Brasileiras querem empoderar mulheres através da programação

Por Carla Matsu
29/01/2016 - 16h54
Jornalista Iana Chan e designer Luciana Fernandes lançaram o PrograMaria no ano passado. Iniciativa contará com workshops e cursos de programação para mulheres

Iana Chan e Luciana Fernandes, à frente, durante workshop promovido em parceria com a Rodada Hacker. Foto: Alile Dara/Reprodução

 

Iana Chan, jornalista e Luciana Fernandes, designer, não possuem formação em ciências da computação ou alguma graduação análoga, mas isso não as impediu de levar adiante um projeto que prevê o empoderamento de garotas e mulheres pela via da programação. 

O projeto, no caso, já atende pelo nome de Progra{m}aria e começa a dar seus primeiros passos e a ganhar reconhecimento. No ano passado, as duas estavam entre as vencedoras do prêmio "Mulheres Tech em Sampa" e foram selecionadas pelo programa Vai TEC, que concedeu subsídio no valor de R$25 mil a projetos inovadores na cidade de São Paulo. Ambas iniciativas são da prefeitura de São Paulo.

Durante a Campus Party 2016, Iana e Luciana foram convidadas pela Prefeitura se São Paulo, via programa VAI TEC, para apresentar o Progra{m}aria em um dos palcos da feira de tecnologia, empreendedorismo e cultura nerd que acontece essa semana em São Paulo.

Na entrevista a seguir, as duas explicam sobre o Progra{m}aria e como pretendem impactar mulheres com a programação.

IDG Now! Meninas, como surgiu a ideia para o Progra{m}aria e por que incentivar mulheres a aprenderem programação?

Iana – Eu sou jornalista, mas sempre trabalhei com tecnologia, sites e sempre gostei da área e dei meus pulos no código. A Lu e eu trabalhamos juntas e falávamos sobre a questão de como a profissão do designer estava mudando e exigindo conhecimentos em programação, pois hoje todo mundo precisa de um programador e não apenas um webdesigner. E pensamos, por que não fazer um clube de programação para nós aprendermos?

Luciana – Mas os espaços de acesso eram muito difíceis, a gente não sabia por onde começar.

Iana – Isso, perguntamos se a gente conseguiria. Mas pensamos na ideia de fazer um clube de programação para aprendermos juntas, para ter disciplina, por que isso também é legal pois apoiamos uma a outra e pensamos em fazer um projeto para aplicar esse aprendizado, para fazer sentido. E gostaríamos de compartilhar esse projeto para incentivar outras mulheres a programarem. Aí surgiu o Progra{m}aria. 

IDG Now - E quais são os objetivos principais da iniciativa?

Iana - A gente pesquisou muito antes. Desde qual era a nossa relação com a tecnologia a por que tantas meninas se sentiam distantes desse campo, quais são as barreiras culturais, de autoestima, por que algumas meninas acham que não são capazes e por que algumas têm maior dificuldade no aprendizado. 

A partir disso, a gente definiu quais áreas entrariam no Progra{m}aria. São “Inspirar”, que é  mostrar para essas mulheres o que é possível fazer com a programação. Pois tem-se muito essa ideia de que programar é ficar na frente de uma tela verde digitando código, quando na verdade tem muitas coisas legais e práticas e trabalho em equipe envolvidos.

Temos o pilar “Debater”, que é justamente discutir por que faltam mulheres nessa área, quais são esses problemas que a gente enfrenta. Sabemos que tem um estereótipo muito forte na área. Quando pensamos em um programador, pensamos em um homem, necessariamente. E não precisa ser assim. Então a ideia é incentivar justamente essa discussão. Por que não são só poucas mulheres que estudam programação, mas as poucas que estudam e vão para o mercado de trabalho, desistem. Então o ambiente da tecnologia é hostil a mulher. E aí finalmente o pilar “Aprender”, que é apresentar a essa mulher oportunidades de aprendizado.

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IDG Now - Como vocês pretendem estruturar esses pilares?

Iana - A ideia é que todos esses pilares se reflitam em nossas ações. No ano passado, focamos em estruturar o site, o conteúdo e criar uma rede de colaboradores para produzir conteúdo nos três pilares, e para esse ano a gente quer fazer mais eventos. No ano passado, nos inscrevemos no prêmio “Women Tech in Sampa”, iniciativa da prefeitura, Rede Mulher Empreendedora e do Google e a ganhamos e com esse dinheiro (R$ 10 mil) vamos fazer o piloto do nosso curso - o #euprogramo. 

A ideia é que esse curso seja mais profundo e que as mulheres saiam com autonomia para criar projetos simples e para principalmente continuar aprendendo, por que ninguém forma uma programadora em tão pouco tempo. E além disso, estamos pensando em fazer eventos pontuais, tanto palestras para debater o gênero mulher no mercado de tecnologia, como workshops mais ferramentais, que possam explicar como montar um blog, portfólio, coisas especificas.

IDG Now – E como a programação pode incentivar o empreendedorismo entre mulheres?

Iana - Pra gente foi muito marcante uma frase. Eu estava conversando com uma menina e ela contou que tinha uma super ideia e que quando achasse um amigo programador, ela tiraria essa ideia da cabeça. E pensamos, por que não realizar essas nossas ideias nós mesmas, por que precisamos de um homem para nos ajudar. Pra gente, programação é empoderamento, você ser capaz de realizar, de se expressar, de realizar suas próprias ideias sem precisar de ninguém. 

IDG Now – E qual é a relação mais próxima de vocês com a programação, vocês tem aprendido?

Iana – Eu já tinha começado antes por conta do trabalho, por que trabalhei em um site e precisava ter noções de HTML e CSS e um amigo meu começou a me ensinar Python há muito tempo, e eu to nessa jornada ainda.

Luciana - Eu iniciei o ano passado, por que começamos a ter umas aulas de lógica de programação com uma amiga, eu estou bem no começo. E nesse ano, estou fazendo um curso de HTML, CSS e Java. E antes eu tinha muito a sensação de que ‘nunca vou conseguir’ e agora eu penso, acho que eu consigo.

IDG Now - Como vocês veem o PrograMaria no futuro?

Iana – Temos uma missão muito clara de trazer mais mulheres para a tecnologia e queremos que isso se torne uma empresa. Queremos que seja uma empresa sustentável por que acreditamos na ideia, achamos que tem espaço para que isso aconteça. A nossa ideia em 2016 é testar esses modelos, fazer parcerias com outras empresas, e que tipo de coisas podem surgir e crescer a partir daí.