UE acusa Facebook de dar informações falsas sobre compra do WhatsApp

PC World / EUA
20 de dezembro de 2016 - 12h35
Segundo Comissão Europeia, rede social afirmou em 2014 que não seria possível automatizar conexão de contas do Facebook e WhatsApp de maneira confiável.

O Facebook enganou os reguladores da União Europeia sobre sua compra do WhatsApp em 2014, afirmou a comissária europeia para concorrência, Margrethe Vestager, nesta semana.

Em discussão está a recente conexão das contas de usuários do Facebook e do WhatsApp, algo que a empresa disse anteriormente à Comissão que não conseguiria automatizar de maneira confiável.

Anunciada em fevereiro de 2014, a aquisição foi aprovada pela UE em outubro daquele ano e foi completada alguns dias depois disso.

Mas agora a Comissão Europeia enviou ao Facebook um “comunicado de oposições”, alegando que a rede social lhe forneceu “informações incorretas ou enganosas” durante sua investigação antitruste da fusão.

Vale notar que não há riscos de a Comissão Europeia voltar atrás em sua aprovação do negócio. Esse caso está apenas relacionado sobre o Facebook ter seguido os procedimentos da UE de forma correta.

Esse comunicado da UE dá ao Facebook o prazo de 31 de janeiro para responder as acusações. Caso não fique satisfeita com a resposta da rede social, a Comissão pode multar a empresa de Mark Zuckerberg em até 1% da sua receita mundial - o Facebook registrou rendimentos em torno de 17,9 bilhões de dólares no ano passado.

Em agosto de 2014, o Facebook disse à Comissão que não seria possível combinar de maneira confiável as informações entre as contas dos usuários no Facebook e no WhatsApp, um fator que foi levado em conta pela Comissão para aprovar a aquisição pelas regras antitruste da UE.

Mas dois anos depois o WhatsApp atualizou suas políticas de privacidade para permitir que combine automaticamente os números telefônicos dos usuários com as contas deles no Facebook.

A Comissão suspeita que essa combinação automática já era tecnicamente possível em agosto de 2014, quando o Facebook disse que não seria possível fazer isso de maneira confiável.

“A Comissão então possui preocupações de que o Facebook, de maneira intencional ou negligente, submeteu informações incorretas ou enganosas para a Comissão, violando assim suas obrigações pela Merger Regulation da UE”, afirmou a Comissão nesta semana.

A investigação de 2014 concluiu que Facebook e WhatsApp não eram concorrentes próximos no mercado de mensagens, eram rivais distantes no mercado de redes sociais, e que havia provedores alternativos suficientes no mercado de publicidade online.