Por que os discos rígidos falham e os SSDs não?

Por Jonathan Weech*
14 de maio de 2018 - 08h00
Transição de HDDS para SSDs já acontece. Tendência é que computadores saiam das fábricas com a nova tecnologia e que os discos mecânicos fiquem no passado

Onde quer que você esteja agora, dá para dizer que algo próximo está sendo construído. O que exatamente, deve variar muito – de prédios a estações de metrô. Mas as construções realmente seguras terão sido feitas de acordo com os padrões da indústria de construção civil. Ignorar esses códigos não seria apenas ruim, mas também um risco.

Se falamos sobre um edifício, sobre atravessarmos a rua ou sobre nos aposentarmos, são as nossas decisões diárias de evitar riscos que podem determinar o nosso índice de sucesso. Em casa e no trabalho, muito do que fazemos hoje acontece em um computador. Todo computador contém muitas peças móveis, como um disco rígido ou uma unidade de estado sólido (SSD), onde todas as informações são armazenadas - planilhas, e-mails, fotos, jogos, filmes e muito mais. Portanto, nada pode ser pior do que a sua unidade de armazenamento morrer. Escolher a melhor tecnologia para armazenar seus arquivos e dados - em discos rígidos tradicionais ou nos SSDs mais recentes - é uma dessas decisões que podem te ajudar a evitar o risco de perdas significativas.

Como discos rígidos funcionam
 - Se você tiver muitos terabytes de dados e o dinheiro estiver curto, os discos rígidos (HDDs) podem ser uma opção decente. Antigamente os discos rígidos eram considerados tecnologia de ponta. Em um espaço nanométrico, eles usam minúsculos braços móveis para ler e gravar dados magneticamente em discos girando a 7.200 RPM. No entanto, essas partes móveis complexas também são o motivo pelo qual há mais risco de falha.

Como SSDs funcionam
 - Ao contrário dos discos rígidos, os SSDs não usam partes móveis mecânicas para ler ou gravar dados. Em vez disso, eles utilizam a tecnologia de memória flash, que usa elétrons para ler, gravar e armazenar dados. Como resultado, eles são mais rápidos, mais resistentes e mais propensos a durar mais tempo. A ausência de partes móveis significa menos atrito, menor consumo de energia e uma tecnologia mais inteligente, que prolonga a vida útil da unidade - e de todas as fotos, vídeos e arquivos nela contidos.

Resistência

Uma das formas de medir a resistência da unidade de armazenamento é a quantidade de choque em forças gravitacionais (Gs) que ela pode sofrer e ainda funcionar. "Choque" é basicamente a aceleração ou desaceleração de um objeto, e é maior quando isso acontece muito rapidamente, como numa queda, colisão ou impacto.

Vamos contextualizar. Quando seu tio bate nas suas costas, você está experimentando cerca de 4,1 Gs de choque. Chutar uma bola de futebol renderá aproximadamente 300 Gs. Um disco rígido tradicional quando "estacionado" (completamente desligado) é classificado para sobreviver até 250 Gs de choque em mais de 2 milissegundos. Em uso, no entanto, os discos rígidos são classificados para suportar somente 30 Gs de choque ao salvar informações e 60 Gs ao recuperar informações. 

E por que considerar o choque é importante para o seu disco rígido ou SSD?

Como os discos rígidos funcionam usando braços de gravação, que ficam a poucos nanômetros acima dos discos giratórios, há menos espaço para erros, caso a unidade sofra um choque - talvez ao ser derrubada ou atingida. Se o braço de um disco rígido for batido e se mover por apenas alguns nanômetros, ele poderá arranhar o disco e arruina-lo para sempre. É por isso que o fato de os SSDs não usarem partes móveis é importante - há menos risco de algo dar errado. 

A transição de HDDS para SSDs já está acontecendo. A tendência é que, em alguns anos, os computadores já saiam das fábricas com a nova tecnologia, e que os discos mecânicos fiquem no passado.  

*Jonathan Weech é Gerente Sênior de Produtos SSD da Crucial