Retrospectiva: os principais erros e acertos do Google em 2017

PC World / EUA
18/01/2018 - 13h07
Gigante acertou ao acelerar o passo no mercado de hardware com novos modelos do Pixel e mais versões do Home, mas também cometeu erros que valem ser lembrados.

Pixel 2 e Pixel 2 XL (Imagem: Google)

Após entrar de vez no mercado de hardware em 2016 com os smartphones Pixel e o alto-falante Home, o Google acelerou o passo na área no ano passado. Não apenas tivemos dois incríveis novos modelos do Pixel, mas também diferentes versões do Home, assim como fones de ouvido da linha Pixel. E, no meio disso tudo, o Google Assistente ficou mais e mais inteligente.

Mas nem tudo foi suave para a gigante. O Google teve sua sua fatia de problemas nos últimos 12 meses, e provou que produzir ótimos aparelhos não é tão fácil quanto parece. 

Confira abaixo os principais erros e acertos do Google em 2017.

Acerto: Pixel 2 e Pixel 2 XL

O Pixel foi um dos melhores aparelhos Android de 2016, e o Pixel 2 foi tão bom quanto, se não melhor. O Pixel 2 XL possui uma tela melhor e um design um tanto diferente, e os dois modelos contam com chips e baterias melhores. Mas você não precisa olhar além da câmera para ver como o Google diferenciou seus aparelhos dos concorrentes. Ao contrário do Galaxy Note 8 e do LG V30, o Pixel 2 possui apenas uma câmera traseira, mas ela faz o trabalho de duas, com zoom excelente e retratos espetaculares. E você não precisa pegar o modelo mais caro para ter esses benefícios, como algumas empresas obrigam o usuário a fazer.

Erro: problemas do Pixel

O Pixel 2 XL é um aparelho fantástico, mas seu lançamento não aconteceu sem problemas. Primeiro foram as telas, com alguns usuários reclamando de cores vibrantes, retenção de imagem e uma matiz agressiva de azul. O Google resolveu a questão com um update de software e uma extensão da garantia, mas outros problemas continuaram a aparecer: barulhos estranhos de cliques, reinicialização aleatória do aparelho e má qualidade de gravação de áudio, para citar alguns. Com uma concorrência tão intensa no mercado Android, esses problemas certamente atrapalharam muito o que deveria ter sido um lançamento estelar da empresa.

Acerto: IA e Machine Learning

O Google Assistente tem apenas um ano, mas já é mais inteligente do que a maioria dos adultos. O assistente de IA da gigante aprendeu muitas novas habilidades em 2017, incluindo como fazer ligações e a diferenciar vozes, mas recursos amigáveis ao usuário são apenas parte dos esforços em IA do Google. Machine Learning e Inteligência Artificial foram duas das palavras mais faladas durante a conferência de desenvolvedores do Google em 2017, o I/O, onde a companhia demonstrou uma versão mobile da sua rede neural TensorFlow, que permitirá que uma engine de IA rode no seu smartphone para deixar os apps de IA mais inteligentes, rápidos e seguros. O Google já está muito à frente da Apple e outras empresas com o Assistente.

Erro: Google Home Mini ouvindo mais do que devia

Apesar de existirem benefícios óbvios em smartphones e alto-falantes com IA, também há sérias questões, sendo que a privacidade é a principal delas. E o assunto ganhou as manchetes no ano passado com unidades de preview do Home Mini. Isso porque um jornalista descobriu que o seu Home Mini estava gravando tudo que ele dizia, não importando se ele tinha dito antes as palavras “Ok, Google” – que acionam o assistente da empresa. O Google culpou um problema nos controles touch do aparelho, que ficava sempre apertado e, assim, sempre ouvindo. Depois disso, a companhia desabilitou o botão em todas as unidades do Mini. De qualquer forma, o episódio serve como um lembrete da fina linha ocupada por aparelhos do tipo. 

