Dona do Google quer que seu processo contra o Uber seja público

Da Redação
11/04/2017 - 18h12
Empresa se mostrou contrária ao pedido do Uber para levar o caso para a arbitragem, onde permaneceria privado.

A Alphabet, dona do Google, quer que o seu processo contra o Uber tenha continuidade de forma pública. Para isso, a gigante entrou com um pedido contra a ação do Uber pedindo para que o caso fosse para arbitragem, o que o manteria privado.

 

No documento, a Waymo, subsidiária da Alphabet para carros sem motorista, diz que “não consentiu com a arbitragem na disputa com o Uber”. 

 

Depois, a companhia continua, dizendo que “não pode ser coagida para a arbitragem simplesmente porque os segredos comerciais roubados pela Uber e que a Uber vem usando em seus carros autônomos vêm de ex-funcionários da Waymo. Essa não é a lei”.

 

Entenda o caso

Em 23 de fevereiro, a Alphabet a entrou com uma ação contra o Uber e sua startup Otto, companhia que desenvolve caminhões autônomos - alegando que ambas estavam usando propriedade intelectual roubada da Waymo.


Ao levantar a tecnologia, o Uber supostamente construiu seu próprio sistema LiDAR (Light Detection and Ranging)  dentro de nove meses, quando a Waymo vinha desenvolvendo a tecnologia há quase sete anos, alegou a empresa.


“A concorrência leal estimula a inovação tecnológica, mas o que aconteceu aqui não é uma concorrência justa”, diz a Waymo no processo. 

A Otto, comprada pelo Uber no ano passado, foi cofundada por um ex-funcionário da Waymo chamado Anthony Levandowski, que agora lidera a divisão de carros sem motorista do Uber.


No entanto, antes de sair, Levandowski teria baixado "mais de 14.000 arquivos de design altamente confidenciais e proprietários" de sua antiga empresa em dezembro de 2015, segundo afirma a Waymo.


Entre os arquivos estavam os projetos para o sistema LiDAR da Waymo e placa de circuito, que é uma tecnologia-chave que ajuda os carros autônomos a mapearem seus arredores.


A Waymo descobriu mais tarde a partir de um fornecedor que a própria placa de circuito LiDAR do Uber "tinha uma semelhança impressionante" com a sua. Outros ex-funcionários da Waymo que partiram para o Uber e Otto também foram encontrados baixando arquivos sensíveis, alegou a companhia da Alphabet.


"Acreditamos que essas ações foram parte de um plano orquestrado para roubar os segredos comerciais e a propriedade intelectual da Waymo", disse a empresa em um post explicando o processo.


O Uber respondeu às acusações na época, dizendo que "levamos a sério as alegações feitas contra os funcionários da Otto e do Uber e vamos rever esse assunto com cuidado".


A ação de Waymo também alegou que o Uber está infringindo suas patentes. A empresa está buscando uma soma não divulgada em danos e uma injunção contra o Uber, impedindo-a de praticar outros atos de concorrência desleal.


"Centenas de engenheiros da Waymo gastaram milhares de horas, e nossa empresa investiu milhões de dólares, para projetar um sistema LiDAR altamente especializado e único", ressaltou a Waymo.