Surface Pro completa 5 anos em meio a novos rivais e vendas menores

PC World / EUA
16 de fevereiro de 2018 - 16h37
Icônico aparelho da Microsoft abriu o caminho para segmento de PCs destacáveis com Windows, mas pode estar perdendo o momento.

O já icônico tablet Surface Pro, da Microsoft, completou cinco anos na última semana. Para quem não lembra, o modelo original do produto abriu o caminho para outros tablets e computadores destacáveis com Windows. Mas em seu quinto aniversário com o dispositivo, a fabricante pode estar perdendo a mão.

No Twitter, a equipe da divisão Microsoft Surface celebrou a “revolução” do aparelho, que começou quando a empresa descartou o limitado Windows RT e trouxe o Windows 8 completo para o mercado de tablets. “Há cinco anos, a revolução começou quando o Surface virou Pro”, publicou a conta do Surface na rede social. “E isso foi apenas o início.”

Vendas instáveis

No entanto, esse forte início acabou desacelerando com o tempo. Segundo a consultoria IDC, as vendas dos aparelhos Surface no fim de 2017 caíram 19% na comparação com um ano atrás. A empresa de pesquisas aponta que o mercado de tablets e laptops conversíveis é dominado pelos grandes volumes de tablets iOS e Android vendidos pela Apple, Samsung e outras fabricantes. 

Em parte graças a essa popularidade dos seus produtos Surface, a Microsoft costuma aparecer na lista, mas geralmente na parte mais baixa. No final do ano passado, a companhia de Redmond nem apareceu. De acordo com a IDC, isso aconteceu porque as vendas do Surface caíram significativamente no quarto trimestre de 2017, e também durante o ano todo de forma geral. 

Por que isso importa

O Surface Pro foi importante para a Microsoft, porque abriu o caminho para outras fabricantes de PCs produzirem tablets Windows leves e finos que também podiam ser máquinas poderosas. O surgimento de rivais viáveis como o Lenovo Miix 520, por exemplo, é uma das prováveis razões para a queda nas vendas do Surface – mas vamos falar sobre essas possibilidades abaixo.  

O problema dos tablets

A Microsoft vendeu 748 mil aparelhos Surface no quarto trimestre de 2017, uma queda de 18,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a analista sênior de pesquisas da IDC, Lauren Guenveur. Em todo o ano passado, a Microsoft vendeu 3 milhões de dispositivos Surface, número 16,8% menor em relação ao registrado em 2016.

Esses aparelhos incluem todos os dispositivos Surface que a IDC considera destacáveis: Surface Pro 3, 4 e Pro (2017); assim como o Surface Book e o Surface Book 2. (A IDC exclui desses números o Surface Studio e o Surface Hub, dois produtos de nicho, assim como o Surface Laptop, que não é destacável.)

Vale notar que as vendas gerais de tablets também estão em queda, apesar de não terem caído tanto quanto o Surface. No geral, o mercado de tablets caiu 7,9% em 2017, de acordo com a IDC.

Um olhar mais próximo revela que a Microsoft não é a única empresa com problemas no segmento, e que ela tem até razões para ficar otimista. De acordo com a consultoria, a Microsoft ainda é a sexta maior vendedora de tablets do mundo, atrás de empresas como Apple e Amazon, que venderam 13,2 milhões de iPads e 7,7 milhões de tablets Fire, respectivamente. Mas as vendas dos iPads ficaram basicamente estáveis no último ano, enquanto que o crescimento nos números do Amazon Fire foram impulsionados por preços extremamente baixos. A Samsung, que possui uma boa posição no mercado de tablets, viu suas vendas caírem 13%.

A Microsoft ainda está em segundo lugar no mercado de aparelhos conversíveis, enquanto que a Apple lidera com o seu iPad Pro. Os aparelhos destacáveis respondem por apenas 14% do mercado total de tablets no momento, segundo a IDC, número que deve crescer nos próximos anos. 

Guenveur listou diversas razões para essas dificuldades enfrentadas pelo Surface. Em primeiro lugar, aponta a analista, ninguém esperava que os donos de tablets fossem tratá-los como laptops. Ou seja, comprar um e ficar com ele por um período entre 4 e 5 anos, em vez de trocá-lo a cada dois anos, como fazem os usuários de smartphones.

Mas a especialista também destacou a falta de mudanças significativas nas linhas Surface, da Microsoft. “Penso que essa dificuldade da Microsoft acontece principalmente por conta do seu ciclo de atualização de produtos, que tem sido desigual, e pelo fato de que a nova geração de produtos não parece muito diferente da geração anterior”, afirmou. 

Procurados pela reportagem da Computerworld dos EUA, representantes da Microsoft se recusaram a comentar o assunto. Durante uma conferência recente, executivos da companhia comentaram o desempenho da linha Surface, destacando que as vendas de unidades caíram, mas que a receita do segmento cresceu 1%. 

PCs sempre conectados

A concorrência em relação aos produtos Surface é indiscutivelmente boa para os consumidores e para a inovação. O que não sabemos, afirmou Guenveur, é como os novos produtos com chips ARM e Windows 10 vai mudar essa dinâmica.

Até o momento, a Acer, a HP e a Lenovo anunciaram produtos próprios dos chamados PCs Sempre Conectados (Always Connected PCs, no original em inglês), que utilizam chips Snapdragon, da Qualcomm, e dão ênfase para a longa duração de bateria em vez das métricas tradicionais de performance.

A Microsoft participou de forma entusiasmada do recente lançamento da Qualcomm dessa iniciativa, mas ainda precisa anunciar um produto próprio para a nova categoria. Dependendo de como esses tablets forem recebidos no mercado, a Microsoft pode ver sua posição no mercado mudar de pioneira para seguidora.

qualcommpcs_625.jpg