Desktop 2.0: serviços online migram para a área de trabalho do PC

Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
20 de setembro - 07h00 - Atualizada em 20 de setembro - 09h11
São Paulo - Empresas como Google e Adobe voltam a apostar na importância do desktop, aproximando sua área de trabalho de serviços online.

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modo_offline_88A explosão dos serviços de internet  vai acabar com o desktop, não? Você já deve ter ouvido isso. Mas saiba que os rumores, além de exagerados, começam a se mostrar inverídicos.

O computador pessoal, que completou 25 anos em 2006 (veja as fotos), parece que está voltando à cena com uma nova classe de serviços que permitem que você use aplicativos na internet enquanto está offline.

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As recentes movimentações de grandes empresas de tecnologia e de internet provam que aplicativos na área de trabalho do usuário ainda compensam, desde que levemente misturadas com a web.

Veja o exemplo do Google Gears, apresentada oficialmente em maio pelo Google. Ela faz com que os serviços online também funcionem quando você está desconectado.

Imagine um executivo respondendo a uma longa lista de mensagens no seu notebook durante um vôo. Ao chegar ao aeroporto, basta conectar o portátil à rede sem fio mais próxima para que seu sistema de e-mails envie as mensagens escritas no avião, além de receber as que foram enviadas durante o vôo.

Por enquanto, serviços online, como o Gmail, do Google, ou o Yahoo Mail, do Yahoo, trocam informações constantemente com os servidores para determinar se novas mensagens chegaram ou se um novo contato, no caso do comunicador GTalk integrado ao serviço do Google, está disponível para conversas.

Não que, com as novidades apresentadas por Google e Adobe você consiga navegar normalmente na internet, chegando a trocar mensagens em tempo real com seus amigos, mesmo se estiver perdido no cerrado brasileiro.
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Mas ambas já propõem novidades na maneira como usuários lidam com serviços originalmente online em seus desktops. O principal exemplo é o Google Reader que, por meio do Google Gears, pode ser usado para ler seus feeds de informação longe da internet.

O segredo está no empacotamento de informações essenciais para o usuário, criando um cachê no computador que se comporta como o servidor remoto enquanto não há sinal de internet.

Ao instalar o Gears, o usuário pode sincronizar as duas mil mensagens mais recentes entre seus feeds cadastrados no Google Reader, que são guardados no PC em três módulos - o servidor local, o banco de dados e o WorkerPool.

Como não há qualquer nova informação passando pelo cabo de Ethernet ou pela rede sem fio, o serviço usa o banco de dados no micro do usuário para reproduzir as notícias.

Nos testes do IDG Now!, o Google Reader se comportou normalmente no modo offline, com o revés de não apresentar imagens dos posts acessados e ter sua velocidade um bocado prejudicada.

O mesmo exemplo vale para o serviço de textos, planilhas e apresentações online Zoho que, mesmo potencialmente rival do Google Docs, usa a plataforma Gears para que usuários escrevam texto no seu editor online no modo offline.

Ao escolher a opção “Go Offline” na interface do serviço, o Zoho baixa automaticamente 15 textos do usuário que são armazenados e podem ser facilmente acessados e editados sem sinal de internet.
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Mais importante que isto, porém, é a possibilidade de acessar o editor após o download dos arquivos mesmo quando o navegador está fechado, o que faz com que o serviço online realmente se comporte como um software instalado na máquina.

Além do Zoho, o popular software online de CRM SalesForce anunciou que também apoiará o Google Gearss para desenvolver um modo offline da aplicação online.

A receita do Gears também é seguida pelo Adobe Integrated Runtime (AIR), plataforma lançada pela Adobe em março de 2007, que também aposta no desktop como protagonista da computação pessoal, mas de uma maneira diferente do Google.

O AIR segue a receita dos widgets de agregar na sua área de trabalho várias pequenas aplicações para tarefas pontuais que podem, dependendo do seu dia-a-dia, diminuir consistentemente as horas gastas com um navegador.

Já é assim com o Tweet-R, que permite enviar e receber mensagens na comunidade de microblogging Twitter, no Finetune Desktop, onde usuários montam, a partir da área de trabalho, listas de músicas no serviço FineTune, ou no San Dimas, beta do projeto que o eBay está bolando para aproximar usuários das suas ofertas em leilão.

Por mais que empresas ainda encarem com parcimônia o desenvolvimento de aplicações offline, a expansão da novidade em larga escala poderá estar encarnada na próxima versão do navegador Firefox.
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Programado para chegar à internet até o final do ano, o Firefox 3 trará o suporte offline a serviço online como algo padrão, o que pode significar que até mesmo sites não preparados para a tecnologia poderão ser utilizados longe da web.

Em visita ao Brasil, o evangelista da Mozilla, Asa Dotzler, admitiu que a ferramenta, desenvolvida com a mesma idéia de criar um cachê no micro do usuário que recrie um servidor online, é uma aposta pessoal da empresa para popularizar softwares online.

Na prática, o uso do Firefox 3, aliado à provável expansão de plataformas adaptadas ao modo offline, poderá trazer ao usuário que encontra alguns hotspots ou cabos de Ethernet no caminho uma realidade em que softwares não precisam ser mais instalados.

Basta acessar sua versão offline, fazer as edições necessárias e esperar que o próximo sinal de internet atualize suas informações com os servidores do serviço original, em um cenário que, como tantos outros assuntos relativos à internet, prova que o futuro não está na substituição, mas na interação.