Até quando? BlackBerry lança mais um smartphone com teclado físico

Michael Simon, PC World / EUA e Da Redação
08 de junho de 2018 - 09h00
Ao contrário da maioria dos smartphones Android do mercado, o novo BlackBerry Key 2 traz uma tela de apenas 4,5 polegadas por conta do teclado físico QWERTY.

Se você tivesse ficado em coma nos últimos 10 anos e a primeira coisa que fizesse após acordar fosse acessar o site da BlackBerry, provavelmente pensaria que apenas tirou um cochilo mais longo. A empresa antes conhecida como Research In Motion revelou nesta semana o seu mais novo smartphone e ele tem um teclado físico QWERTY. 

Imagino que exista um mercado em algum lugar para smartphones com teclados físicos embutidos. Desde o lançamento o lançamento do primeiro iPhone, um número cada vez menor de usuários reclama da ausência das teclas físicas. O espaço extra da tela, a versatilidade e a inovação que os teclados baseados em software trouxeram aparentemente não importam a esse público, e eles preferiam manter seus dedos em teclas físicas do que aproveitar as conveniências modernas de telas grandes e modo de uso com uma mão.

Isso precisa parar. Apesar de o BlackBerry Key 2 possuir algumas boas ideias, é um dinossauro entre os aparelhos atuais, todos de vidro e com telas OLED 18:9. O lançamento desta semana vai receber atenção e manchetes apenas por conta do nome BlackBerry, mas no fim das contas vai cair em segundo plano como um aparelho de nicho de uma fabricante de nicho. Em vez de inovar, a BlackBerry está se apegando à noção de que os teclados QWERTY ainda possuem um lugar no mundo mobile atual, e não vai parar até que todos parem de comprar esses aparelhos. 

Design e especificações

O BlackBerry Key 2 talvez não pareça com um aparelho Android tradicional por fora – seu teclado gigante significa que a tela possui apenas 4,5 polegadas – mas por baixo do teclado ele não é tão diferente em relação a outros dispositivos com o sistema móvel do Google.

Veja as especificações abaixo: 

Dimensões: 151.4 x 71.8 x 8.5mm

Tela: IPS LCD 4.5 polegadas, 3:2 1630 x 1080

Processador: Snapdragon 660

RAM: 6GB

Armazenamento: 64GB/128GB

Bateria: 3.500mAh

Câmera: Dual 12MP f/1.8 + 12MP f/2.6

Sistema: Android 8.1

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Esse é um upgrade geral em relação ao antecessor KeyOne. Não apenas o Key 2 é o primeiro aparelho da BlackBerry com câmera dupla, ele também é mais fino e rápido do que o Key1, com o dobro do armazenamento e RAM. E ele também oferece suporte ao Google Assistente e ao Google Lens. 

No entanto, para os 95% dos usuários do mundo que não usariam o KeyOne, o Key 2 não terá nenhum impacto. Isso porque o tamanho da tela e o seu formato não mudaram. Além disso, o sensor de impressão digital continua em um lugar bastante inusitado: barra de espaço do teclado (a BlackBerry diz que melhorou a resposta tátil da funcionalidade). E o design continua bastante parecido com o do antecessor, apesar de uma ou outra mudança, como uma grade no alto-falante frontal. 

E isso é parte do problema. Quando 25% do aparelho é composta por um teclado, não há muito que você possa fazer para que ele fique diferente em termos funcionais. 

Enquanto outras empresas estão fazendo testes e experimentações com curvas e notches (entalhes), o BlackBerry Key 2 parece uma peça de museu, não um produto de 650 dólares). Se a BlackBerry quer manter teclas físicas no smartphone, poderia tentar inovar com uma ou duas fileiras abaixo da tela ou botões extras nas laterais. O fato é que o teclado gigante não está ajudando em nada o Key 2. 

A chave para o sucesso

Em uma época em que a privacidade é mais importante do que nunca, a BlackBerry deveria apostar mais nesse fato para permanecer relevante. Como sempre, o Key 2 traz o app DTEK, que monitora constantemente o sistema e os apps em busca de riscos potenciais – e te alerta sobre os perigos.

O aparelho também traz o app Locker, protegido por senha, para armazenar documentos e fotos sensíveis, e vem pré-carregado com o Firefox Focus, o novo navegador da Mozilla contra rastreamento.

A privacidade é o jogo da BlackBerry, e é aonde a empresa deveria estar focando os seus esforços, não em teclados físicos. Se a BlackBerry se unisse com uma fabricante como LG, Huawei ou Samsung para produzir um aparelho Android padrão com a sua plataforma, os usuários provavelmente responderiam positivamente. O nome BlackBerry ainda é forte. Mas enquanto ele permanecer associado com teclados físicos minúsculos, vai continuar preso ao passado.