Autopilot da Tesla é 'parcialmente culpado' por acidente fatal, conclui agência

Da Redação
13/09/2017 - 11h51
Conselho de Segurança do Transporte diverge da conclusão emitida em janeiro pelo Departamento de Transporte; família da vítima declarou que carro não foi culpado

Cerca de oito meses após a Tesla ter sido “absolvida” pelo Departamento de Transporte dos Estados Unidos (NHTSA, na sigla em inglês) no acidente fatal envolvendo um Model S, a montadora de veículos elétricos de Elon Musk se depara agora com uma opinião diversa. 

O Conselho Nacional de Segurança do Transporte (NTSB), agência federal que investiga acidentes aéreos e acidentes de trânsito em grandes proporções, e que também se debruçava sobre o caso, anunciou na terça-feira (12/09) que o sistema Autopilot foi “parcialmente culpado” pelo acidente que levou à morte do americano Joshua Brown.

Joshua Brown, 40 anos, morreu na Flórida no dia 7 de maio, quando o Model S que dirigia se colidiu com um caminhão baú na intersecção de uma rodovia. Na ocasião, a Tesla disse que o sistema de sensores do carro, contra um céu claro, falhou ao reconhecer o caminhão. O caso ganhou grande repercussão por ser a primeira fatalidade envolvendo um veículo com recursos autônomos. 

Em janeiro, a NHTSA afirmou não ter encontrado evidências de qualquer defeito nos carros elétricos da Tesla e que Brown teria tido sete segundos para ver o caminhão e reagir. Além disso, o sistema teria emitido sete alertas para que Brown voltasse ao modo ativo de direção.
 
Um dia antes do Conselho Nacional de Segurança de Transporte anunciar sua conclusão, a família de Brown declarou que o carro não foi culpado pelo acidente. "Ouvimos muitas vezes que o carro matou nosso filho. Esse simplesmente não é o caso", disse a família, em comunicado dado por meio de seu escritório de advocacia. "Houve um pequeno espaço de tempo quando nem Joshua nem os recursos do carro da Tesla perceberam que o caminhão estava fazendo uma curva à esquerda em frente do carro." 
 

Após o relatório do NTSB, a Tesla afirmou que seu sistema de piloto automático "aumenta significativamente a segurança, como a NHTSA demonstrou que reduz as taxas de acidentes em 40%". 

Desde o acidente, a montadora fez uma série de melhorias ao Autopilot, acrescentando novos limites ao modo "mãos-livres" e outros recursos que visam reforçar a previsão de colisões.

A Tesla disse que avaliará as recomendações da NTSB à medida que continua a evoluir sua tecnologia.

*Foto: Divulgação/NTSB