China teme por atuação de crackers durante Olimpíada de Pequim

IDG News Service/Cingapura
24/04/2008 - 10h47
Cingapura - Após crackers chineses promoverem ataque ao site da CNN, especialistas criam medidas para melhorar segurança de redes.

Após o site da CNN ter enfrentado ataques de negação de serviço de crackers chineses furiosos com a cobertura do canal às revoltas no Tibete, oficiais de segurança da China se preocupam com a atuação de crackers durante a Olimpíada de Pequim.

“Com base em experiências históricas, muitos crackers que querem criar uma boa reputação vêem os Jogos Olímpicos como alvo e desafio. A competição poderá encarar ataques de crackers, grupos, organizações - inclusive de outros países - por diversas motivações políticas”, diz a equipe do National Computer Network Emergency Response Technical Team (CNCERT).

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Um golpe de grande porte aos sistemas computacionais chineses durante as Olimpíadas seria um grande problema para a organização e para o governo, que posicionou os jogos como uma celebração das evoluções econômicas e sociais da China nos últimos 30 anos.

Além dos esforços do governo chinês em melhorar a segurança das redes durante os jogos, foi criado uma equipe especial de resposta em Pequim, que irá montorar sistemas em busca de sinais de ataques e responder em caso de detecção.

O trabalho, contudo, não será fácil, já que 58% dos computadores controlados por bots estão na China, segundo estimativas do CNCERT. Em 2007, foram identificados 3,6 milhões de PCs com bots, além de 995 mil contaminados com cavalos-de-tróia.

“O espaço de tecnologia da China é um dos mais dominados por malwares no mundo”, disse o consultor de segurança Jim Fitzsimmons. O especialista atribui o problema ao uso de softwares piratas e pouca atenção na administração de segurança, como na correção de falhas.

“Na China, há muitas plataformas que podem ser invadidas ou subvertidas para atacar outro usuário”, diz Fitzsimmons.

O país também teme por ataques em prol do Tibete ou similares ao do site da CNN. Em outros anos, ataques promovidos por crackers chineses, motivados por questões políticas, provocaram respostas de outros grupos de crackers.

Até agora, contudo, não houve resposta de criminosos de outros países aos ataques chineses à CNN ou criação de sites a favor do Tibete. “Honestamente, eu acredito que algo acontecerá, mas o quanto poderá ser ruim, ninguém pode adivinhar”, diz Fitzsimmons.

Sumner Lemon, editor do IDG News Service, de Cingapura.