CEO do Google abandona férias para resolver crise de identidade da empresa

Da Redação
08/08/2017 - 13h29
Sundar Pichai diz que decidiu voltar ao trabalho por conta do texto de um funcionário contra a diversidade que fez barulho nos últimos dias.

O CEO do Google, Sundar Pichai, resolveu abandonar as suas férias com a família para resolver um princípio de crise na empresa de Mountain View ocasionado por um manifesto contra a diversidade de um engenheiro da companhia que viralizou no final de semana. 

“Estava em uma viagem relacionada a trabalho pela África e pela Europa nas últimas semanas e tinha acabado de iniciar as férias com a minha família por aqui nesta semana. Decidi voltar amanhã uma vez que claramente há muito mais a ser discutido como um grupo – incluindo como criamos um ambiente mais inclusivo para todos”, afirma o executivo indiano em um e-mail enviado para os funcionários da companhia na noite desta segunda, 7/8.

Na carta, Pichai comenta o texto de 10 páginas do engenheiro sênior de software James Damore, em que o funcionário afirma que os homens são mais predispostos biologicamente do que as mulheres para trabalhar no mercado de tecnologia e critica as iniciativas pró-diversidade da empresa - apesar de muitos funcionários terem criticado o texto, outras pessoas também apoiaram o autor, que chegou a pedir mais "diversidade ideológica" para a empresa. Segundo o Recode, Damore inclusive já foi demitido pela companhia por conta do episódio.

Para Pichai, “muito do que estava no texto pode ser debatido de forma razoável”. No entanto, o CEO da gigante destaca que o engenheiro passou do ponto ao “reforçar estereótipos de gênero perigosos em nosso espaço de trabalho”. “Sugerir que um grupo dos nossos colegas possui características biológicas que os torna menos adequados para esse trabalho é algo ofensivo e não é aceitável”, afirmou o executivo em seu texto, intitulado “Our Words Matter” (“Nossas Palavras Importam”, em tradução livre).

O CEO do Google agora terá um desafio e tanto pela frente: equilibrar o direito de expressão dos funcionários com as diretrizes defendidas pela empresa, que incluem a diversidade. Esse é um dos principais pontos levantados por Pichai, que afirma que o manifesto de Damore viola o código de conduta da empresa. “Isso (sugerir diferenças biológicas como justificativa para desigualdade de gênero) é contrário aos nossos valores básicos e ao nosso Código de Conduta, que espera que ´todo funcionário do Google faça o máximo para criar uma cultura de ambiente de trabalho livre de assédio, intimidação e discriminação’.”