Gigantes de tecnologia ainda dão passos lentos na contratação de minorias

John Ribeiro, IDG News Service
26/06/2015 - 12h29
Relatório de diversidade do Facebook e Google mostrou mudanças irrisórias em relação ao ano passado.

O Facebook e outras companhias de tecnologia não estão mudando rápido o suficiente a porcentagem de seu cenário de diversidade no quadro de funcionários, o que tem tornado uma preocupação para ativistas dos direitos civis. 

Funcionários negros, por exemplo, representam 2% da força de trabalho do Facebook até 31 de maio deste ano, de acordo com um relatório de diversidade revelado pela própria companhia nesta quinta-feira, 25 de junho. Um contexto que não mudou em relação ao ano passado, que mostrava também 2%.

Profissionais de ascendência hispânica correspondem até então 4% dos funcionários, enquanto pessoas de duas ou mais etnias correspondem a 3%. 

Uma mudança pequena, porém positiva, diz respeito a porcentagem de mulheres. Segundo o mesmo relatório, em junho de 2014, o Facebook contava com 31% de mulheres no quadro. Atualmente, conta com 32%.

A porcentagem do staff de asiáticos aumentou de 34% para 36%. 

Outra gigante de tecnologia, o Google, disse nesse mês que está aumentando suas contratações em grupos minorias.

Embora 21% de suas contratações em tecnologia no ano passado foram mulheres, a sua quota de mercado de trabalho subiu apenas 1%.

Mover pontos percentuais exige amplos esforços de uma grande  empresa que conta com 55 mil funcionários, disse o consultor jurídico do Google David Drummond em reunião de acionistas da empresa, respondendo às observações do reverendo Jesse Jackson que empresas não se mexerem muito sobre o tema. 

O líder em direitos civis tem conseguido sucesso considerável de companhias de tecnologia ao exigir que elas publiquem relatórios de diversidade. Mais de 25 empresas divulgaram seus dados. Jackson agora quer que as empresas apresentem metas tangíveis e apresentem relatório sobre seu sucesso no cumprimento das mesmas. Ele defende que mulheres e minorias ainda representam mercados carentes, talentos subutilizados e inexplorados de capital para as empresas.

Nesta quinta-feira, Jackson disse em comunicado que os números de 2015 do Google, eBay e Facebook demonstram claramente que é necessário articular mudanças, já que eles são virtualmente idênticos aos de 2014.

"Companhias de tecnologia devem fazer mais para aspirarem o melhor, da mesma forma estabelecer metas  para mover a régua em diversidade e inclusão", acrescentou.

Nesta quinta-feira, o diretor global de Diversidade do Facebook, Maxine Williams escreveu em um post que a empresa havia adotado uma abordagem, semelhante à regra Rooney na National Football League (NFL) nos EUA, que incentiva "recrutadores a olharem mais, e de forma mais inteligente para talentos em diversidade e garante que os gerentes de contratação estão expostos a uma variedade de diferentes candidatos durante o processo de entrevista".

O programa de treinamento da Universidade Facebook convida calouros da faculdade, geralmente de grupos sub-representados, com talento excepcional e interesse em ciência da computação, para trabalhar em equipes com mentores do Facebook durante o verão, para que possam aprender as habilidades que a empresa está procurando, Williams disse.

Durante recente reunião com acionistas do Facebook, Jackson pediu que a empresa firmasse parceria com sua organização RainbowPush em direitos civis para estabelecer laboratórios de tecnologia em mil igrejas em todo o país, da mesma forma fazer um grande investimento no Distrito Escolar Unificado de Oakland, um distrito escolar de educação pública. Com o objetivo de construir "um gasoduto não só da Índia, mas a partir de comunidades do entorno da área da baía para o Facebook e indústria de tecnologia", de acordo com uma transcrição do discurso fornecido por RainbowPush.