Segurança é parte crucial da transformação digital, defende Michael Dell

Erivelto Tadeu, Computerworld*
16/02/2017 - 10h07
Segundo fundador da companhia, há hoje uma sede pela transformação digital em vários setores, mas enfatiza que as empresas têm de adotar mudança com segurança

Ao falar das oportunidades para as empresas trazidas pelas inovações tecnológicas, o CEO da Dell Technologies, Michael Dell, destacou a importância da segurança da informação. Durante palestra na abertura da RSA Conference 2017, conferência anual sobre segurança cibernética que acontece esta semana em San Francisco, na Califórnia, Dell disse que a "a transformação digital é real, mas tem que ser feita com segurança".

A RSA, que passou a pertencer à Dell no ano passado como parte da compra da EMC, é um pilar importante da "estratégia de federação" mantida pela companhia com a aquisição, a qual inclui ainda a Pivotal, joint venture formada pela EMC e VMware que atua como fornecedora de serviços, software e soluções de TI; a VCE, fornecedora de infraestrutura convergente; e a Virtustream, empresa de computação em nuvem. No caso específico da RSA, foram feitas algumas integrações de produtos ao portfólio da Dell, embora a empresa continue atuando de forma independente.

Segundo Michael Dell, "há hoje uma sede real pela transformação digital em vários setores da economia, que estão investindo [nesse conceito]". E ressaltou o potencial que inovações podem trazer para a transformação digital de setores como saúde, educação, manufatura e outros. “Isso forçará muitas empresas a procurar tecnologias de segurança para fazer as mudanças de forma segura”, disse.

A explicação de Dell para o crescimento da demanda é que as tecnologias de segurança passaram a ter grande importância para CEOs e conselhos de administração, tornando-se uma "questão de alta preocupação". No entanto, ele ressaltou que não é uma questão de tecnologia, mas de risco para o negócio. "Nós realmente sentimos que estamos permitindo esta próxima onda de progresso humano e para mim isso é incrivelmente excitante", disse.

Dell explicou que a RSA oferece soluções para empresas que querem construir seus centros de operações de segurança (SOCs), mas citou também a Dell SecureWorks, mais focada na prestação de serviços a organizações que já possuem seu próprio SOC, bem como à prestação de serviços gerenciados de segurança. Ele destacou ainda a importância da NSX, plataforma de virtualização de rede da VMware, que, além da eficiência operacional da rede, oferece segurança, principalmente para organizações que precisam de um data center mais seguro com microssegmentação. Além disso, a Dell tem a plataforma de proteção de dados que fornece criptografia para dados. "Temos um amplo conjunto de recursos do data center para o cliente para produtos e serviços de segurança que permite aos clientes de todos os tamanhos certificar-se de que seus dados mais valiosos são protegidos", disse.

Caos na cibersegurança

Dell fez sua exposição após Zulfikar Ramzan, CTO da RSA, convidado surpresa no keynote que abriu a conferência. O especialista enfatizou a necessidade de segurança orientada aos negócios e os desafios e oportunidades diante do caos atual. Como um exemplo desse caos, Ramzan citou a eleição presidencial de 2016 dos Estados Unidos, em que o FBI culpou diretamente serviços de inteligência da Rússia de interferirem no pleito. Segundo a polícia federal americana, códigos de computador nocivos que teriam sido usados em uma ampla campanha de invasões cibernéticas.

"Mudou o curso da eleição presidencial nos EUA? Quem sabe, mas isso mudou o discurso que se seguiu. Foi notícia de primeira página de grandes jornais e abalou os fundamentos da democracia. Demonstrou que nosso problema não se limita a ciberataques. Mais que isso, é a cauda longa que o caos cria."

Ramzan defendeu o desenvolvimento de um projeto ambicioso entre empresas, governos e órgãos de segurança. “Eles precisam estar do mesmo lado da sala", disse. "É importante inovar, avançar e desenhar linhas que se conectam, não linhas que separam".

Segundo o especialista, as empresas precisam de líderes de segurança orientados aos negócios. E dá três recomendações para os profissionais navegar nesse caos e aproveitar essa situação para o crescimento na carreira. "No caos, encontramos oportunidades incríveis para se adaptar, aprender e crescer", explicou Ramzan.

O primeiro conselho dado por ele é que se lide com o risco como uma ciência e não como uma arte obscura. Para isso, diz que é preciso questionar o famoso “e se” para construir possíveis cenários do caos. A segunda orientação é simplificar o que precisa ser controlado. Ele comentou que recentemente esteve em uma empresa que contava com 84 sistemas de segurança de fornecedores diferentes. “Como é possível gerenciar esse universo?”, questionou. Por isso, recomenda que haja uma consolidação dos fornecedores.

Por fim, o CTO diz que é preciso se planejar para o caos. Segundo ele, num cenário de caos é preciso unir forças e colocar em prática o que ele batizou de ABC, do inglês availability (disponibilidade), budget (orçamento) e collaboration (colaboração). Razam diz que seu objetivo pessoal é "tornar o mundo mais seguro através da tecnologia". "Vindo para RSA isso me deu mais esperança — pude me conectar e aprender com pessoas incríveis que estão enfrentando alguns dos desafios mais importantes do nosso tempo."

*O jornalista viajou aos EUA a convite da RSA.