Tudo que você sabia sobre os Chromebooks estava errado

Mike Elgan, Computerworld / EUA
29 de maio de 2018 - 10h00
Chegou a hora de esclarecer os 10 principais mitos sobre os Chromebooks que não são mais verdadeiros

O Chrome OS, do Google, é atualmente a plataforma para usuários mais capaz e poderosa do mundo. Sim, eu disse isso.

Os fãs da Apple riem dessa ideia, dizendo que um MacBook Pro pode rodar o navegador Chrome e ganhar todas vantagens de um Chromebook, assim como os benefícios e as ferramentas de criação de conteúdo de um aparelho mais elegante e bem desenhado.

Os usuários Windows afirmam que os Chromebooks são “bonitinhos”, mas não ferramentas sérias para negócios. O Surface Book 2 também é um laptop minúsculo, eles apontam, mas um computador de verdade. 

E os desenvolvedores Linux apontam que os Chromebooks são interessantes, mas alegam que eles não podem ser usados para desenvolvimento de software. 

No entanto, esses estereótipos obsoletos não são compatíveis com a nova realidade dos Chromebooks. 

Por isso, chegou a hora de esclarecer os 10 principais mitos sobre os Chromebooks que não são mais verdadeiros.

Mito 1: Chromebooks não rodam apps

A visão original presumida do Chromebook era um laptop e um sistema capaz apenas de rodar o navegador web Chrome. Você podia fazer o que quisesse, desde que ficasse na web em todos os momentos.

Hoje, os melhores modelos novos dos Chromebooks podem rodar apps de outros três sistemas operacionais.

Não apenas os Chromebooks rodam apps. Eles rodam mais apps sem dual-boot ou multi-boot do que qualquer outra plataforma de computação. Os Chromebooks podem rodar apps do Android, Linux e Windows ao mesmo tempo e na mesma sessão.

Mito 2: Chromebooks não rodam bem apps Android

Quando vi pela primeira vez uma demonstração do Android no Chrome OS durante o Google I/O há alguns anos, fiquei pessimista. Mas agora que rodo apps Android todos os dias no meu Pixelbook, preciso admitir que estava errado. 

Os melhores Chromebooks rodam aplicativos Android muito bem – e eles rodam a maioria dos apps.

O Chrome OS também está evoluindo rapidamente para um aparelho Android quase nativo. E é possível que no futuro o aplicativo Files, do Chrome OS, revele todos os arquivos Android que poderiam ser acessados por um usuário em um aparelho Android.

Apenas o suporte ao Android já faz com que o Chromebook seja uma das melhores plataformas para apps, mas esse é apenas o começo.

Mito 3: Chromebooks não rodam Linux

Durante a recente edição do Google I/O 2018, no início de maio, a empresa de Mountain View anunciou que está desenvolvendo uma máquina virtual específica do Chrome OS para Linux que começará de forma rápida e com integração completa. Apesar de hoje já existir uma variedade de abordagens para rodar diferentes versões do Linux em um Chromebook, em breve será possível rodar o Linux de forma suave e que pareça nativa. 

Mito 4: Chromebooks não rodam Windows

Os aplicativos do Windows são suportados nos Chromebooks por meio de apps. Um com uma boa reputação é a versão beta do CrossOver for Chrome OS. Ele não é apenas gratuito, mas também conta com suporte grátis no momento.

Mito 5: Chromebooks são lentos

Aspectos diferentes do trabalho são mais rápidos ou lentos em diferentes plataformas e aparelhos, e essas diferenças são ampliadas quando você compara o Chromebook com Macs, PCs Windows e máquinas Linux.

Afirmei anteriormente que os Chromebooks rodam mais apps do que qualquer outro sistema operacional. No entanto, a maior parte deles é rodado por meio de algum tipo de emulação e a experiência não será tão rápida quanto em suas plataformas nativas.

Muitas pessoas passam a maior parte do tempo em um navegador, e para quem usa o Chrome, a experiência de utilizar o browser é muito mais rápida na nova geração de Chromebooks.

Quando rodava o Chrome no meu MacBook Pro, adicionar mais abas e extensões fazia com que o laptop ficasse lento de forma geral e que o ventilador trabalhasse de forma barulhenta.

Ao usar um Pixelbook, posso rodar dezenas de abas e dezenas de extensões, e a máquina roda de forma muito rápida. (E o Pixelbook nem possui uma ventoinha.)

Então o meu MacBook Pro é rápido com apps, mas lento com uso sério do Chrome. 

O Pixelbook foi lançado originalmente em outubro do ano passado. Quando o laptop completar o seu primeiro aniversário, provavelmente teremos alternativas bastante poderosas de outras empresas. 

O Google está trabalhando em um Chromebook que integra a alta performance dos processadores Kaby Lake G, da Intel, que trazem uma placa gráfica integrada Radeon. 

A Acer está entrando para o mercado de Chromebooks premium com novos produtos anunciados nos últimos dias, em especial o Chromebook Spin 13 e o Chromebook Spin 15. Ao contrário dos Chromebooks anteriores da Acer, focados no mercado de educação, esses produtos mais recentes contam com chips da Intel de oitava geração. E eles lembram muito os Pixelbooks, com um chassi todo de metal e dobradiças que permitem girar a tela para a máquina virar um tablete. 

