Moto G6 Plus: Vale a pena investir no smartphone da Motorola?

Por Carla Matsu
10 de julho de 2018 - 09h00
Aparelho traz recursos alimentados com inteligência artificial, design elegante e bom desempenho; No e-commerce já é possível encontrá-lo por menos de R$1.400

A Motorola lançou a sexta geração para a sua família Moto G em abril deste ano. O lançamento global, inclusive, aconteceu em São Paulo dada a dimensão que o mercado brasileiro assumiu para a fabricante nos últimos anos. Além do Moto G6 Plus, a companhia anunciou na mesma ocasião os Moto G6 e Moto G6 Play.

Desde 2013, quando a Motorola inaugurou o primeiro Moto G, a companhia vem definindo um novo padrão para aparelhos intermediários, sofisticando sua qualidade e recursos ao mesmo tempo que mantém um preço relativamente acessível para o usuário. Com a nova linha G6, a fabricante visa entregar uma experiência mais próxima a de modelos premium, mas que não pese tanto para o seu bolso. 

No Brasil, o Moto G6 Plus chegou com o valor de estreia de R$ 1.599, mas atualmente já é possível encontrar o modelo no e-commerce por cerca de R$ 1.400. Eu passei três semanas com o aparelho e no texto a seguir tento abordar algumas conclusões sobre o desempenho, câmera, bateria e design. 

O que ele entrega: recursos de AI, Android 8 e TV Digital

Estamos falando de um aparelho intermediário com alguns recursos premium. Com a linha Moto G6, a Motorola entrega certos recursos habilitados com inteligência artificial, tentando otimizar a experiência do aparelho para usuários. Entre as facilidades está o Moto Voice (também disponível para o Moto G6).  Ainda em versão beta, a aplicação é uma espécie de Google Assistente ou Siri que responde a comandos de voz, permitindo atalhos como acessar a função de economia de energia, abrir e fechar apps como o YouTube e Netflix, além de oferecer direções, definir alarmes, informar a previsão de tempo. Para acessá-lo basta dizer a frase “Hello Moto”. Ele está disponível em português e a tendência é que a Motorola integre mais funções e até mesmo integrações com outros serviços. Nos Estados Unidos, já é possível solicitar um Uber através do Moto Voice, por exemplo.

Outra novidade aqui diz respeito a câmera inteligente que oferece a possibilidade de reconhecer objetos e escanear documentos, entregando informações da internet para os objetos focados. Vale dizer que o recurso ainda está em teste e, por isso, demora um bocado para identificar alguns objetos ou quando não o reconhece, o que pode ser frustrante caso você dedique muito do seu tempo para usá-lo. Para utilizá-lo, basta abrir o app da câmera e selecionar o ícone de cubo - que aparece no meio da tela. 

Além do recurso integrado para a câmera inteligente, o G6 Plus também é compatível com o Google Lens, app de realidade aumentada e de AI da gigante de tecnologia que, da mesma forma, pode ser útil para identificar objetos como roupas e acessórios, livros, nomear raças de cachorros ou plantas e ainda dar informações sobre monumentos enquanto você explora uma nova cidade. Este recurso do Google também está sob teste e pode demorar para entregar o que você espera dele.

Com o G6 Plus, já temos acesso ao Android 8 ou Oreo. Não se trata de um Android puro, mas muito próximo a experiência que o Google entrega em seus aparelhos proprietários. A Motorola aqui faz algumas pequenas modificações e ajustes para personalizar o smartphone e entregar coisas como o Moto Actions, que oferece atalhos para funções como lanterna, gestos para silenciar o aparelho ou abrir a câmera. O aparelho ainda traz Rádio FM e é o único da linha que tem TV Digital.  

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Design

O Moto G 6 Plus tem acabamento “mais premium” que as versões que o antecedem. O corpo é arredondado nos cantos, acabamento de metal nas laterais e vidro na parte traseira. O grande destaque fica para a tela de 5,9”, na proporção 18:9, ou seja, ela está maior em relação ao corpo, o que garante uma boa experiência para visualizar vídeos e ler textos, mas ao mesmo tempo não afeta o uso do celular com apenas uma mão. A resolução da tela é Full HD plus, um pouco superior que a dos telefones Full HD devido ao tamanho de ecrã mais alto.

