entender que é possível colaborar de uma forma diferente, ele não vai ter seu papel reduzido, e sim ampliado. Mas o professor que acredita que será substituído pela tecnologia, ele provavelmente será. O educador que entende que a tecnologia vai ajudar no ensino do aluno, este vai conseguir entregar o máximo”.  

Para escalar, a Beetools já se lançou no mercado como um sistema de franquias onde o investimento inicial para interessados é de R$ 290 mil reais. Segundo a companhia, 15 novas unidades serão abertas até o final do ano no Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Um dos diferenciais da franquia está na possibilidade de o empreendedor adotar o modelo de escola Contêiner, onde a Beetools tem uma parceria com a Delta Conteiners, que entrega em até 60 dias uma estrutura pronta para iniciar as aulas. 

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