Muitos outros estão a caminho. E eles são muito rápidos.

Mito 6: Chromebooks são limitados

O navegador web Chrome – assim como as extensões que lhe dão vantagem em relação aos seus rivais – também possui uma dimensão muito pouco apreciada: o elo entre dados e aplicativos.

Um bom exemplo é uma nova extensão do Chrome chamada Okta PassProtect, que verifica seu nome de usuário e senha com a base de dados do site “Have I Been Pwned?” (que reúne todas as credenciais vazadas on-line) sempre que você faz login em qualquer site. 

O fato de a extensão ser embutida no navegador significa que a segurança não depende do usuário precisar lembrar de qualquer coisa.

Desta forma, todos os sites e aplicativos on-line podem ser melhorados por uma fonte de dados específica. 

Outro exemplo é uma extensão do Chrome chamada Hunter, de uma empresa do mesmo nome. Ela adiciona um botão ao Chrome que, quando pressionado, te mostra uma lista de todos os endereços de e-mail que você já usou na web com o mesmo domínio que você está navegando no momento, facilitando a sua vida na hora de entrar em contato com qualquer pessoa naquela empresa.

A habilidade de adicionar conjuntos específicos de dados a qualquer site é algo muito poderoso. 

Outro aspecto subestimado das extensões do Chrome é a habilidade de adicionar recursos a aplicações na nuvem que não tinham sido previstos originalmente pela desenvolvedora. Serviços como o Gmail, do próprio Google, podem ser melhorados pelas muitas extensões disponíveis para o Chrome, que fornecem novos poderes e funcionalidades, como integração com outros e-mails, serviços de armazenamento ou apps variados.

Outras extensões inserem as suas credenciais de acesso por você, te permitem usar uma caneta "marcatexto" na Internet, bloqueiam anúncios e muitos outros recursos. 

No geral, as extensões do Chromebook são tão ponderosas coletivamente que o resultado final é basicamente uma segunda Internet – uma “super Internet” que é muito melhor e mais funcional do que a padrão.

O único problema é que usar muitas extensões no Chrome sobrecarrega o navegador, deixando essa “super Internet” super lenta no Windows e no Mac.

Esse problema é resolvido com um Chromebook premium, como o Google Pixelbook, que te permite rodar dezenas e dezenas de extensões no Chrome de forma simultânea sem afetar a performance de forma perceptível. 

Em outras palavras, essa “super Internet” só está disponível para os usuários dos Chromebooks. 

Mito 7: Chromebooks não podem ser usados para o desenvolvimento de software

Agora que os Chromebooks estão ficando muito melhores e fáceis para rodar Linux, o Google está promovendo o aparelho de forma explícita como uma plataforma para desenvolvimento.

“O suporte para Linux te permitirá criar, testar e rodar apps Android e web apps para smartphones, tablets e laptops em um único Chromebook. Rode editores populares, programa na sua linguagem favorita e inicie projetos na Google Cloud com a linha de comando. Tudo funciona diretamente em um Chromebook”, afirmou Google há algumas semanas.

Mito 8: Chromebooks não podem ser usados para edição de fotos

Há um bom tempo, o meu editor de fotos favorito é o Snapseed, do Google. A experiência de rodar o Snapseed for Android em uma tela touchscreen de 13 polegadas é muito melhor do que em um smartphone. Outros fotógrafos preferem o Polarr, o Adobe Lightroom e outras soluções, que também podem ser rodadas no Chromebook via Android. 

Mito 9: Chromebooks não podem ser usados offline

Um grande número de serviços baseados na nuvem, como Google Docs e Gmail, oferecem modos off-line simples de serem usados. A Chrome Web Store está cheia de extensões gratuitas que te fornecem funcionalidades off-line.

Mito 10: Chromebooks são baratos

Meu Pixelbook com 16GB de RAM e 512GB de armazenamento, mais a caneta, case e impostos, custou mais de 2 mil dólares. Sim, alguns modelos de entrada do Chromebook são bem baratos. Mas a ponderosa nova geração é mais comparável com um laptop normal. 

Veja abaixo o que você precisa saber sobre os Chromebooks

Os Chromebooks não são perfeitos e não são para todos os usuários.

Por mais que os novos Chromebooks sejam bem desenvolvidos e bem feitos, eles não possuem o mesmo acabamento e poder da linha MacBook Pro, da Apple, por exemplo. Eles não são tão capazes quanto PCs completes em algumas tarefas – especialmente aquelas que exigem um uso mais intensivo de processador e placa gráfica. 

Mas a nova geração de Chromebooks pode rodar mais apps do que qualquer outra plataforma da história.

Eles possuem acesso exclusive à “super Internet”. 

E eles ainda são a plataforma de computação mais segura da história. 

Meu conselho é que você escolha a plataforma que se encaixe melhor nas suas necessidades. Mas faça essa escolha com base em novos fatos e não em mitos antigos.