Ônibus perde espaço para apps de transporte, metrô e trem em São Paulo

Da Redação
12 de dezembro de 2018 - 18h35
Estudo realizado pelo Metrô de São Paulo é um dos maiores do gênero e avalia mudanças na mobilidade na região nos últimos 10 anos

Aplicativos de transporte individual ganharam força nos últimos anos a medida que empresas como Uber, 99 e Cabify expandiram sua área de atuação e até mesmo diversificaram seus serviços. Mas o quanto essa popularização influencia no trânsito das cidades e no uso de transporte público? A pesquisa Origem Destino Metrô, divulgada nesta quarta-feira (12), identificou que o ônibus é o modal que mais vem perdendo espaço para o metrô, trens e aplicativos de mobilidade. 

O estudo é tido como o maior do gênero em mobilidade no País e é feito desde 1967 a cada 10 anos. Realizada pela companhia do Metrô, ligada ao Governo de São Paulo, a última edição comparou a mobilidade da região entre os anos de 2007 e 2017. 

Enquanto as viagens de ônibus caíram neste intervalo de dez anos - passaram de 9 milhões para 8,6 milhões por dia - o total de viagens realizadas diariamente pelo Metrô saltou de 2,2 milhões para 3,4 milhões. No mesmo período, os deslocamentos de trem passaram de 800 mil para 1,3 milhão por dia. É a primeira vez também que o estudo avalia as viagens feitas por aplicativos. Segundo o Metrô, a categoria já soma 362,4 mil viagens por dia, um número três vezes maior na comparação das corridas feitas com os táxis, que contabilizam 112,9 mil viagens.

A popularização dos aplicativos, entretanto, não significou queda no uso dos táxis. O total de viagens pelos carros de placa vermelha cresceu 24,5% no período de 10 anos. Em 2007, eram 90,7 mil deslocamentos diários feitos pelos taxistas.

O estudo é um dos principais retratos da mobilidade da região metropolitana em São Paulo, com entrevistas feitas em 32 mil domicílios. Tal mapeamento ajuda secretarias administrativas e até mesmo companhias, uma vez que ajuda a nortear políticas públicas e privadas de transporte e urbanismo, como demandas de futuras linhas e empreendimentos imobiliários. 

Vale lembrar que o estudo do Metrô é divulgado dias depois da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) alegar que o Uber representa uma “concorrência desleal” contra os ônibus
 
As críticas da Associação, que representa mais de 500 companhias do setor de ônibus urbanos no país, são voltadas principalmente contra as modalidades de compartilhamento do Uber, incluindo o Pool e o mais recente Juntos, que substituirá o primeiro com o tempo.
 
Segundo informações do UOL Tecnologia, as companhias agora estão notificando prefeituras pelo País para agirem em relação a tais aplicativos de mobilidade urbana. São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro estão entre os municípios notificados. 
 
 
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