ISOC faz alerta: não seja deixado para trás pela implantação do IPv6

Da Redação, com IDG News Service
06 de junho de 2017 - 14h29
As redes empresariais estão atrasadas na adoção do novo protocolo, diz estudo da Internet Society

A implantação do IPv6 está aumentando em todo o mundo, com mais de 9 milhões de nomes de domínio e 23% de todas as redes, afirma a edição 2017 do relatório sobre o "Estado de Implementação do Ipv6" da Internet Society. Mas, curiosamente, a maior resistência à mudança está no setor empresarial. Mesmo considerando que a Internet das Coisas será uma área de adoção maciça do novo protocolo.

Segundo o estudo, um grande freio na implantação do IPv6 - ou qualquer coisa nova, para esse assunto - é a base instalada.

"Os CIOs estiveram executando o IPv4 por 20, 30 anos,e eles têm algo que funciona. Sua inclinação tende a ser dizer, se continua funcionando bem, por que mexer nisso?" comenta Fred Baker, consultor da Internet Society e autor do relatório.

O maior desafio na implantação do IPv6 é a percepção comum de que o IPv6 não oferece nenhum benefício adicional ao IPv4. 

Na verdade, a maioria das empresas desconhece as vantagens que o IPv6 aporta para as corporações, especialmente em relação ao desempenho da rede. O Facebook descobriu que o IPv6 é, em média, 15 por cento mais rápido do que IPv4 em redes móveis dos EUA, e de acordo com o Centro de Informações de Rede da Ásia-Pacífico (APNIC), o IPv6 parece ter um desempenho melhor que o IPv4 em muitas aplicação Internet.

Isso tende a ficar mais evidente à medida que a implantação do IPv6 aumenta. O ponto de inflexão no qual o tráfego IPv4 será tunelado no IPv6 está se aproximando. Passado esse ponto, a vantagem de desempenho do IPv6 em relação ao IPv4 só tenderá aumentar.

IPv6

Entre os motivos para a implantação do IPv6, dois chamam atenção: nas palavras de T-Mobile,  é possível "poupar dinheiro e tornar a rede simples". Isso exige uma disposição da empresa para pensar mais adiante do que no próximo trimestre e investir no curto prazo para reduzir os custos operacionais e de capital a longo prazo.

Existem problemas práticos, mas eles são gerenciáveis. Por exemplo, a interação com vários firewalls pode ser um problema quando o design do firewall exige roteamento simétrico. A resolução disso depende, em grande parte, do planejamento de endereços. As partes de uma empresa que usam um determinado  firewall precisam ter endereços no intervalo que o firewall anuncia externamente no roteamento, para atrair o tráfego de retorno. 

Também existem desafios contínuos com reputação de e-mail e IPv6. Mas a a migração vale o tempo investido na resolução deles, diz o relatório.

Adoção
Embora seja praticamente invisível para destinatários finais, o novo protocolo já faz as redes dos provedores de serviço rodarem melhor e pode acelerar suas conexões. Todos os novos smartphones já são capazes de ler IPv6, bem como alguns gateways de banda larga. 

O Google, o LinkedIn , o Akamai , o Netflix e o Facebook  estão ativamente implantando o IPv6 em suas redes e conectando-se aos usuários do IPv6. Um ponto interessante é que informam que a entrega de seus serviços usando o IPv6 parece melhorar a experiência do usuário em termos de tempos de download.

Em 37 países, o IPv6 é usado para mais de 5% do tráfego na internet, de acordo com o Google, que baseia sua estimativa no tráfego atingindo seus equilibradores de carga. 

GoogleIPv6

A APNIC e a Akamai também relatam números semelhantes de países que acessam seus serviços usando IPv6.

O roteamento IPv6 é suportado em todos os principais protocolos hoje, incluindo BGP ,OSPFv3 , IS-IS e EIGRP da Cisco . 

E a Apple agora exige que todas as aplicações submetidas à App Store ofereçam suporte à rede IPv6 .

Recomedação
Ok, a implantação do IPv6 não é um processo trivial. "A primeira coisa que as empresas têm a fazer é pensar sobre o hardware, o software, e quais aplicativos eles têm, e se são compatíveis com o IPv6?", diz Baker.  A substituição de algumas dessas peças pode vir a ser uma questão orçamentária difícil de resolver, no curto prazo. Mas é preciso mantê-la no radar. 

A partir deste inventário, compre apenas equipamentos de TI (computadores, telefones voIP, celulares, tablets, impressoras, roteadores, etc) com suporte a IPv6. O mesmo vale para compra ou desenvolvimento de softwares e para serviços (como o de conexão à Internet, ou de VPNs entre seus escritórios).

Os dispositivos de rede mais antigos são os que provavelmente precisarão ser substituídos primeiro. É provável que já estejam causando dores de cabeça aos gerentes de rede, não relacionadas ao IPv6.  Isso pode ser suficiente para empurrar a empresa para uma migração.

Optando por comprar ou contratar tudo com IPv6, você garante que seu parque tecnológico estará completamente apto a trabalhar com o novo protocolo em poucos anos.

A implantação do IPv6 não precisa ser feita de uma só vez. O mais urgente é habilitá-lo nos serviços de sua empresa expostos na Internet. Por exemplo, no seu servidor web. Outros serviços, como email, ftp, ou DNS podem também se enquadrar nessa categoria. Ou seja, se preocupe primeiro com serviços acessados por seus clientes e parceiros externos. Estabeleça um cronograma para implantar IPv6 com urgência em seu site web e nesses outros serviços, para evitar problemas de conectividade.

A rede corporativa em si, seus desktops, impressoras, servidores de arquivos, ERP, CRM, etc, podem continuar usando IPv4 pelo tempo que for necessário, sem muitos problemas. Mas haverá um tempo que tanta coisa usará IPv6, que o que ainda depender do IPv4 começará a atrapalhar... Estabeleça um cronograma para implantar IPv6 paulatinamente no restante da sua rede corporativa, gastando o mínimo possível.

A parte mais difícil de qualquer jornada é, proverbialmente, o primeiro passo, e não tomar esse passo apenas atrasa a dor e os custos envolvidos.