Aspectos positivos da IA superam os negativos, diz Eric Schmidt

Erivelto Tadeu, Computerworld*
16/02/2017 - 15h52
O CEO da Alphabet, holding do Google, diz que eventuais ameaças de robôs e inteligência artificial são questões filosóficas importantes, mas que nós não estamos enfrentando agora

Eric Schmidt, CEO da Alphabet, holding do Google, admitiu nesta quarta-feira, 15, durante painel na RSA Conference 2017, que acontece esta semana em San Francisco, na Califórnia, que subestimou a inteligência artificial (IA) no período que comandou o gigante das buscas. Bastante cético à epoca em relação à viabilidade da tecnologia, ele hoje reconhece a IA como vital não só para a economia global como para a própria empresa.

Ele disse que naquela época a pesquisa sobre inteligência artificial enfrentou vários obstáculos, o que inibiu o seu desenvolvimento. "Não pensei que a tecnologia de aprendizado de máquina iria deslanchar", disse. Schmidt observa, porém, que ainda estamos engatinhando no que diz respeito a ter um sistema de IA com as características da mente humana. Na avaliação dele, a inteligência artificial imitando a elasticidade do pensamento humano ainda talvez leve décadas. Mas ele diz ter se tornado mais otimista sobre as perspectivas da tecnologia nos últimos anos.

O momento que mudou a sua visão, disse ele, foi o sucesso de experimento envolvendo redes neurais em 2012. "Você acha que teria sido a descoberta básica da teoria dos conjuntos", disse Schmidt, referindo-se a um princípio da matemática. "Em vez disso, foi a descoberta de reconhecimento de gatos no YouTube."

Ele se refere ao projeto desenvolvido por cientistas do Google e da Universidade de Stanford, nos EUA, que usaram uma rede de 16 mil processadores — instalados em mil computadores — para criar um software capaz de aprender sozinho a identificar rostos, corpos humanos e gatos em imagens retiradas de vídeos do YouTube.

Durante três dias, as máquinas foram treinadas através do processamento de dez milhões de imagens estáticas retiradas aleatoriamente de vídeos do YouTube. A rede de computadores usada na experiência foi concebida para imitar uma rede neuronal, embora com apenas mil milhões de ligações, um número várias ordens de grandeza inferior às ligações entre neurônios no cérebro humano. O resultado — a capacidade de distinguir os gatos — ajudou a despertar o interesse no domínio da aprendizagem profunda.

Em relação a cenários apocalípticos, como uma revolta de robôs, Schmidt mantém a mesma opinião que tinha no passado. "Estas são questões filosóficas importantes, mas que nós não estamos enfrentando agora”, disse. Segundo ele, os aspectos positivos da IA superam os negativos. "Aposto minha reputação que isso será a narrativa real nos próximos cinco anos."

*O jornalista viajou aos EUA a convite da RSA.