Apple barra apps de mineração de criptomoedas no iPhone e iPad

Computerworld / EUA e Da Redação
13 de junho de 2018 - 13h00
Analistas de mercado aprovam a decisão da empresa de Cupertino para proteger os usuários do iOS contra a prática cada vez mais comum.

Usar um iPad ou iPhone para minerar Bitcoin ou outras criptomoedas seria algo difícil de fazer, uma vez que o poder da CPU disponível para realizar a tarefa seria muito pequeno em relação ao que é necessário. 

Mas usar uma porção do poder de CPU de milhares de iPads e iPhones para minerar criptomoedas faz mais sentido – e é exatamente o que alguns malwares vem fazendo. 

Por isso, a Apple resolveu se mexer para barrar essa prática.

A empresa de Cupertino anunciou diversas mudanças nas regras para desenvolvedores na WWDC 2018, realizada na última semana, mas publicou as modificações sem grande alarde.  

Nesta semana, no entanto, o site especializado Apple Insider descobriu uma seção das diretrizes da Apple para desenvolvedores sob o título Hardware Compatibility, que é específica sobre a questão de malware: o texto afirma que qualquer aplicativo, “incluindo anúncios de terceiros exibidos dentro deles, não podem rodar processos não relacionados em segundo plano, como mineração de criptomoedas”.

Apesar de algumas pessoas poderem questionar o decreto da Apple, a decisão ainda faz sentido, segundo a analista principal da Forrester, Martha Bennet. 

“Assim como todos os utilitários de mineração de criptomoeda que você tem nos PCs (na forma de apps ou plug-ins de navegadores, a maioria dos quais são malware), eles castigam a sua CPU, e se você estiver com pouca bateria, o que quase sempre acontece em um aparelho móvel, eles vão sugar a sua bateria”, afirmou a especialista da consultoria por e-mail. “Além disso, a Apple não vai querer estar associada com todas as coisas obscuras que acontecem relacionadas às criptomoedas.” 

De forma não surpreendente, a ascensão do malware de “criptomineração” no último ano parece refletir a ascensão das próprias criptomoedas, de acordo com a empresa de segurança Trend Micro.

Dados de uma pesquisa da companhia mostram que a mineração de criptomoedas já aproxima de outra ameaça muito comum, o ransomware, na América do Norte. 

“A mineração de criptomoedas apresenta uma alternativa mais passiva e escondida ao ransomware”, afirmou um porta-voz da Trend Micro em um e-mail. “Por conta da natureza da mineração de criptomoedas, uma única infecção pode não fornecer aos cibercriminosos tanto lucro quanto eles teriam com outros tipos de malware. No entanto, uma discrição do minerador de criptomoedas e um tempo maior de infecção significam menos trabalho do lado do criminoso.”

O analista da consultoria J. Gold Associates, Jack Gold, também elogiou a atitude da Apple. “Faz sentido para mim que a Apple seja proativa e queira garantir que isso não se torne um problema de verdade. Será interessante ver se outros vão seguir pelo mesmo caminho.”