É hora de dizer adeus ao bom e velho QuickTime Player 7

Jason Snell, Macworld / EUA
19/04/2018 - 11h34
Lançado em 2009, o aplicativo multimídia continuou sendo usado por muita gente mesmo após a chegada do QuickTime X Player há cerca de nove anos.

A notícia pode ter passado despercebida por muita gente na semana passada. Em outro passo na transição para apps 64-bit, a Apple alertou os usuários de apps 32-bit que esses aplicativos precisarão ser atualizados ou deixarão de funcionar. O aviso foi novo, mas essa é uma história já um tanto antiga. No ano passado, a Apple alertou os desenvolvedores de Mac que os apps 32-bit deixariam de rodar “sem comprometimento” no final de 2018 com a chegada do sucessor do macOS High Sierra. 

O aviso está mais ou menos na parede desde 2009, quando a Apple iniciou a sua transição para a arquitetura 64-bit com o lançamento do macOS Snow Leopard. Mas a mudança para apps 64-bit terá algumas baixas, com destaque para toda uma geração de apps que não são mais atualizados, mas ainda são usados diariamente pelos usuários de Mac. Nenhum software é eterno, mas quando você perde toda uma geração de apps de uma vez só, é um pouco mais perceptível. 

Os avisos da Apple sobre os apps de 32-bit também possuem o objetivo de fazer com que os usuários peçam para os desenvolvedores dos seus aplicativos favoritos realizarem a transição para versões 64-bit. Ironicamente, os avisos não aparecem para os aplicativos de uma empresa em especial: a própria Apple. Os usuários do Final Cut Pro 7, por exemplo, provavelmente não serão avisados que o app deixará de “funcionar sem comprometimento” no final deste ano e provavelmente deixará de funcionar daqui a cerca de 18 meses. 

QuickTime Player 7

E então nós temos o QuickTime Player 7, um app de 2009 que conseguiu sobreviver por nove anos além da sua data de expiração. Talvez você não lembre, mas quando a Apple lançou o macOS Snow Leopard em 2009, introduziu o então novo QuickTime X Player, e o QuickTime 7 tornou-se uma instalação opcional que se escondia na pasta de Utilitários. (O QuickTIme Player 7 está disponível para download pelo site da Apple.)

Mas por que a Apple manteria uma versão mais antiga de um aplicativo, lado a lado com a sua versão mais atual? A razão é que o QuickTime X não oferecia muitos dos recursos presentes no QuickTime 7. Na verdade, a gigante nunca implementou realmente grandes porções do QuickTIme para arquiteturas 64-bit. Como resultado, suspeito que muitos dos apps que dependem do QuickTime para suas funcionalidades poderão morrer ou precisarão de grandes renovações uma vez que a era 32-bit for encerrada oficialmente.

Não há como negar que o QuickTime Player 7 é um fóssil de uma época antiga do Mac. Como um player, ele é amplamente desnecessário. Caso você não goste do QuickTime X, considere testar o player open-source IINA. Mas como uma ferramenta rápida de visualização e edição de clipes, o QuickTime 7 é quase imbatível – e não possui realmente um substituto.

Mas quem ainda usa esse aplicativo antigo? Todo mundo, desde produtores de podcasts até funcionários da Lucasfilm’s Industrial Light and Magic. O que a Apple fez com o app Preview – basicamente transformá-lo em um canivete suíço do processamento de documentos, a empresa já tinha feito há mais de uma década para multimídia com o QuickTime.

Costumo usar o QuickTime para cortar e colar rapidamente trechos de vídeos e então exportá-los como um arquivo padrão MPEG-4. Também uso o software para substituir o áudio de um arquivo de vídeo com uma track diferente. Poderia usar outros apps para isso? Claro. Mas o Preview é muito mais rápido e fácil.

Gostaria de manter as esperanças de que alguém na Apple realmente se importa com ferramentas básicas como essa. Não seria legal poder fazer coisas desse tipo de maneira fácil no iOS também? Mas a verdade é que não apenas a Apple que criou o QuickTime já deixou de existir há tempos, como a própria Apple que decidiu abandoná-lo por processadores 64-bit também ficou para trás. Foi uma jornada e tanto, usar uma ferramenta totalmente descontinuada (mas ainda útil!) por quase uma década, mas acho que chegou a hora de finalmente seguir em frente.