Salários seguem aquecidos no mercado de TI, mas não em todos os setores

Da Redação
13 de junho de 2017 - 16h27
As carreiras ligadas às áreas de software e economia digital tiveram aumento no ano passado

A instabilidade econômica afetou em cheio o bolso dos executivos no Brasil. É o que revela levantamento recente realizado pela Michael Page, empresa do  PageGroup. De acordo com o estudo de Remuneração 2017, oito em cada dez cargos analisados apresentaram remuneração estável ou em queda em relação ao mesmo estudo feito em 2015.

“O cenário para o executivo de média e alta gerência é um pouco diferente daquele verificado há dois anos, quando os funcionários ainda conseguiam negociar melhores ganhos. Com a crise, as empresas foram afetadas e muita gente acabou perdendo o emprego. Para se recolocar, estão tendo que negociar mais e, em muitos casos, com salários 10% a 20% inferiores à última ocupação. Quem ficou, não está conseguindo ter ganhos reais”, revela Ricardo Basaglia, diretor executivo da Michael Page.

Mas o setor de Tecnologia da Informação é um caso à parte. Algumas posições  tiveram incremento salarial devido à forte demanda atual, como segurança da informação, cientista de dados e inteligência de mercado, além das posições de especialistas em desenvolvimento web (iOS, Android) e algumas linguagens (Java, .Net e outras) que se amntiveram aquecidas.

O mercado de e-business, aliás, experimenta uma fase de grande euforia. Tanto que no ano passado a Michael criou uma área específica direcionada apenas em recrutar profissionais com expertise em digital. A instabilidade econômica vivida pelo Brasil não foi impeditiva para que os progressos de negócios em plataformas online se desenvolvessem. Na realidade o cenário é oposto: usar de meios digitais tem sido a principal estratégia de negócios ligados ao varejo para expansão do alcance de suas vendas, bem como uma segunda plataforma de vendas que pode funcionar de maneira mais direcionada ao público-alvo através de promoções ou divulgação direcionada.

Confira alguns salários da área digital nas tabelas abaixo.

MP2017a

MP2017b

MP2017c

MP2017d

MP2017e

MP2017f

“A procura por profissionais que atuam em projetos digitais e detêm a expertise para aplicar estas ferramentas e estratégias que estão em constante evolução cresceu 35% no primeiro semestre de 2016. A economia dos negócios digitais tende a crescer ainda mais, além ganhar parcela significativa no mercado brasileiro. O Brasil está no radar de empresas inovadoras direcionadas pela tecnologia e as companhias tradicionais têm buscado desenvolver com maior arrojo suas atuações nas plataformas digitais para manter seu market share, mesmo neste novo contexto competitivo”, conta Basaglia.

 

salarioalta

Dos 53 cargos listados nessa divisão, é possível apontar alguns destaques. O salário de um head de e-commerce em uma grande empresa, por exemplo, pode chegar a R$ 55 mil. Já um cientista de dados pode chegar a uma remuneração de R$ 45 mil numa companhia de grande porte.

A remuneração média de um gerente de vendas de software em empresa de grande porte passou de R$ 16 mil para R$ 20 mil. Já os diretor es de hardware de empresas de grande porte viram seus rendimentos médios caírem de R$ 32,5 mil para R$ 27,5 mil.

Confira alguns salários da área de TI nas tabelas abaixo.

MP2017TI1

MP2017ti2

MP2017TIc

MP2017TId

Outros fatores que diferenciam os profissionais de TI é o tempo de experiência, a construção de cases de sucesso, o domínio de idiomas e as especializações.

“As principais dicas e informações para profissionais que buscam desenvolver suas carreiras são desenvolver idiomas, incluir cursos que proporcionem uma visão mais estratégica em relação a tecnologia, proatividade em gerar cases de sucesso e resiliência para entender cenários negativos, alta capacidade de trabalhar em equipe ou gerir pessoas, auxiliar no desenvolvimento/coaching da área, dividindo conhecimento, habilidade de comunicação didática para ser um business partner junto às outras áreas, conhecimento de metodologias com Scrum/Agile e principalmente não terceirizar seu desenvolvimento, mas sim procurar sempre estar à frente se capacitando e se desenvolvendo”, enumera Basaglia.

Além do tradicional mapeamento de salários, neste ano a Michael Page entrou em contato com mais de 3 mil profissionais de todo o Brasil para entender quais são suas reais impressões sobre o mercado atual. A empresa procurou saber como os profissionais enxergam sua carreira, a posição do empregador no seu desenvolvimento profissional e outros fatores que completam a remuneração.

O setor de tecnologia emprega atualmente cerca de 1,3 milhão de profissionais no Brasil. De acordo com a estimativa feita pela indústria de software e serviços, nos próximos quatro anos o país vai precisar de 750 mil profissionais para a área, dado que confirma a grande movimentação no mercado de trabalho brasileiro.