Blockchain e IA são prioridades dos bancos em 2017, diz Febraban

Erivelto Tadeu
08 de junho de 2017 - 17h47
Segundo o diretor Gustavo Fosse, as duas tecnologias devem ganhar cada vez mais peso no plano investimento das instituições financeiras a partir deste ano

A experiência do cliente e a transformação digital entraram de vez na agenda dos bancos e empresas de serviços financeiros e devem ganhar cada vez mais peso no plano investimento dessas instituições a partir deste ano. Nesse cenário, duas tecnologias em particular encabeçam a lista de prioridades: blockchain e inteligência artificial (IA).

De acordo com a pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2017, 65% dos executivos do setor no Brasil disseram que suas instituições estudam implementar blockchain e 29% já avaliam experiências analytics e computação cognitiva ou IA. O avanço dessas análises de utilização pelos bancos para a implementação, já neste ano, de analytics, big data e computação cognitiva.

O diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban, Gustavo Fosse, observa que a IA já vem sendo empregada por alguns bancos no atendimento e interação com os clientes, através de chatbots. O próximo passo, segundo ele, será levar a tecnologia para outras aplicações, tais como para análise de risco e concessão de crédito. “A IA ainda é usada em pequena escala pelos bancos, mas a partir de 2018 o emprego dessa tecnologia deve se acelerar”, avalia.

Outras tecnologias que terão destaque segundo a pesquisa da Febraban são big data, Near Field Communication (NFC) e IoT. Mas, entre todas, a deve ganhar terreno entre os bancos é o blockchain. Segundo Fosse, o potencial do blockchain e a rapidez com que testes estão sendo desenvolvidos mundo afora colocam essa tecnologia disruptiva entre as prioridades dos bancos, inclusive no Brasil.

Um indicativo disso é que, em agosto do ano passado, a Febraban criou o Grupo de Trabalho Blockchain, composto por membros da Comissão Executiva de Tecnologia e Automação Bancária (CNAB) — Banco do Brasil, Bancoob, Banrisul, Bradesco, BTG Pactual, Caixa, Citibank, Itaú Unibanco, JP Morgan, Safra e Santander, além do Banco Central, da CIP e da B3, nova empresa decorrente da fusão da BM&FBOVESPA e Cetip.   

De acordo com Fosse, o grupo desenvolveu duas provas de conceito para testar diferentes plataformas com base em um produto fictício: um cadastro de cliente com capacidade de compartilhamento entre diferentes instituições e atualização em tempo real. Na opinião dele, tudo que pode ter interoperabilidade para melhorar os serviços financeiros comparta o uso de blockchain. Como exemplo, Fosse cita a possibilidade de criação de um cadastro único de biometria, projeto, no entanto, que ainda está em estudo. Segundo o executivo, o emprego da tecnologia só não é maior porque ela não é escalável em termos de volume operacional que os bancos têm.