Elon Musk diz que compreensão de Zuckerberg sobre ameaças da IA é limitada

Carla Matsu
25/07/2017 - 11h54
Em Q&A, Zuckerberg disse que aqueles que pedem pela desaceleração da IA são irresponsáveis. Recentemente, Musk alertou sobre a importância de regular a tecnologia

Além de dedicar seu tempo frente a algumas das empresas mais inovadoras da atualidade, Tesla e SpaceX, Elon Musk tem trabalhado para alertar pesquisadores e autoridades sobre as ameaças do desenvolvimento desenfreado da inteligência artificial. Recentemente, o empresário participou de uma reunião com representantes do governo americano onde salientou a importância de regulamentar a IA. Para ele, a tecnologia oferece "um risco fundamental para a existência da civilização."

Entretanto, há outro bilionário do setor que parece ter uma opinião contrária. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, acredita que Musk se precipita em suas previsões e que, de certa forma, é irresponsável por fazê-las.  

Neste último domingo, em um dos seus Q&As ao vivo da rede social, Zuckerberg foi questionado por alguém do público: "Eu assisti a uma entrevista recente do Elon Musk sobre seu grande medo em relação ao futuro da IA. Quais são seus pensamentos sobre o tema e como a IA poderia afetar o mundo?"

Zuckerberg responde ser otimista: "Eu penso que você pode construir coisas e o mundo se tornará melhor, e com a IA, especialmente, eu estou otimista. Eu penso que as pessoas que maldizem e tentam colocar esses cenários de apocalipse... Eu apenas não entendo. É realmente negativo e, de alguma forma, eu penso que é realmente irresponsável", argumenta. 

O empresário argumenta que nos próximos cinco a dez anos, a IA entregará "tantas melhorias na qualidade das nossas vidas" e cita tratamentos de saúde e carros autônomos com os grandes exemplos. "Pessoas que argumentam a desaceleração do processo do desenvolvimento da IA, eu acredito que é realmente questionável. Se você estiver argumentando contra a IA, você está argumentando contra carros mais seguros que evitarão acidentes", conclui. 

As opiniões de Zuckerberg chegaram até Musk quando, nesta terça-feira (25), Darren Cunningham, VP de Marketing da New Relic, publicou uma matéria no Twitter que resumia as opiniões do fundador do Facebook e aproveitou para marcar Elon Musk no post, que saltou na conversa e comentou: "Eu conversei com Mark sobre isso. Sua compreensão do assunto é limitada". Musk lembrou ainda um artigo assinado por Tim Urban, do blog "Wait, but Why" sobre a revolução da inteligência artificial. Urban também argumenta sobre os caminhos e potenciais perigos da tecnologia.  

As preocupações acerca de uma inteligência artificial "super inteligente" são endossadas também por boa parte da comunidade científica que se debruça sobre o assunto. Deixando de lado o otimismo de Mark Zuckerberg e, claro, dos potenciais benefícios que a tecnologia reserva,  há estudos que alertam para consequências inevitáveis do avanço da automação, incluindo aí a substituição dos postos de trabalho e o aumento da desigualdade social.
 
Um relatório da instituição Sutton Trust, do Reino Unido, realizado pelo Boston Consulting Group, prevê que a próxima onda de automação aumentará ainda mais a diferença entre pobres e ricos, caso governos não tomem medidas que enderecem o problema. Os autores do estudo chamam atenção ao fato de que pessoas ricas estariam mais preparadas para se adaptarem a um novo cenário, onde habilidades humanas poderão ser facilmente substituídas por sistemas robotizados.
 
Musk também alertou, em outra ocasião, que governos terão de reagir e serão forçados a pagar uma espécie de renda básica universal – pagando a cada cidadão uma certa quantidade de dinheiro por mês.

Vale ressaltar que tal ideia também foi defendida pelo próprio Zuckerberg. Em maio deste ano, o executivo falou sobre como novas gerações terão de lidar com dezenas de milhões de empregos sendo substituídos pela automação, como carros e caminhões autônomos. “Nós devemos explorar ideias como uma renda universal básica para garantir que todos tenham a possibilidade de testar novas ideias”, disse o empresário.