Funcionários do Google no mundo todo aderem a protestos contra casos de assédio

Da Redação
01/11/2018 - 13h50
Google Walkout for Real Change já teria adesão de mais de 1.500 funcionários, maioria mulheres, de escritórios do Canadá a Tóquio

Funcionários do Google estão deixando seus postos de trabalho nesta quinta-feira (01) em protesto às recentes revelações de que a gigante de tecnologia abafou casos de assédio sexual de altos executivos, como Andy rubin, criador do Android. O protesto "Google Walkout for Real Change" (Greve do Google para Mudanças Reais, na tradução literal) já teria a adesão de mais de 1.500 funcionários ao redor do mundo, a maioria mulheres, segundo informações do The New York Times

Na quarta-feira (31), o Buzfeed News informou que, inicialmente, 200 engenheiras planejavam a greve. Mas hoje, a iniciativa se espalhou para diversos escritórios do Google mundo afora.  Escritórios em Tóquio, Singapura, Berlim, Dublin, Montreal e Nova York também aderiram e a hashtag no Twitter e Instagram #GoogleWalkOut reúne fotos e vídeos de funcionários no protesto. 

"Nós não queremos sentir que somos desiguais ou que nós não somos mais respeitadas", disse Claire Stapleton, gerente de marketing de produto para o YouTube ao NYT. "O Google é famoso por sua cultura. Mas, na realidade, nós não estamos nem próximo de encontrar o básico do respeito, justiça e equidade para cada pessoa que está aqui. 

walkout google interna

Este é o cartaz que funcionários que aderiram ao protesto deixaram em suas mesas nesta quinta-feira. Crédito: Reprodução Instagram

Entenda o caso 

Na semana passada, o NYT reportou que funcionários do alto escalão, incluindo Andy Rubin, foram encobertados após acusações de assédio sexual. No caso de Rubin, a reportagem relata um caso grave, onde ele teria coagido uma funcionária a realizar sexo oral nele. O criador do Android deixou a companhia em 2014 e, com sua saída, levou um pacote de compensação de 90 milhões de dólares. De acordo com fontes próximas ao caso, o Google teria investigado a acusação contra Rubin e após ter concluído que era verídica pediu para o executivo se demitir. 

Após repercussões da reportagem, Sundar Pichai, CEO do Google, e a presidente de Recursos Humanos da empresa, enviaram um comunicado aos funcionários onde admite que nos últimos dois anos foram demitidos 48 funcionários - 13 em cargos de alto gerência - acusados de assédio sexual. No e-mail, o qual a imprensa internacional obteve acesso, Pichai informa que nenhum dos demitidos recebeu compensação ao sair. Entretanto, ele não endereço o caso de Rubin especificamente.

Ao BuzzFeed News, uma das fontes ouvidas e que pediu anonimato disse que a sensação é de haver um padrão no Google, onde "homens poderosos podem se safar de qualquer comportamento horrível contra mulheres" e que se eles não são absolvidos, eles levam um tapinha nas costas ou ainda um para-quedas premiado, como no caso de Rubin. 

O protesto desta quinta-feira não é o primeiro episódio de insatisfação de funcionários em relação à transparência do Google. Neste ano, funcionários reagiram à notícia de que a gigante de Mountain View estava ajudando o governo americano a desenvolver inteligência artificial para equipar drones como parte da sua iniciativa Projeto Maven. Em resposta, o Google prometeu que não renovaria o seu contrato com o Pentágono depois de doze funcionários pedirem demissão em protesto. Funcionários apresentaram uma série de petições para o Google aumentar suas práticas de transparência e ética.