PCs Windows 7 são os que mais sofrem com patches do Spectre e Meltdown

PC World / EUA
11 de janeiro de 2018 - 15h38
Ainda a mais usada do mundo, versão do sistema lançada em 2009 é a que mais sofreu com as atualizações contra falhas de CPU, segundo Microsoft.

A Microsoft anunciou nesta terça-feira, 9/1, que os PCs Windows 7 ficariam mais lentos após receberem os updates de segurança contra as falhas de CPU Meltdown e Spectre.

Mas para o Windows 10, afirmou o gerente de Windows da Microsoft, Terry Myerson, a empresa não espera que os usuários percebam uma mudança significativa já que as porcentagens de lentidão são refletidas em milissegundos. 

“Com o Windows 10 em chips mais novos (PCs de 2016 com Skylake, Kaby Lake ou CPUs mais novas), os benchmarks mostram uma queda de um dígito”, afirmou Myerson em um post sobre o assunto no blog da Microsoft.

Para quem não lembra, Skylake e Kaby Lake eram os codinomes para os processadores lançados pela Intel em 2015 e 2016, respectivamente. A maioria dos novos PCs vendidos em 2016 e 2017 traziam as CPUs Skylake ou Kaby Lake.

Com um chip mais antigo, como o Haswell, de 2013, por exemplo, o Windows 10 sofreu um pouco mais com os updates de segurança. “Alguns benchmarks mostram quedas de performance mais significativas, e esperamos que alguns usuários percebam uma queda no desempenho do sistema”, explica Myerson.

Os usuários rodando o Windows 7 e o Windows 8.1 em PCs com chips Haswell (ou mais antigos) devem esperar “perceber uma queda na performance do sistema”, de acordo com o executivo da Microsoft. 

Assim que as vulnerabilidades Meltdown e Spectre foram reveladas na última semana, especialistas afirmaram que os patches para sistemas operacionais afetariam a performance das máquinas. Era simplesmente uma questão dos bugs em si, já que eles existiam em técnicas que os processadores usavam para aumentar o desempenho. Sufocar as falhas, ou menos tornar mais difícil para que os criminosos as explorem, significa interromper essas práticas que aumentam a velocidade, chamadas de execução especulativa. 

“É possível que um patch possa desabilitar a execução especulativa ou evitar leitura de memória especulativa, mas isso causaria uma perda significativa de desempenho”, afirmaram os pesquisadores acadêmicos independentes que publicaram um documento detalhado sobre as falhas. 

Myerson disse que a diferença entre o Windows 10 e o Windows 7 acontece por conta dos processadores mais novos e pelo design do próprio sistema, sendo que a combinação dos dois favorece o sistema mais recente. “Versões antigas do Windows registram um maior impacto em termos de desempenho porque o Windows 7 e o Windows 8 possuem mais transições do kernel do usuário por conta de decisões de design legado, como a renderização de todas as fontes no kernel”, explica o executivo. 

Mesmo assim, o contraste entre o antigo (o Windows 7, ainda a versão mais popular do sistema no mundo) e o novo (o Windows 10) mantém a tradição da Microsoft de destacar o novo e menosprezar o antigo.

O que não foi dito é o papel da Microsoft em colocar o Windows 7 no status menos favorecido em termos de desempenho por conta do Spectre. Em 2016, a empresa relegou o sistema a um lugar de segunda classe quando anunciou o encurtamento do suporte para o sistema lançado de 2009 nos então novos processadores Skylake. Depois a companhia acabou cedendo, dizendo que forneceria suporte ao Windows 7 até a data oficial de fim de suporte, em janeiro de 2020, para alguns PCs com chips Skylake. Mas a gigante se recusou a mudar outra decisão: de oferecer suporte apenas para o Windows 10 em chips Kaby Lake e mais recentes. 

As empresas devem começar imediatamente a fazer testes com os updates para verificar os problemas de desempenho, destaca um especialista em segurança. “As corporações precisam ter cuido, e fazer testes cuidadosos antes de soltar o update”, afirmou o gerente de produtos da Ivanti, Chris Goettl. Algumas cargas de trabalho deverão sofrer mais com a lentidão causada pelos patches, enquanto que outras – como a maioria dos funcionários de escritórios – terão dificuldade em perceber qualquer diferença.

Goettl destacou áreas como armazenamento, virtualização e utilização intensa de redes como as que provavelmente sofrerão um impacto maior por conta do desempenho mais lento depois que as atualizações forem instaladas. “Isso vai variar. Como eles (updates) vão afetar o acesso ao armazenamento, ou qual o impacto que haverá em plataformas na nuvem, como o Office 365? Ambientes mais avançados em termos de desempenho são os que mais podem sofrer. Cada empresa deve determinar o quanto por meio de testes.”

Vale notar que Myerson não citou dados de benchmark ao fazer suas afirmações sobre como os updates afetarão os diferentes chips e sistemas operacionais, mas prometeu que a Microsoft fará isso. “Vamos publicar os dados sobre perfomance em benchmarks nas próximas semanas.”