Intel: HDs serão substituído por SSDs com Optane e armazenamento na nuvem

PC World / EUA
07 de fevereiro de 2018 - 18h13
Plano da fabricante envolve a tecnologia Optane, que ocupa um nicho único entre um HD e uma memória DRAM.

A Intel planeja atingir os HDs com tudo neste ano por meio de um golpe duplo com Optane e SSDs NAND. O objetivo maior da empresa é retirar o armazenamento local dos PCs, e eventualmente levá-lo para a nuvem.

A fabricante certamente tem planos para o seu negócio de SSDs, incluindo adicionar modelos de 1TB e 2TB para produtos como o 760P SSD - assim como o restante do mercado. A questão mais interessante é o que a Intel vai fazer com a sua quase única tecnologia Optane, e como irá convencer os consumidores de que vale a pena investir nela. 

A Optane ocupa um nicho único entre um HD e uma memória DRAM, e originalmente serviu como uma tecnologia de caching para HDs ou SSDs. A primeira memória Optane deu lugar para SSDs maiores e inicializáveis empoderados pela Optane como o 900P SSD, disponível em capacidades de 280GB e 480GB. SSDs rápidos tornaram-se um upgrade favoritos para notebooks, mas a Intel ainda precisa tornar a Optane um produto de massa. 

A empresa espera começar a mudar isso com o lançamento de produtos como o Optane 800P, um SSD Optane M.2 relativamente pequeno, de 58GB ou 118GB, que foi anunciado em janeiro durante a CES 2018, em Las Vegas. O dispositivo começa a ser vendido neste mês, segundo o responsável por produtos de armazenamento não-volátil da Intel, Rob Crooke. No futuro, a companhia poderia combinar SSD e memória Optane. Neste ano, a Intel vai lançar a Optane dentro de um formato DRAM para data centers, de acordo com o executivo. 

Por que isso importa

A memória rápida (e cara) Optane melhora o desempenho geral do sistema, algo que está se tornando mais e mais importante à medida que os microprocessadores ficam mais rápidos. É uma vantagem que a Intel pode manter sobre a sua principal rival, a AMD, que não possui uma tecnologia concorrente no momento.  

Se a Intel conseguir aproximar ainda mais os seus chipsets, SSDs e a Optane, você poderá vir a comprar mais “Intel Inside” do que nunca, e até relutar em comprar componentes de outras fabricantes. 

A única pergunta que nós temos – e que a Intel não respondeu – é como a Optane vai interagir com as mitigações contra a falha de CPU Spectre, que impacta o armazenamento.

O que há para a Optane

Parte da vantagem da Optane é que a tecnologia não possui nenhum rival direto atualmente, o que dá uma certa flexibilidade para a Intel decidir com qual velocidade deseja avançar. Mesmo após a Intel e a Micron desenvolverem em conjunto a tecnologia 3D Xpoint, que a Intel chamou de Optane, a Micron ainda não lançou os seus próprios produtos 3D XPoint para usuários finais. 

Isso ainda deixa a Intel com muito a fazer para melhorar as suas tecnologias de SSD e Optane, afirma Crooke. “Você irá nos ver impulsionando a tecnologia Optane para ser mais rápida, e mais próxima, e com menor consumo de energia, e com maior desempenho, mais perto da CPU – e nos verá impulsionando os SSDs 3D NAND a serem maiores e mais densos e menores e até removíveis com o tempo”, afirmou o executivo.

Infelizmente, Crooke não revelou quais serão alguns dos próximos passos da fabricante nesta área, como os possíveis ganhos de capacidade da família 900P a seguir.

Uma das coisas interessantes sobre a Optane é que ela pode ser usada como um drive inicializável, como com o 900P ou até mesmo com o 800P. Mas mesmo com 118GB, o 800P provavelmente é muito pequeno para ser considerado uma opção viável pela maioria dos usuários de laptops.

A PC World dos EUA questionou se um modo de contornar isso seria combinar um drive Optane e um SSD mais tradicional. “Você poderia imaginar que isso pode fazer sentido para o futuro”, explicou Crooke. “É possível até mesmo hoje, ao combinar dois cartões M.2. O que você está falando é apenas um simples projeto de integração. Se o mercado precisasse disso, nós faríamos isso.”

O futuro: mover SSDs para a nuvem

O objetivo final da Intel, no entanto, é conectar os PCs diretamente com a nuvem. Assim, o único armazenamento local de um PC seria um drive Optane, armazenando em cache os dados usados com mais frequência diretamente no aparelho. (Já temos uma versão disso nos computadores atuais com o “diretório” OneDrive On Demand, que os usuários do Windows 10 podem usar para salvar e carregar dados a partir da nuvem.) HDs? Nada disso. Eventualmente, afirma Crooke, os HDs serão substituídos.

A visão da Intel para o PC conectado na nuvem é mais ou menos assim: conectar-se com o armazenamento na nuvem via 5G tem basicamente o desempenho de um HD baseado em SATA, afirma Crooke. “E então se você conseguir colocar a Optane na frente desse HD Sata, com uma boa performance, na teoria você poderia colocar esse HD na nuvem”, explicou. 

No momento, o PC conectado à nuvem da Intel é pouco mais do que um conceito, uma vez que a tecnologia 5G só deve começar a ser implementada em 2020. E as fabricantes precisariam ter confiança que os usuários finais conseguiriam acessar redes 5G em praticamente qualquer lugar. “Ainda há um caminho a ser percorrido, mas você consegue ver para onde isso está indo, a partir de um ponto de vista tecnológico”, disse o executivo.

“E o que isso traz para as pessoas? Facilita a migração de plataformas, porque você só precisa fazer login em um novo PC, baixar o seu trabalho, e estará pronto para continuar”, afirmou.