Empresas devem exigir dois anos de suporte do Windows 10, diz Gartner

Computerworld / EUA
29 de maio de 2018 - 11h00
Analistas da consultoria também alertam que opções pagas de suporte estendido podem acabar saindo muito caras.

Os usuários corporativos deveriam fazer um lobby junto à Microsoft para transformar o ciclo de suporte de 24 meses para o Windows 10 em algo permanente, segundo o analista de pesquisas da Gartner, Stephen Kleynhans. 

“Vinte e quatro meses seria melhor para todo mundo”, afirma Kleynhans. Há mais de um ano, a Microsoft formalizou um calendário de entrega de dois upgrades de recursos do Windows 10 ao ano, prometendo suportar cada upgrade por 18 meses. Um upgrade lançado em setembro de 2017, por exemplo, teria suporte com patches de segurança e outras soluções para bugs até março de 2019.

Mas em novembro do ano passado, a empresa de Redmond anunciou uma extensão de seis meses no suporte para a versão 1511 do Windows 10, um upgrade lançado no fim de 2015. “Para ajudar as empresas early adopters que ainda estão finalizando as suas transições para o Windows como um serviço, vamos fornecer um pacote de serviços complementar para a versão 1511 do Windows 10 por mais seis meses, até abril de 2018”, explicou o director de marketing de produtos Windows, Michael Niehaus, ao anunciar a mudança na época.

Em fevereiro deste ano, a Microsoft adicionou as versões 1609, 1703 e 1709 – lançadas no meio de 2016 e em abril e outubro de 2017, respectivamente – à lista de suporte estendido, fornecendo 24 meses de suporte para cada um dos upgrades.

Novamente, a Microsoft citou o feedback das companhias para a extensão. “Muitos consumidores fizeram progresso significativo em avançar para o Windows como um serviço...mas alguns clientes pediram por uma extensão no suporte padrão de 18 meses para os lançamentos do Windows 10”, conforme um post do gerente geral do Windows, Bernardo Caldas, publicado em fevereiro deste ano.

Mesmo assim, o próximo passo da Microsoft não foi continuar com a prática por tempo indeterminado. Em vez disso, a empresa disse que o Windows 10 1803, que chegou em 30 de abril, teria um suporte de 18 meses – e não 24 – interrompendo assim essa tendência.  

Em um relatório publicado há mais de um mês – antes de a Microsoft retornar ao suporte de 18 meses com o Windows 10 1803 – Kleynhans e outro analista da Gartner, Michael Silver, disse aos clientes que a extensão para 24 meses “é apenas temporária”, e que a Microsoft “não iria tão longe quanto estabelecer uma nova linha do tempo de suportes”. 

E Kleynhans e Silver estavam certos, já que a Microsoft derrubou esses seis meses adicionais de suporte com o upgrade 1803. Ao mesmo tempo, a fabricante disse que só ofereceria suporte além dos 18 meses padrão por meio de uma modalidade paga chamada “paid supplemental servicing” – no entanto, a companhia não revelou informações sobre o preço deste programa.

Kleynhans e Silver recomendam que, enquanto as empresas lideram com a realidade dos ciclos de suporte de 18 meses – algo que os clientes corporativos da Gartner já afirmaram repetidamente ser muito curto, de acordo com Kleynhans – elas devem pressionar a Microsoft a retornar ao prazo estendido de 24 meses.

“Solicite nos mais altos níveis na Microsoft para configurar a política do ciclo de vida do Windows 10 Enterprise e Education para 24 meses”, afirmaram os analistas da Gartner em uma lista de recomendações. Ao mesmo tempo, aconselham, as empresas devem preparar orçamentos para suporte adicional se os 18 meses causarem limitações porque o departamento de TI não conseguir acompanhar o ritmo rápido dos lançamentos dos upgrades.  “Prepare orçamento para o Windows Software Assurance e para suporte estendido no Windows 10 conforme necessário”, apontaram.

Os especialistas da Gartner também fizeram um alerta. “Apesar de ter a opção de uma extensão de suporte paga poder parecer atraente, suspeitamos que esse método acabará se provando bastante caro na prática e deveria ser evitado se possível”, segundo Kleynhans e Silver afirmam no relatório.