Startup mineira leva gestão da comunicação das escolas para smartphone

Por Carla Matsu
03/04/2018 - 11h27
Escola em Movimento recebeu aporte recente de R$ 2 milhões de fundo de capital de risco e conta com 300 mil alunos em sua base

O CEO da Escola em Movimento, Guilherme Rocha Ribeiro e o CMO, Leonardo Silva

Quando Guilherme Rocha Ribeiro, 42 anos, deixou a escola, as dinâmicas entre professores, alunos, diretores e os pais eram distintas das atuais. Eram, essencialmente, analógicas, limitadas ao papel e ao alcance da comunicação verbal. Mas há cerca de cinco anos, quando seus filhos entravam na educação infantil, veio o estalo: já estava em tempo da comunicação entre pais e as escolas se beneficiar da mobilidade dos smartphones. Nascia assim a "Escola em Movimento". 

A startup sediada em Belo Horizonte (MG), da qual Ribeiro é um dos fundadores e CEO, desenvolveu uma plataforma que funciona como uma espécie de agenda digital que concentra informações de calendário, agenda das atividades da própria escola, diário das turmas e notas, além de permitir a criação de um atendimento multicanal. Entre os recursos mais recentes do aplicativo está a função "Estou Chegando" que avisa a escola de que pais ou responsáveis estão próximos de buscarem os alunos. 

Lançada ao mercado em 2014, a plataforma conta com uma base de 500 escolas particulares e 300 mil alunos. Segundo Ribeiro, a aplicação já atende escolas em quase todo o País e conta com uma operação comercial no México. Recentemente, a companhia conseguiu outra conquista: recebeu um aporte de R$ 2 milhões de um fundo de venture capital gerido pela Cedro Capital e comprou uma de suas concorrentes, a startup Pertoo. As metas para este ano visam ampliar a base de escolas e, consequente, a de alunos. A expectativa é atingir 500 mil alunos até 2019.

Quanto ao modelo de negócio, Ribeiro explica que a Escola em Movimento limita a cobrança do serviço às escolas, em um contrato que pode ser mensal ou anual. Há ainda a possibilidade de personalizar o aplicativo com a identidade visual da própria escola. Para o usuário final, no caso os pais e alunos, o acesso é gratuito.

Perceber necessidades e contexto do mercado 

Não fosse a trajetória de Ribeiro, talvez o empreendimento que cofundou se daria a atender outro mercado. Apesar da formação em ciências da computação e ter sido professor universitário, o insight para lançar um empreendimento veio quando ele precisou levar os filhos na escola. “Eu já tinha essa experiência enquanto professor, mas não enquanto pai”, lembra. “No primeiro contato com a escola, eu percebi que as soluções de tecnologia tinham desenvolvido, mas nada que resolvesse ainda o problema de comunicação com os pais”, completa. Para ele, essa parte ainda continuava arcaica: “e-mails, agenda de papel, sistemas tradicionais. Os sistemas de gestão, nenhum deles olhava para esse problema”, conta em entrevista ao IDG Now!

O contexto para lançar um aplicativo que se propunha a conectar pais, alunos e a escola se dava na esteira da popularização do WhatsApp, conta Ribeiro. “Isso sinalizava que a gente podia já levar a comunicação para dentro do smartphone. Foi esse o nosso momento para dizer 'isso faz sentido', se a gente não fizer alguém fará”, lembra.

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Aprendendo com o público-alvo

Antes de lançar o produto no mercado, a startup se aproximou primeiro das escolas com uma pergunta: qual era a dor mais latente para elas. “Quando começamos, a gente achava que informações sobre notas e boletos seriam as principais necessidades, mas elas se mostraram secundárias. O que elas não tinham ainda era uma plataforma que comunicasse a dinâmica delas”, recorda. “Em cima disso, desenvolvemos o produto”. 

O excesso de informação em tempos onde se têm acesso a quase tudo também foi uma preocupação. Ribeiro conta que a empresa pensou que lançar um chat dentro do serviço seria um diferencial. “As escolas disseram, pelo amor de Deus, não queremos mais um chat”, diz aos risos. “Como tudo na vida, a gente erra também”.

Apesar de compartilharem muito de suas vidas nas redes sociais, é senso comum de que adolescentes tendem a se incomodar com a falta de privacidade ou curiosidade vinda de seus pais. Ao disponibilizar um canal digital de comunicação entre escolas e pais, alunos não torceram contra o aplicativo? “A medida que você empodera os pais de informação, o aluno sofre, entre aspas, porque querendo ou não eu passo a levar informação relevante para a família que, muitas vezes, o aluno filtrava. Mas este é um caminho sem volta, que eles vão ter de aprender a lidar”, argumenta o CEO. 

Por outro lado, a plataforma também é usada por educadores para criar campanhas de anti-bullyng, por exemplo, ao criar uma espécie de ouvidoria, para auxiliar alunos com a discrição necessária.

Para 2018, Ribeiro aposta no crescimento do número de escolas atendidas pela startup, com foco também no desenvolvimento do produto. Segundo ele, uma das estratégias é também olhar para concorrentes em um movimento que pode levar a novas aquisições para capilarizar o alcance da Escola em Movimento.