GuiaBolso lança nova versão para Android e planeja ofertar mais serviços financeiros

Por Carla Matsu
01 de junho de 2018 - 17h01
Startup brasileira quer fazer do aplicativo uma central financeira do usuário; Nova versão ganhou design mais personalizável e intuitivo

Quando o GuiaBolso se lançou no mercado no final de 2013, a ferramenta tinha como pretensão dar um panorama em tempo real da vida financeira dos brasileiros - de uma forma simples e móvel por meio de um site e aplicativo que eliminariam o repetitivo trabalho de preencher chatas planilhas do Excel ou, quem sabe, as românticas cadernetas de papel. De forma geral, o serviço consegue 'puxar' as movimentações bancárias da conta corrente dos usuários e categorizar esses dados para ajudá-los a gerenciar seus gastos pessoais. “Quando a gente ultrapassou o Tinder, vimos que a coisa estava ficando séria”, brinca Inajá Azevedo, CTO e um dos cofundadores do GuiaBolso ao lembrar do lançamento do app que, em poucos dias, se tornou uma das aplicações financeiras mais baixadas da App Store, confirmando que a saúde financeira dos brasileiros merecia atenção.

Cinco anos depois, o GuiaBolso superou os 4 milhões de usuários, já levantou mais de R$ 215 milhões em distintas rodadas de investimento e tem, entre as suas metas, arredondar seu time de talentos para 320 funcionários até o final do ano. Na última semana, deu outro grande passo: lançou o maior redesign do aplicativo para Android desde a sua criação.

Há de se observar na história do GuiaBolso uma questão de timing. A startup, com base em São Paulo, se lançou em uma época onde o mercado de fintechs no Brasil ainda emergia e apenas começava a incomodar os bancos tradicionais. Hoje, o usuário final já toma como natural a ideia de que pode resolver tudo pelo smartphone - incluindo informações sensíveis como a de bancos - e acha inconveniente se não puder fazê-lo. 

Uma das prerrogativas para fazer do GuiaBolso um serviço, digamos, ágil e automático é informar a senha do internet banking durante o login no aplicativo - um pedido que, para muitos, pode beirar o contrassenso. Não foi o que aconteceu com a ferramenta. Azevedo lembra que quando o app começou a pedir a senha para usuários, a expectativa inicial era que apenas 20% da base concordaria com a empreitada, mas para a surpresa - 80% informou. "Fazemos muito testes sobre como é a melhor forma de dizer sobre segurança. É algo muito crítico, porque se você fala muito, assusta. E se você fala pouco, é ruim. Então, a gente faz muita pesquisa para se posicionar sobre como informar isso", explica o executivo, que também credita a confiança dos usuários ao histórico de avaliações e informações sobre a empresa na Internet.

Um novo banco

Se no início, a plataforma oferecia apenas um guia para gerenciar gastos pessoais, hoje o GuiaBolso tem como ambição se tornar uma central de serviços financeiros. Um dos primeiros passos dados nessa direção foi lançar o Just, um serviço de crédito para pessoas físicas ofertado dentro da plataforma. Criado em 2016, o Just tem entre suas vantagens uma oferta de crédito a juros mais baixos quando comparado aos bancos comerciais, uma equação que é possível pela "intimidade" que o GuiaBolso tem com o histórico de pagamentos e despesas de seus usuários. 

Em resumo, a startup criou um sistema de pontuação de crédito a partir das informações cedidas pelos clientes a partir do app, algo que garante crédito mais barato com instituições financeiras associadas ao serviço. Segundo o próprio GuiaBolso, cerca de 60% dos empréstimos do Just são feitos para trocar dívidas "caras" por juros mais baratos. É uma estratégia para refinanciar dívidas. Nessa troca de taxas, a startup consegue mensurar o quanto o usuário estava pagando de juros e quanto ele consegue poupar. De acordo com a empresa, usuários já conseguiriam poupar o equivalente a R$ 190 milhões desde a criação do Just. Essa ajuda vem em um cenário brasileiro onde o cartão de crédito é a principal dívida das famílias independente da renda, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em fevereiro deste ano, 77% das famílias endividadas disseram que têm contas para pagar no cartão.

Ao mesmo tempo, o serviço de crédito é também uma das formas do GuiaBolso rentabilizar o seu negócio, até então concentradas em comissões pagas por instituições parceiras. Já o aplicativo segue gratuito para o usuário final.

Mas na ambição para se tornar uma central da vida financeira dos clientes, o GuiaBolso terá de expandir sua oferta de produtos e, segundo Azevedo, uma das propostas é, eventualmente, oferecer opções de investimentos mais atrativos ao brasileiro, uma ambição que está no horizonte da startup desde a sua criação. "Quando começamos a entender o usuário, vimos que o empréstimo teria mais impacto na vida dele", explica Azevedo, uma vez que 35% dos novos usuários que entram na plataforma já se encontram "apertados".

As últimas apostas do GuiaBolso parecem ir de encontro às vocações dos grandes bancos. Mas o CTO afasta uma suposta competição. "Eu vejo que os bancos estão no caminho de oferecer produtos que as fintechs também oferecem. As finechs são mais ágeis, porque são mais específicas, atendem um nicho diferente. A gente não compete, a gente se complementa. Eu digo que os bancos são nossos parceiros".

Vida financeira mais 'palpável'

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A ideia de que dados só têm valor quando são entendidos ganhou mais corpo na nova versão do GuiaBolso para Android. O redesign tem como objetivo simplificar ainda mais a compreensão dos usuários sobre o orçamento. Paula Crespi, diretora de produtos e marketing do GuiaBolso, explica que a atualização visa ajudar o consumidor a entender melhor seu comportamento até o momento com visões de histórico, e a partir daí, a planejar e acompanhar seus próximos passos.

Na nova versão, o app consegue agora melhor estimar gastos versus a renda dos usuários, permitindo melhor planejamento das finanças. Na anterior, os usuários tinham de planejar todas as categorias para ter visão do total que estavam gastando. Agora é possível quebrar o valor em categorias, além de estimar categorias que tem projeções, como custos fixos, e informar um valor determinado para que ele possa gastar livremente

Outras novidades dizem respeito ao histórico - agora mais completo e visual - e insights a partir da tela inicial.  O aplicativo passa a trazer conclusões sobre quanto o usuário conseguirá economizar em um mês se seguir tais estimativas, quanto já economizou da meta, entre outras informações. 

“Tais mudanças trazem mais visibilidade aos usuários e permitem que eles tomem ações e decisões mais rapidamente para melhorar as finanças”, avalia Paula. “Todos conseguem ter uma vida financeira mais equilibrada gastando menos do que ganha, e se planejamento proativamente para conseguir economizar cada vez mais”, completa. 

A nova versão do GuiaBolso para iOS ainda não tem data de estreia na App Store, mas segundo a startup deve ser lançada em breve.