A Alexa será o próximo sistema dos dispositivos inteligentes?

Mike Elgan, Computerworld / EUA e Redação
15/01/2018 - 12h30
Após dominar o e-commerce, Amazon também se prepara conquistar o futuro pós-PC e pós-smartphone com a sua assistente digital, como deixou claro na CES 2018.

Há alguns anos, os chatbots deveriam dominar o mercado como a principal maneira para se interagir com a Internet. Eles viveriam em nossos smartphones e aplicativos de mensagens. Sempre que precisássemos de alguma coisa, bastaria digitar uma pergunta. 

Mas as coisas acabaram indo por outro caminho. 

Chatbots, bots, assistentes e agentes virtuais fazem todos parte da chamada Interface de Usuário (UI) conversacional –que consiste basicamente em interagir com um computador por meio de palavras e frases em linguagem natural.

A sabedoria popular era que a “revolução dos chatbots” seria impulsionada por recursos mais complexos, como exemplificado pelos agora defuntos Facebook M e Google Now – enquanto o M sai de cena em 19 de janeiro, o Google Now deixou de ser uma “marca” para virar um recurso no app móvel da gigante.

Em vez disso, os recursos mais bem-sucedidos neste segmento são a interação por voz sem as mãos e a onipresença – justamente as principais forças da plataforma inteligente Alexa, da Amazon. 

O fator Alexa

Há alguns anos, a Alexa era considerada o chatbot ou assistente virtual mais fraco e menos sofisticado do mercado.

(Estranhamente, o MS-DOS e, depois, o Windows, inicialmente tinham reputações similares.)

Apesar de a chamada “representação”, que inclui a habilidade de comprar coisas, já ter sido percebida como um recurso importante para um assistente virtual, está claro até mesmo para a Alexa que comprar coisas é algo secundário.

Segundo um estudo da Experian feito em 2017, menos de um terço dos donos de Echo entrevistados já tinham comprado algum coisa por meio da Alexa. A maioria das tarefas realizadas por eles com a assistente da Amazon envolve programar o despertador, ouvir música, ler notícias e ver a hora – basicamente, as funções mais básicas de um smartphone que ficaram mais convenientes com a interação por voz.

E, mesmo assim, a Amazon ainda está claramente dominando esse segmento. A CES 2018, realizada na última semana em Las Vegas, mostrou que o mercado está seguindo a liderança da empresa de Jeff Bezos. 

A Alexa apareceu na feira de tecnologia dentro de projetores, carros, óculos, chuveiros, máquinas de lavar, fones de ouvido, alto-falantes – e até mesmo em PCs com Windows 10.

A única empresa que está pelo menos perto de acompanhar isso é o Google com o seu Assistente, e isso porque a gigante de buscas está seguindo a fórmula da Alexa.

Veja abaixo a fórmula da Alexa para dominar a categoria dos assistentes virtuais:

-esqueça texto escrito; foque totalmente na interação por voz

-venda uma grande variedade de aparelhos que podem ser usados no dia-a-dia por consumidores comuns

-encoraje e incentive fortemente integrações com terceiros por meio do Alexa Skills Kit

-encoraje a integração com hardwares de terceiros por meio dos Kits de Desenvolvimento para o Alexa Voice Service

-encoraje a adoção nas empresas com o programa Alexa for Business

A fórmula da Alexa implica que não é necessário que um assistente virtual ou chatbot faça tudo, ou que derrote os seus rivais em termos técnicos. O que é importante é ele que esteja disponível instantaneamente em todos os lugares. 

Por que a Amazon é a nova Microsoft

Na última semana, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, tornou-se a pessoa mais rica do mundo, segundo uma lista da Forbes. Nas últimas décadas, esse posto costumava ser ocupado pelo cofundador e ex-CEO da Microsoft, Bill Gates. 

O simbolismo é adequado: foi na CES 2018 que a Amazon tornou-se a nova Microsoft. 

A Microsoft subiu à liderança ao controlar o sistema operacional usado pela maioria das pessoas e empresas. 

A Amazon agora está fazendo algo parecido com a Alexa. Apesar de a Alexa ainda nem estar perto de tornar-se tão importante quando o Windows, está se transformando no sistema do futuro pós-PC e pós-smartphone.

A razão é muito simples, e descrita perfeitamente por Sam Dolnick, que é responsável pelas iniciativas digitais do The New York Times. “Estamos vivendo em um mundo em que o telefone celular é dominando, e o áudio, que não exige seus olhos ou mãos, é o meio mobile derradeiro.”

Dolnick estava fazendo referência aos podcasts, mas a mesma verdade se aplica aos assistente virtuais.

Enquanto hoje em dia nós fazemos o nosso trabalho em laptops e smartphones, no futuro trabalharemos muito mais por meio de assistentes virtuais (e realidade aumentada). Quando isso acontecer, a Amazon já será dona do sistema operacional.