Microsoft oferece apoio tímido para Apple em briga com FBI

Da Redação
18/02/2016 - 17h25
Ao contrário de Google e WhatsApp, que declararam apoio total no caso, empresa de Redmond se manifestou por declaração do grupo RGS. Documento nem cita Apple.

Ao contrário do Google e do WhatsApp, cujos CEOs Sundar Pichai e Jan Koum, respectivamente, apoiaram explicitamente a Apple na briga com o FBI, a Microsoft adotou uma postura mais morna no caso.

Uma ordem da justiça federal dos EUA exige que a Apple ajude o FBI abuscar por conteúdos em um iPhone 5C apreendido com Syed Rizwan Farook, um dos terroristas do ataque realizado em 2 de dezembro em San Bernardino, Califórnia.

Como aponta o The Verge, a empresa de Redmond manifestou apoio por uma declaração pelo Reform Government Surveillance (RGS), do qual a Microsoft é um dos fundadores – no entanto, a declaração não cita especificamente a Apple.

“As empresas da Reform Government Surveillance acreditam que é extremamente importante deter terroristas e criminosos e ajudar as autoridades ao processar ordens legais por informações para nos manter todos seguros. Mas as empresas de tecnologia não devem ter de criar backdoors nas tecnologias que mantém seguras as informações dos seus usuários. As empresas da RGS continuam comprometidas em ajudar as autoridades quando necessário, ao mesmo tempo que protegem a segurança dos seus usuários e suas informações.” 

Para quem não sabe, o grupo RGS ainda inclui empresas como AOL, Dropbox, Evernote, Facebook, Google, Apple, LinkedIn, Twitter e Yahoo.

Ainda não está claro se o CEO da Microsoft, Satya Nadella, vai seguir os chefões do Google e WhatsApp e manifestar um apoio mais fortes para a Apple no caso.

Entenda o caso

O governo dos EUA “exigiu que a Apple tome uma medida sem precedentes que ameaça a segurança dos nossos usuários”, afirmou o executivo em uma carta aberta publicada no site da empresa nesta quarta-feira, 17/2. Ele ainda afirma que o momento pediu uma discussão pública sobre o assunto e que queria que os usuários e as pessoas no país “entendessem o que está em jogo”. 

A indústria de tecnologia vem cada vez mais usando criptografia em seus produtos e serviços. A iniciativa vem sendo criticada por oficiais do governo dos EUA, incluindo o diretor do FBI, James Comey, que diz que isso torna mais difícil para eles rastrearem os terroristas que se escondem sob a criptografia. As empresas assumiram a posição de que a criptografia protege a privacidade individual dos usuários.

Após o governo dizer ao tribunal que estavam encontrando dificuldades por conta de um recurso de apagamento automático do iPhone que poderia apagar os dados após 10 tentativas sem sucesso de “quebrar” a senha do smartphone, a juíza Sheri Pym ordenou que a Apple ofereça sua assistência técnica, incluindo se exigido fornecer software com assinatura, para burlar ou desabilitar a função de apagar automaticamente caso esteja habilitada no aparelho. Isso permitiria que os investigadores do FBI tentasse diferentes combinações para “quebrar” a senha e conseguir os dados.

O governo está pedindo que a Apple crie uma backdoor no iPhone, afirma Tim Cook, que afirmou ainda que o que o governo está pedindo é algo que a empresa não possui e também é considerado muito perigoso para ser criado.

“Especificamente, o FBI quer que a gente crie uma nova versão do sistema do iPhone, burlando vários recursos de segurança, e instalá-lo em um iPhone recuperado durante a investigação”, afirma. “Em mãos erradas, esse software – que ainda não existe – teria o potencial de desbloquear qualquer iPhone em posse física de alguém.”