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Multi-touch: conheça as origens e aplicações do cobiçado recurso do iPhone

Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
29/06/2007 - 07h00
São Paulo - Tecnologia, desenvolvida há mais de 25 anos, permite interagir de forma muito mais rica e divertida com objetos na tela.

dest_88aUm dos recursos que mais chamam atenção no iPhone, telefone da Apple que será lançado nesta sexta-feira (29/06), é o chamado multi-touch, tecnologia que permite não só executar comandos tocando na tela, mas ir além, rolando listas com o deslizar do dedo e ampliando e reduzindo imagens com o movimento de pinça do polegar e do indicador.

A função, que remete inevitavelmente às cenas de Tom Cruise manipulando imagens virtuais com as mãos no filme “Minority Report”, é inovadora enquanto interface para um celular, mas o multi-touch não é invenção da Apple e muito menos de Hollywood.

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As primeiras pesquisas de interfaces com multi-touch remetem ao início da década de 80 e foram realizadas principalmente na Universidade de Toronto, no Canadá, e no Bell Labs, nos Estados Unidos.

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A tecnologia tem como proposta ser uma alternativa aos dispositivos de interação entre humanos e máquinas, hoje restritos principalmente ao mouse e ao teclado - dois dispositivos de interface muito pouco intuitivos e bastante limitados, na avaliação dos especialistas.

Mesmo as telas sensíveis ao toque, utilizadas principalmente em máquinas de auto-atendimento eletrônico e em alguns dispositivos móveis, ainda hoje oferecem uma experiência muito similar à obtida por um mouse ou um teclado - em geral “clica-se” em opções de uma lista pré-estabelecida, só o que muda é que sai o mouse e entra o dedo.


O multi-touch oferece uma experiência completamente diferente. Por meio de uma combinação de hardware e software, as telas multi-touch são capazes de reconhecer toques simultâneos em diferentes pontos da superfície. A interpretação de padrões de toque permite que essas superfícies sejam capazes de entender gestos e oferecer uma interação rica com os objetos na tela, permitindo que o usuário de fato “manipule” conteúdos.

No caso do iPhone, Steve Jobs demonstrou na primeira apresentação pública do produto, em janeiro deste ano, o uso do recurso para navegar por capa de álbuns musicais (como em uma jukebox), para fazer o zoom de fotos e mapas e para explorar páginas da web no navegador Safari, focalizando pedaços específicos da tela pelo movimento das mãos e enquadrando trechos, como fotos ou colunas, com um duplo toque do dedo.

Mais recentemente, a Microsoft exibiu o protótipo de uma mesa interativa que também utiliza a tecnologia multi-touch. O Microsoft Surface, como foi nomeado, é uma superfície que reconhece os movimentos de várias mãos ao mesmo tempo, permitindo atividades em grupo. Tocado na tela de 30 polegadas horizontal, os usuários podem mover fotos e vídeos, virando “páginas” e exibindo-os de diferentes ângulos.

Além disso, o Surface reconhece dispositivos posicionados sobre a superfície. Aparelhos com Bluetooth - como celulares, câmeras e o tocador Zune - “conversam” com o Surface simplesmente sendo colocados sobre a sua tela. As aplicações também abrem automaticamente de acordo com a função do aparelho - como músicas ou fotos.

Mas essa não foi a primeira incursão da empresa de Bill Gates no universo do munti-touch. Em 2004, o pesquisador da Microsoft, Andy Wilson, apresentou o TouchLight, uma tecnologia baseada em projeção que permitia a interação por gestos. No vídeo que exibia o protótipo do sistema, já é possível ver o recurso de aumentar e diminuir o tamanho de imagens com os dedos que Jobs apresentou no iPhone, arrancando aplausos entusiasmados da platéia três anos mais tarde.

Um ano depois, em 2005, o mesmo Andy Wilson e sua equipe apresentaram o PlayAnyware, um sistema de projeção em mesa que já antecipava a propriedade de identificar objetos do Surface, além de possibilitar a interação por toque.

Ainda em 2005, o pesquisador Jeff Han, da Universidade de Nova York, apresentou uma surpreendente tela de grande porte multi-touch que permite que mais de um usuário interaja ao mesmo tempo com diferentes objetos. A vantagem do modelo é que a tela de grande porte não limita a interação apenas aos dedos, é possível utilizar as duas mãos com um ângulo de abertura amplo, aumentando as possibilidades de aplicação.

Ao longo das últimas duas décadas, várias outras pesquisas relacionadas ao uso de multi-touch foram realizadas por meio de parcerias entre empresas privadas, como Apple, IBM, Sony, Xerox, Sun e Mitsubishi, e universidades em diversas geografias - entre elas Georgia Tech, Columbia e Cambridge.

Mas o uso da tecnologia não se restringiu apenas ao âmbito das pesquisas. Em 2004, a fabricante francesa Jazz Mutant lançou comercialmente um mixer musical com interface multi-touch, o Lemur. O aparelho é inteiramente controlado pelo movimento dos dedos e já tem sucessor: o Dexter, que chega às prateleiras em 5 de julho.

A tendência é que cada vez mais equipamentos com estes recursos cheguem ao mercado, mas a possibilidade de o toque substituir por completo o uso do mouse ou do teclado - como acontece no Surface e no iPhone - é remota. Para certas tarefas - como digitar textos, por exemplo -, os dispositivos tradicionais ainda cumprem melhor seu papel.

Além disso, o multi-touch ainda precisa de tempo para ganhar a confiança do usuário. O melhor exemplo disso é que o mouse, que hoje consideramos indispensável, levou nada menos que 30 anos para se tornar popular, desde sua invenção em 1965.

Baseado neste cálculo, o multi-touch, que nasceu há pouco mais de 25 anos, ainda tem pelo menos cinco anos pela frente para conquistar os corações e mentes do consumidor.