Não resista. Você ainda vestirá uma câmera no seu próprio corpo

Mike Elgan, Computerworld (EUA)
04 de setembro de 2017 - 18h04
E não será para tirar selfies. Dados obtidos através de câmeras vestíveis alimentarão uma série de aplicações habilitadas por inteligência artificial

A InfoTrends diz que pessoas tirarão 1,2 trilhão de fotos digitais neste ano. Isso é 100 bilhões a mais do que no ano passado e quase o dobro do número de imagens tiradas em 2013.

Atualmente, a taxa de crescimento de captura de fotos é de 100 bilhões por ano. Ou seja, a cada ano a humanidade tira mais de 100 bilhões de fotos que no ano anterior. Eu acho que essa taxa está prestes a acelerar. E a razão para isso: câmeras vestíveis. 

À medida que o custo diminui, a qualidade aumenta e a facilidade de uso melhora (através da miniaturização, melhor software e melhores baterias), as chamadas câmeras wearable serão mais atraentes.

Essas mesmas chegarão na forma de câmeras clip-on, câmeras anexas a smartwatches ou mesmo câmeras anexas a óculos, incluindo aí modelos inteligentes.

Há alguns anos, uma primeira geração das chamadas "câmeras de lifelogging" veio e foi. Estas falharam no mercado por duas razões: a tecnologia não estava pronta. E o público tampouco. 

Mas agora, cada vez mais ambos se mostram prontos. A medida que a tecnologia melhora a qualidade das imagens, possibilitando até mesmo vídeos 4K e transmissão de vídeo em tempo real, a sociedade parece se acostumar com as pessoas tirando fotografias o tempo todo. E essas 1,2 trilhões de fotos não estão sendo tiradas em espaços privados. 

Há apenas alguns anos, ninguém poderia prever ou imaginar o que agora é aceitável como comportamento público das pessoas com seus smartphones e suas câmeras. Convenhamos, as pessoas posam para selfies em locais públicos sem nenhum tipo de constrangimento. Elas tiram fotos de seus pratos e bebidas em restaurantes. Elas tiram fotos de si mesmas em espelhos de banheiros. 

E a mudança na aceitação das câmeras vestíveis está mudando ainda mais rápido. Quando o Google lançou o seu programa Google Glass Explorer há quatro anos e meio, a tecnologia foi amplamente criticada pelo público e pela imprensa pela invasão de privacidade ao ter uma câmera usada no rosto.

Mas quando o Snap fez o mesmo no ano passado, ao distribuir o seu Spectacles, com a câmera usada no rosto, a crítica foi silenciada. Bem, o que aconteceu nesses três anos e meio que levaram as câmeras alocadas no rosto de socialmente inaceitável para uma maioria OK?

As câmeras se tornaram onipresentes. A revolução das câmeras-drone aconteceu. A polícia em todos os lugares começou a usar câmeras no corpo. As campainhas ganharam câmeras. E, claro, a qualidade das câmeras nos smartphone está cada vez mais próxima das câmeras DSLR de baixa qualidade. Alguns milhões de nativos de câmeras digitais se tornaram portadores de smartphones. 

De acordo com a InfoTrends, mais de 3,5 trilhões de imagens digitais foram tiradas entre 2013 e 2016. E nesse intervalo de tempo, um grande número de ótimas câmeras vestíveis foram lançadas no mercado. 

A nova geração de câmeras portáteis 

A nova geração de câmeras clip-on se parece com a geração anterior, que se centrou em torno do Clipe Narrativo. Mas suas câmeras, rádios, software e baterias são, em alguns casos, muito melhores.

Estas incluem o 61N, C ompass, FrontRow, SnapCam, MeCam, meMINI, Perfect Memory Camera e Streamcam. Há até uma câmera portátil para crianças chamada Benjamin Button e modelos que podem ser anexos aos seus pulsos, por meio de smartwatches. Sem falar nos óculos inteligentes. 

Mas serão ainda anos até que fotografias tiradas com essa "nova modalidade" de fotografia se tornem tão boas quanto aquelas que tiramos com nossos telefones.

O que tudo bem, porque não são somente as fotografias que irão direcionar a tal revolução de câmeras vestíveis. 

E por que você vai querer vestir uma câmera em primeiro lugar, você pode se perguntar. Bem, a revolução dos computadores pessoais foi levada pelo desejo de aprender a programar, jogar games e afins. Mas a popularização dos mesmos PCs levou à internet, que mudou a forma como nós compartilhamos e acessamos a informação e comunicamos um com os outros. Ninguém pensou que computadores pessoais também seriam uma porta para o Facebook, YouTube e Amazon.com, certo?

A revolução mais recente dos smartphones foi dirigida por aplicações como o email. Mas os aplicativos que hoje se popularizaram mudaram a forma como interagimos com nossos telefones e isso também impactou a forma como usamos nossos computadores. Ninguém pensou que o nostálgico Palm Treo pavimentaria o caminho para o Pandora, Snapchat e Google Maps. 

Do mesmo modo, ao longo do ano que vem, a onipresença dos smartphones permitirá a revolução da realidade aumentada, mista e virtual em dispositivos móveis. E isso impulsará a demanda pela plataforma ideal para realidades combinadas, que são os óculos inteligentes.

Hoje, poucos apreciam a forma como tais óculos baseados em realidade aumentada se tornarão centrais. A parte eletrônica deles será miniaturizada, o que nos leva a crer que, dentro de alguns anos, os óculos inteligentes serão quase idênticos aos óculos de sol comuns. Poderemos escolher óculos inteligentes no consultório do oftalmologista.

Uma questão de dados

Óculos inteligentes usarão tanto as lentes quanto a câmera para coleta de dados. As imagens e o vídeo serão processados ​​para o reconhecimento de objetos e de rostos e esses dados alimentarão aplicativos de realidade aumentada, por exemplo. E eles poderão ser úteis, claro. 

Em vez de tirar fotos de seus pratos em um restaurante, clientes poderão dizer ao seu assistente virtual: "Publique uma foto desta torta que eu comi". O assistente selecionará o vídeo gravado, pegará o melhor frame da torta e irá publicá-lo. Do ponto de vista dos dados, pediremos ao mesmo assistente: "Quantas fatias de torta eu comi no ano passado?"

As câmeras usadas em outras partes do corpo serão menos úteis para a realidade aumentada, mas muito úteis para a inteligência artificial e aplicações de assistente pessoal. Muitas pessoas vão usar os dois.

No final do dia, câmeras vestíveis serão mais sobre realidade aumentada e dados e menos sobre fotografia, e as corporações se tornarão usuários frequentes da tecnologia. 

O cofundador e CEO da Shonin, Sameer Hasan, me contou que as câmeras portáteis serão inicialmente dedicadas ao controle de qualidade e documentação, aplicações médicas e segurança. As câmeras vestíveis ​​permitirão que a realidade aumentada "processe informações de vídeo em tempo real e forneça instantaneamente ao usuário com análises e recomendações com base no que a câmera está vendo", disse Hasan.

O chefe para HoloLens da Microsoft, Alex Kipman, disse até mesmo que os óculos inteligentes, eventualmente, substituirão os smartphones. Completamente.

Para dizer em 2017 que você nunca usará uma câmera vestível é como dizer - em 1987 - que você nunca carregaria um telefone celular.

Em resumo, você vai usar uma câmera vestível. Você pode usar uma até para tirar fotos. Mas você definitivamente usará uma para extrair dados para soluções em inteligência artificial. E você também usará uma para realidade aumentada.