Entrevista: Google explica estratégia para competir com Office pela web

Juan Carlos Perez, para o IDG Now!*
28 de maio - 07h00 - Atualizada em 15 de março - 15h06
Miami - Diretor do Google Apps, Rajen Sheth, explica planos futuros do Google e faz mistério quanto à competição contra Microsoft no desktop.

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entrevista_rajen_88x66Com o lançamento do pacote Google Apps no ano passado, o Google se tornou provedor de softwares hospedados de colaboração e comunicação para pequenas e médias empresas e deixou claro suas aspirações de seduzir diretores de tecnologia de grandes companhias com o pacote Premier Edition, apresentado em fevereiro.

A estratégia, que coloca o gigante de buscas em competição com peso-pesados de software como Microsoft, pavimenta os primeiros passos do Google como fornecedor de tecnologia anos após ter lançado seu sistema de busca.

Mesmo que o Google gere grande parte de sua receita da propaganda no sistema de busca, a empresa afirma que está comprometida com ambiente corporativo de tecnologia.

Nesta entrevista, o diretor de produtos do Google Apps, Rajen Sheth, fala sobres os desafios e oportunidades que vê no setor de serviços online.

A unidade corporativa do Google tem um bom entendimento das necessidades dos diretores de TI e chief information officers (CIO)?
Sheth: Acho que sim. Estamos estreando em algumas destas áreas, por exemplo com o Apps e seu conceito de aplicações hospedadas para grandes companhias. Estamos aprendendo assim como a indústria esta aprendendo em algumas áreas.

Em nossa divisão Corporativa, todos já trabalharam em uma empresa significante anteriormente, do time de vendas aos engenheiros que gerenciam os produtos. Todos sabem o que significa ser uma companhia corporativa e como construir estes produtos específicos.

Dito isto, você verá que fazemos coisas diferentes de outras companhias do setor, na maneira como desenvolvemos e revelamos produtos. Nosso primeiro exemplo desta novidade é o Search Appliance.

Quais são os problemas com as regulações governamentais que o Google enfrenta quando oferece aplicações online e armazena dados de clientes, particularmente em indústria altamente regularizadas, como de serviços financeiros e médicos?
Acrescentamos funcionalidades como a habilidade de integrar um gateway de e-mails à frente do Google Apps para filtrar e arquivar todas as mensagens que chegam e saem. É importante para companhias de serviços financeiros que precisam arquivar mensagens por seis ou sete anos e não podem deixar vazar mensagens eletrônicas que tenham, por exemplo, números de Seguro Social.
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Você se comprometeu em tornar o Gmail disponível 99,9% do tempo e, ainda assim, o serviço teve problemas que afetaram clientes do Premier Edition.
Vários destes problemas que nos afetaram foram anomalias logo após o lançamento. Fizemos análises profundas em todas estas questões e estamos usando estas experiências para melhorar o produto e o que fazemos. Os incidentes nos ajudaram a examinar todo o processo e pensar em outras novidades que estamos bolando.

Quando à notificação de clientes, por exemplo, estamos trabalhando por uma variedade de processos pelos quais podemos dar aos clientes visibilidade do que está acontecendo com a plataforma, tempo esperado de estabilização, estado atual e coisas assim.

O Google está pensando em oferecer suporte telefônico?
Já oferecemos suporte telefônico 24 horas para os clientes da Premier Edition. Estamos escalando cada vez mais nosso time, que combinando profissionais de atendimento e engenheiros de suporte corporativo. Da mesma maneira como damos supore a clientes com altíssima fluxo de dados pelos Search Applicance, acho que podemos fazer o mesmo pelo Google Apps.

O preço de 50 dólares anuais para se tornar cliente do pacote Premier Edition, cifra baixa no setor de serviços hospedados, motivou uma avalanche de procura?
A percepção e interesse dos usuários têm sido muito boa, mas nós estávamos esperando por isto. Estamos escalonando nosso time e nossos recursos, então conseguimos lidar com a procura muito bem. Em termos de escalabilidade corporativa, ainda é uma fração muito pequena de toda a base, então nós podemos aumentar o poder de nossos sistemas muito rapidamente. Temos milhões de usuários do Gmail, por exemplo. Em termos de suporte, começamos a nos preocupar em escalonar a companhia há alguns anos para não ter este tipo de problema agora.

O Google tem planos de criar softwares para desktop que dêem acesso offline ao Google Apps?
A falta experiência de offline é definitivamente um problema em nosso produto. É algo que estão explorando de várias maneiras. Agora, deixamos pessoas importarem e exportarem seus documentos para outros aplicativos. Isto é adequado, mas não paramos por aí. Não há detalhe nenhum que possa revelar agora sobre planos futuros.
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Organizações e clientes expressam preocupação pela segurança de dados hospedados em aplicações online em geral. Como vocês respondem a estas preocupações?
Segurança é uma parte das filosofias de desenvolvimento e funcionamento de produtos do Google desde o começo. Tomamos várias medidas para proteger centros de dados e nossa infra-estrutura de maneira geral de ataques externos.

A Premier Edition também permite que clientes apliquem suas políticas de segurança sobre os aplicativos do Google. Você pode usar seu sistema próprio de autenticação, por exemplo, o que permite que uma empresa que exija que usuários se autentiquem biometricamente possa aproveitar as funções do Google Apps.

Você também pode escolher que todos os aplicativos criem arquivos encriptados, fazendo com que os serviços se comuniquem apenas pelo protocolo HTTPS, para que o nível de segurança para conversas por mensagens ou sessões de chat seja o mesma usado em transações de ações.

O que vocês estão planejando em termos de acesso móvel ao Google Apps?
Esta é definitivamente uma área de concentração. Temos um ótimo alcance para o Gmail atualmente com a aplicação móvel e o navegador para aparelhos móveis do serviço. Continuamos a pensar sobre todas as outras aplicações e imaginar como melhorar a experiência em dispositivos móveis. No geral, o acesso móvel é extremamente importante para o Google já que, em muitas partes do mundo, muitas pessoas acessam a internet mais por aparelhos móveis do que por notebooks e desktops.

Vocês estão interessados em incluir aplicações verticais no Google Apps, talvez como opção para clientes em certas indústrias?

Nosso foco - e o benefício de nosso usuário - está em aplicativos que têm um amplo apelo, especialmente dentro da colaboração corporativa. É aí que você verá uma grande ênfase. Dito isto, eu tive uma agradável surpresa pela quantidade de desenvolvimento que aconteceu sobre o Google Apps desde seu lançamento. Queremos continuar encorajando desenvolvedores a explorar nossa plataforma e nossos componentes principais e expandi-los.

*Juan Carlos Perez é editor do IDG News Service, em Miami.