O acabamento em vidro faz do G6 Plus um aparelho elegante, mas uma tragédia anunciada para mãos desastradas. Claro, uma capinha de plástico ou qualquer coisa do tipo já garante a segurança necessária. O aparelho é leve, pesa 165 gramas e o leitor biométrico ficou um tanto achatado para a fabricante incluir o logo “motorola" bem acima dele, algo que seria dispensável. E por alguma razão, a Motorola ainda insiste na moldura saltada para as lentes da câmera traseira também na linha G6. 

Câmera 

E por falar em câmera, além do recurso de reconhecimento de objeto já dito aqui, a Motorola traz uma versão levemente melhorada em relação ao seu antecessor, o G5 Plus: a abertura da lente (f/1.7) um pouco maior para fotos com baixa luminosidade. Mas isso não quer dizer que ela garante boas fotos a noite, por exemplo. Nos testes, com a câmera no modo automático, a câmera deixou a desejar. Na fotografia com pouca luz, a saída pode ser recorrer ao HDR, que ilumina melhor a imagem e reduz o ruído. Já para fotos com bastante luz, de dia, o contraste também pecou. Nas fotos de paisagens, por exemplo, no modo automático, a imagem do céu quase sempre saiu com pouca definição quando não estourada. Já a fidelidade de cores da câmera se saiu bem, uma queixa que acontecia nos modelos mais antigos da Motorola. 

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No G6 Plus, a Motorola segue a tendência para câmera dupla na parte traseira: uma de 12 megapixels e uma secundária de 5 megapixels. A última é usada para fornecer informações de profundidade para o modo retrato (como na foto abaixo) e outros efeitos baseados em profundidade, como imagens onde se consegue mudar a cor do fundo ou a do objeto. Há ainda a possibilidade de acrescentar adesivos nos retratos, algo como Snapchat ou Instagram. Quanto à câmera frontal de 8 megapixels, os resultados são bons, embora não impressionem. Para vídeo, o Moto G6 Plus consegue gravar em 4K a 30fps.

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Desempenho e bateria

A bateria de 3.200 mAh que alimenta o G6 Plus deve ser o suficiente para mantê-lo longe da tomada por um dia. Utilizando o aparelho para rodar aplicativos básicos, como Gmail e Google Docs, redes sociais e Spotify, eu precisei recarregá-lo apenas no final do dia. Entretanto, em dias onde eu usei a câmera intensamente, tanto para vídeos quanto fotos, a bateria pediu por mais carga durante o dia. A vantagem aqui fica para o recarregamento rápido TurboPower de 15W que, em cerca de 15 minutos, entrega mais 3 horas de uso do aparelho.

Quanto ao desempenho, o Moto G 6 Plus conta com um chipset Snapdragon 630 e GPU Adreno 508, o que garantiu uma experiência de usabilidade sem travar, mesmo em transmissões de vídeos e jogos. Eu testei o Sonic, the Hedhog e Racing Fever: Moto, e os jogos rodaram no aparelho sem problemas. 

Completam as configurações, uma memória com 64 GB, sendo 49 GB livres, RAM com 4 GB e compatibilidade com NFC e bluetooth 5.0. 

Mas e aí, vale o investimento?

O Moto G6 Plus oferece recursos sólidos e outros divertidos para a câmera e carregamento rápido para a bateria - esta uma grande vantagem. A tela ampla do aparelho entrega uma boa usabilidade no dia a dia, ao mesmo tempo não deixa o aparelho pesado, incômodo. 

De forma geral, temos um aparelho bom e confiável aqui, com um design elegante, sistema operacional Android próximo ao puro - o que, acredite, faz muita diferença no dia a dia e ações com o Moto Voice que podem cativar o usuário. Entretanto, já é possível comprar o seu antecessor, o Moto G5 Plus, por cerca de R$ 1.100 (contra os cerca de R$ 1.400 do G6 Plus). Isso quer dizer que, se você não se importar com a ausência dos recursos do Moto Voice, Google Lens e recursos inteligentes para a câmera, o Moto G5 Plus pode ser uma melhor opção para o seu dinheiro.

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