Acerto: Google Lens

Em 2016, o Google deu uma voz para a sua engine de IA. No ano seguinte, ela ganhou olhos. Embutido no Google Assistente dos aparelhos Pixel (e em breve em mais aparelhos Android), o Google Lens é uma tecnologia nova da gigante que usa a câmera para interagir com o mundo ao seu redor.

Você pode identificar pontos turísticos, receber reviews de restaurantes e escanear endereços, entre outras coisas, ao apenas apontar o seu smartphone para algo. O Lens também consegue identificar coisas em fotos que você já tirou. Então se você esqueceu o nome de uma igreja que visitou na Itália há um ano, por exemplo, o serviço vai te ajudar nisso. O engenheiro-chefe do Google, Rajan Patel, já falou sobre a nova onda de recursos, incluindo compras e Realidade Aumentada. Muito cedo para chamá-lo de o próximo Google Glass?

Erro: Google Pixel Buds

Para desagrado de muita gente, o Google optou por seguir a Apple e retirar o conector de fone de ouvido no Pixel 2. Para compensar, a empresa começou a vender os fones de ouvido Bluetooth Pixel Buds, que custam 160 dólares e vêm com uma case de recarga, bateria de 5 horas, pareamento mais simples e tradução em tempo real para diversos idiomas.

O único problema é que o fone não é muito bom. Após o lançamento, começaram a aparecer reclamações de usuários sobre problemas de conexão e integração com o Google Translate. O que apenas fez muita gente sentir saudades do conector de fone de ouvido.

Acerto: expansão do Google Assistente

Às vezes parece que as guerras de IA vão durar para sempre. Com Siri, Google Assistente, Alexa e Cortana escavando nichos entre suas bases de usuários, parece que seremos segmentados para sempre aos aparelhos em que esses assistentes estão disponíveis. Em 2017, o Google não apenas ampliou o alcance do Assistente no Android ao levá-lo para smartphones Marshmallow e Nougat, mas também lançou um app do Assistente para aparelhos iOS, da rival Apple. É um pequeno passo, claro, mas que abre o Assistente para um conjunto totalmente novo de usuários e coloca ainda um pouco de pressão na Apple para tornar a Siri mais amigável aos usuários Android.

Erro: Android Wear

Houve um tempo em que parecia que o Android Wear seria a plataforma mais presente em smartwatches, oferecendo suporte universal e um ecossistema robusto de aplicativos. Mas após uma série de atrasos com o Android Wear 2.0 em 2016, o Google finalmente lançou uma nova atualização para o software em fevereiro de 2017, juntamente com dois dispositivos desenvolvidos em parceria com a LG. Infelizmente, nenhum desses lançamentos conseguiu ajudar a impulsionar o Android Wear. Os relógios não foram muito bem recebidos, enquanto que o update do sistema levou meses para chegar aos aparelhos de primeira geração, e a maioria das fabricantes não se interessou em lançar modelos novos 2.0. 

Acerto: Family Link

É um fato que as crianças vão usar smartphones antes mesmo de saberem ler e escrever, e limitar o que elas podem ver e por quanto tempo pode ser algo difícil. O Family Link facilita muito na hora de colocar algumas regras nos hábitos dos seus filhos com aparelhos Android. Com uma interface simples e integração cruzada com o iPhone, o serviço do Google dá aos pais controle total sobre os aparelhos Android dos seus filhos, permitindo que escondam apps, configurem limites de tempo, e gerenciem o conteúdo que assistem, tudo a partir do próprio smartphone.

Erro: conteúdos questionáveis no YouTube Kids

O YouTube é um ótimo lugar para se descobrir novos conteúdos ao apenas seguir os links recomendados. E, assim como nós, nossos filhos também adoram passar horas navegando por diferentes clipes. Mas algumas vezes o algoritmo comete erros, e a falta de atenção do Google entregou conteúdos questionáveis para crianças. Muito conteúdo, aliás. Agora a gigante vem tomando medidas para acertar as coisas ao aumentar a equipe e retirar centenas e centenas de vídeos questionáveis do site, mas levou tempo demais para a empresa fazer isso.