Divisão Q, da IBM, inclui computador quântico de 50 qubits

Da Redação, com IDG News Service
06/03/2017 - 13h51
Com o IBM Q empresa diz estar pronta para transformar a computação quântica em um negócio real

Personagens chamados de Q no cinema e na TV foram retratados como sendo excepcionais. Nos filmes de James Bond, Q era o integrante do MI-6, o serviço de inteligência britânico, responsável pela produção das armas e gadgets futuristas. Já em Star Trek, Q era a entidade onipotente, com poderes ilimitados.

Um novo programa de computação quântica chamado Q, da IBM será notável por seus próprios méritos. Em poucos anos, a IBM planeja criar um computador quântico com mais de 50 qubits, o que deve empurrar os computadores convencionais para um pouco mais perto do lixo.

O programa IBM Q fornecerá consultoria e serviços de computação quântica aos usuários, em um modelo muito parecido com o Watson.  Mas em vez de usar computadores convencionais, como o Watson, o Q usará computadores quânticos.

O computador quântico de 50 qubits será 10 vezes maior do que um sistema de 5 qubits já instalado pela IBM. E o novo sistema será capaz de fazer coisas que computadores convencionais não podem fazer, incluindo descobertas científicas, disse a IBM.

Os computadores quânticos são radicalmente diferentes dos PCs convencionais e podem, em última instância, substituir os PCs e servidores atuais. Eles oferecem uma maneira de superar os limites da computação clássica.

A IBM está construindo computadores quânticos mais rápidos para mostrar que esses sistemas não são sonhos teóricos. O objetivo final da empresa é construir um computador quântico universal com milhares de qubits para executar uma ampla gama de tarefas de computação.

O computador quântico de 50 bits tem poder suficiente para desenvolver algoritmos e começar a resolver alguns problemas reais, disse Scott Crowder, vice-presidente e diretor de tecnologia da computação quântica da IBM Systems.

Computadores mais rápidos também ajudarão a descobrir novos usos para computadores quânticos que antes inexplorados, disse Crowder.

Os computadores quânticos são bons em resolver problemas em áreas como a descoberta de fármacos e estruturas moleculares, onde ângulos diferentes a um problema específico, incluindo aqueles que não são óbvios, precisam ser levados em conta, disse Crowder.

É difícil lidar com tarefas como esses usando os PCs e os servidores atuais devido à quantidade de poder de computação necessária. Os computadores de hoje são bons processar grandes conjuntos de dados e encontrar respostas dentro deles, disse Crowder. Mas para análises moleculares, ainda deixam a desejar.

Parece um pouco cedo para a IBM lançar um serviço comercial de computação quântica. Mas a resposta ao seu computador quântico de 5 qubits foi incrível, desde que foi lançado em maio passado. Tem hoje cerca de 40 mil usuário, mais de 200 mil experimentos e 15 trabalhos de pesquisa escritos, disse Jerry Chow, gerente do grupo experimental de computação quântica da IBM .

Esse computador quântico pavimentou o caminho para a expansão do programa IBM Q. Os computadores quânticos maiores que estão sendo construídos serão hospedados pela IBM, dado que as máquinas requerem gabinetes especiais e mecanismos de resfriamento. A empresa trabalhará com os primeiros parceiros da indústria para ajudar a construir os casos de uso de aplicativos e a ciência para estabilizar os computadores.

O atual computador quântico de 5 bits da IBM está sendo oferecido através da nuvem pública como parte de um programa chamado Quantum Experience, que permanecerá disponível gratuitamente.

Construir computadores quânticos tem sido um grande desafio, em parte porque os sistemas são altamente instáveis. Os computadores de hoje armazenam bits na forma de zero ou um. O qubit pode ser um, zero ou os dois ao mesmo tempo. Esta técnica é chamada de superposição e dá aos computadores quânticos a capacidade de aumentar consideravelmente o poder de processamento sobre as formas tradicionais de computação.

Mas qubits podem ser notoriamente frágeis e podem sofrer interferências de algo tão simples como a radiação eletromagnética, que poderia destruir os ciclos computacionais. Os computadores quânticos precisam ser estabilizados para que possam ser usados ​​para tarefas como o seqüenciamento do genoma.

Pesquisadores da IBM vêm trabalhando nos problemas relacionados ao tratamento de qubits, e o computador quântico provará seu sucesso, disseram autoridades da empresa. O foco para os computadores quânticos de 50 bits será torná-los estáveis, incluindo conectividade entre qubits, bem como correção de erros.

Além da IBM, os computadores quânticos também estão sendo desenvolvidos pela Intel e pela Microsoft, que está baseando sua pesquisa em uma partícula que existe apenas em teoria. A D-Wave oferece um computador quântico de US $ 15 milhões e 2 mil qubits chamado 2000Q, que será oferecido via nuvem.

A IBM também desenvolveu um novo tipo de computador baseado em chips inspirados no cérebro como o seu processador experimental TrueNorth. O NS16e percorreu um longo caminho e também poderia ser finalmente oferecido através de um programa especializado. Esses computadores são projetados mais para tarefas como a aprendizagem de máquina.

A IBM também oferecerá SDKs (kits de desenvolvimento de software) e APIs (interfaces de programação de aplicativos) para que o código escrito usando interfaces de programação populares possam ser exportado para computadores quânticos.