EUA investe US$ 65 milhões no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina

Da Redação
10 de julho de 2017 - 17h42
Objetivo é desenvolver hardware e software capazes de converter sinais elétricos e químicos em dados que máquinas possam ler

O desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina ganhou um novo e importante capítulo. Nesta segunda-feira (10), o Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou um fundo inicial de US$ 65 milhões para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que possam levar, um dia, a avanços e descobertas em relação a distúrbios do cérebro.

O fundo tem o suporte da DARPA, a agência de defesa e pesquisa avançada do governo americano e se dará através do programa Neural Engineering System Design (NESD) que selecionou a Brown University, Columbia University, The Seeing and Hearing Foundation, John B. Pierce Laboratory, Paradromics Ind e a Universidade de Berkeley. Todas receberão bolsas para ajudar a desenvolver tecnologias na área.

De acordo com o comunicado da DARPA, o programa tem como objetivo desenvolver um "sistema implantável capaz de oferecer comunicação precisa entre cérebro e o mundo digital." 

A ideia é que com essas interfaces cérebro-máquina, seja possível converter os sinais elétricos e químicos do cérebro em dados que máquinas conseguiriam ler e vice versa.

Os pesquisadores esperam que as interfaces neurais consigam, eventualmente, se comunicar com cerca de 1 milhão de neurônios em paralelo. É um número impressionante, claro, mas ainda distante dos 86 bilhões que nossos cérebros usam no total. 

Segundo a DARPA, a primeira fase do programa terá como meta desenvolver um hardware básico e um software necessário e deverá levar cerca de um ano. Já a segunda fase irá refinar e miniaturizar essa tecnologia assim como começar estudos básicos em busca de aprovação da FDA, agência regulatória americana.

Ao escolher diferentes instituições para integrar o programa, a DARPA espera resolver uma série de complicações tecnológicas e biológicas com a iniciativa. 

Além do DARPA, outras companhias privadas estão em busca de uma interface cérebro-máquina que possa dar a humanos sentidos mais apurados ou devolver a habilidade perdida por pessoas, como a visão. Elon Musk é um deles. O empreendedor, o mesmo por trás da Tesla e SpaceX, anunciou neste ano a criação de uma empresa dedicada a desenvolver uma interface que visa fazer da inteligência artificial uma extensão do cérebro humano. 

O Facebook revelou também ter interesse em colocar-se como fornecedor para um futuro onde humanos poderão ser impulsionados por acessórios alimentados por inteligência artificial. Na conferência para desenvolvedores, a F8, a companhia apresentou seu projeto que pretende habilitar usuários a digitarem só com a força do pensamento.