Google está pronta para brigar de verdade pelo mercado corporativo

Silvia Bassi*
09 de março de 2017 - 12h15
Grandes clientes, parcerias estratégicas e tecnologia. Na conferência Google Cloud NEXT 2017 a empresa prova que fez, muito bem, a lição de casa

Que se preparem Amazon, Microsoft e IBM, porque a briga agora esquentou. Em um evento com mais de 10 mil pessoas em San Francisco (Califórnia) a Google mostrou que passou o último ano fazendo, e muito bem, sua lição de casa e que está preparada para brigar a sério pelo mercado corporativo de nuvem com a Google Cloud Platform (GCP).

Nesta quarta-feira (08/03),  primeiro dia da conferência Google Cloud Next 2017, Diane Greene, vice-presidente sênior da Google Cloud, juntou no palco grandes clientes (HSBC, Disney, eBay, Colgate-Palmolive, Verizon, HomeDepot); parceiros estratégicos de peso (SAP) e alta tecnologia, provando que tem resultados concretos para convencer os CIOs a acelerar sua jornada para a nuvem, de preferência por meio da Google Cloud e da G Suite.

Na véspera, a companhia já tinha feito vários anúncios estratégicos delineando sua nova política de preços, a lista de parceiros de tecnologia e canal, plataformas de treinamento e de desenvolvimento. E materializou tudo isso nos três andares do Moscone Center, em San Francisco, com estandes e salas para apresentações e certificações.

Foco no cliente

Diane Greene é hoje a mulher mais poderosa da nuvem da Google e a responsável por fazer do Google Cloud um negócio de fato, com foco no cliente corporativo e com todas as peças típicas de uma operação B2B no lugar certo. "Diane é uma desbravadora da tecnologia da computação", saudou Sundar Pichai, CEO da Google, em uma breve aparição no palco da NEXT 2017, suficiente para provar que a executiva, que entrou na Google no final de 2015, tem o endosso da companhia para avançar.

A Google não era até pouco tempo considerada uma empresa com foco no mercado corporativo. A estratégia de nuvem da companhia precisa ser olhada antes e depois de Diane Greene. A executiva, que é co-fundadora da VMware, foi instrumental para reunir as peças de alta tecnologia que a Google já possuía (backbone, infraestrutura e engenharia), combiná-las com as parcerias e políticas estratégicas de mercado e fazer disso tudo uma oferta consistente para o mercado corporativo.

No ano passado, o Gartner colocava a Google na categoria "estágio rudimentar" de interação com clientes corporativos no seu Quadrante Mágico de cloud computing. Nesta quarta-feira, o vice-presidente de pesquisas do Gartner, David Mitchell Smith, disse por email à Computerworld que a diferença desse ano para o Google é "como mudar da noite para o dia".

A tecnologia na equação

De fato, os casos de clientes apresentados sinalizam confiança na tecnologia. A Colgate-Palmolive migrou 28 mil funcionários para o conjunto de aplicativos de produtividade G Suite, no ano passado, e passou 23 mil funcionários para a nuvem em um final de semana. A Verizon planeja liberar 115 mil instalações de G Suite este ano.

Disney, eBay, Home Depot e HSBC destacaram o uso que fazem dos serviços da plataforma de cloud da Google para empoderar seus negócios. No caso da Home Depot, por exemplo, que transferiu uma porção importante de sua operação de ecommerce para a infraestrutura da Google Cloud Platform, o sucesso foi medido durante o pico de acessos e vendas da Black Friday e da Cyber Monday, que rodaram sem falhas, segundo o vice-presidente senior de tecnologia da informação, Paul Gaffney.

"A cloud computing é uma tecnologia de transformação. E eu acredito que a nuvem com a melhor tecnologia é a melhor nuvem", diz Diane Greene. Para a executiva, as empresas agora olham para a nuvem não apenas como uma forma de solucionar falta de espaço de armazenamento e sim como uma plataforma para a qual vão mover suas aplicações de missão crítica e seus dados para, usando ferramentas de analytics e machine learning, transformar os negócios e sua capacidade de decisão.

Nesse momento, a Google está tratando de acenar para os CIOs com uma solução bem atraente para o primeiro desafio de migração para uma infraestrutura de nuvem: a confiabilidade da plataforma e a velocidade da migração. "Vão para a nuvem agora", diz Eric Schmidt, presidente da Alphabet, "e vocês poderão se planejar para ter sucesso global e expansão infinita".

Schmidt falou durante a abertura da NEXT 2017 acenando para a audiência com exemplos da confiabilidade da Google em hospedar e aguentar gigantescas cargas de acesso e transações ao citar dois clientes emblemáticos da área de tecnologia: a Niantic, dona do PokémonGO, e a Snap, dona do Snapchat.

Velocidade

"Nós podemos lhes oferecer as duas coisas: grande nuvem e grande tecnologia na nuvem", disse Schmitd. Para as empresas que ainda relutam em pensar cloud, o executivo acena primeiro com a economia: "mova para a infraestrutura de nuvem e pense que é mais barato e que essa economia deixa dinheiro para fazer as inovações que você precisa". 

Mas tanto Greene quanto Schmdit mostraram que a Google está de olho no que vem depois da infraestrutura, que é o tipo de aplicações que podem ser desenvolvidas com os dados, em big data, analytics e machine learning, para decisões de negócios. "É nessa hora que você deixa de programar para fazer aplicações que mudam a forma de resolver problemas. Isso nós da Google podemos fazer com você. Temos engenheiros, infraestrutura e tecnologia", disse Schmidt.

"Estamos olhando os projetos de conversão para a nuvem em meses, porque o tempo é tudo. Se você tem containers, ou se tem hadoop, nós fazemos. Fizemos um investimento gigante para ajudar você a escalar seus negócios. E eu sei que foi muito dinheiro porque eu aprovei", brincou o executivo.

* A jornalista Silvia Bassi viajou para San Francisco a convite da Google