As diferentes formas de lidar com a igualdade de salários nas empresas de TI

Sharon Florentine, CIO (EUA)
13 de abril de 2017 - 11h29
Enquanto Salesforce avança no pagamento igualitário entre homens e mulheres, Google é investigado pelo Departamento do Trabalho nos EUA por discrepâncias entre salários

Nos Estados Unidos, o dia 4 de abril marca o "Equal Pay Day", na tradução livre o Dia do Pagamento Igualitário. A data tem como objetivo lembrar os esforços de mulheres para receberem os mesmos salários e compensações que seus colegas homens.

Entretanto, a diferença de salários ainda persiste e mesmo sendo relativamente menor no mercado de tecnologia, companhias no Vale do Silício estão se debatendo para lidar com a questão em diferentes formas. Dois dos exemplos mais extremos são a Salesforce e Google, que fizeram manchetes relativas à diferença salarial na semana passada por razões inteiramente diferentes.

A Salesforce anunciou que gastaria um adicional de US$ 3 milhões para equilibrar os salários para cerca de 25 mil funcionários mundo afora. 

Como a CNN reporta, a Salesforce "examinou os salários no ano passado, comparando pessoas com posições semelhantes e ajustando-os por localização, depois corrigiu as 'diferenças inexplicáveis' entre homens e mulheres. Como resultado, 6% dos funcionários tiveram aumento de salário. Tanto homem e mulheres receberam aumentos". 

A pesquisa deste ano incluía fatores como raça e etnia, e resultou em um adicional de 11% dos funcionários da Salesforce recebendo aumento para equilibrar os salários.

 O CEO da Salesforce, Marc Benioff, repetidamente disse que é "tão fácil" eliminar a lacuna nos pagamentos usando software de gerenciamento de recursos humanos "como apertar um botão, cada CEO no mundo consegue saber exatamente a discrepância de salários entre homens e mulheres", disse Benioff em entrevista. 

Mas aparentemente isso não é assim tão fácil para algumas companhias. Na semana passada, o Departamento do Trabalho nos Estados Unidos acusou o Google de violar uma lei federal baseada em informação mostrando discrepâncias sistemáticas entre salários dentro da companhia, como reportou o The Guardian. 

O jornal cita o depoimento de Janette Wipper, diretora do Departamento Regional de Trabalho: "Nós encontramos disparidades de compensação sistêmica contra as mulheres praticamente em toda a força de trabalho". 

Na última sexta-feira, Janet Herold, solicitante regional do Departamento de Trabalho, disse ao Guardian que "a investigação não está concluída, mas a essa altura o departamento recebeu evidências de discriminações significativas contra mulheres nas posições mais comuns nos escritórios do Google. A análise do governo a essa altura indica que a discriminação contra mulheres no Google é bastante extrema, até mesmo quando comparada a toda indústria". 

Isso quer dizer que em uma indústria marcada com misoginia e assédio, quando o assunto é igualdade de salários, o Google está entre as piores. 

É triste e perturbador que a igualdade de salários ainda esteja longe do alcance das mulheres em 2017. O fato de que companhias como o Google reivindicam publicamente que elas estão comprometidas com a igualdade de pagamentos e representatividade quando são reportadas de fazerem o contrário, bem, soa como uma hipocrisia. 

E se, bem, a Salesforce consegue fazer de forma "tão fácil quanto apertar um botão", por que o Google não consegue ou qualquer outra companhia? Ou talvez uma pergunta melhor a ser feita aqui: elas, de fato, farão?