Mercado de drones vai além dos veículos e profissionaliza tecnologias embarcadas

Por Carla Matsu
03 de maio de 2018 - 10h31
Sensores, inteligência artificial, processamento de software; Startups brasileiras veem nos drones uma plataforma para atender um mercado em ascensão

O mercado de drones no Brasil tem se expandido para além do horizonte dos veículos aéreos não tripulados, segundo Emerson Granemann, diretor geral da DroneShow. Empresas e startups têm buscado desenvolver soluções e tecnologias embarcadas que aprimorem drones e, consequentemente, ampliem sua vocação em diversos nichos. Granemann é responsável pela feira DroneShow, que terá sua quarta edição neste mês de maio, em São Paulo, e espera atrair 4 mil visitantes durante os três dias de programação.

Desde que soltou a regulamentação do uso de drones no Brasil, no início de 2017, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já registrou cerca de 40 mil drones, sendo 35% destes destinados ao uso profissional, representados por 2 mil empresas. Em 2017, foram movimentados cerca de R$ 300 milhões pelo segmento e a previsão é que haja um crescimento de 30% em 2018.

A regulamentação trouxe segurança jurídica para muitas companhias e, na visão de Granemann, acaba deixando para trás as empresas amadoras, que não estavam preparadas para se regulamentarem. Por outro lado, fortalece aquelas que estão dispostas a operarem dentro das regras exigidas pela Anac e Anatel. Uma vez que drones possuem transmissores de radiofrequência em seus controles remotos e, em alguns casos, no próprio veículo aéreo, eles precisam também ser homologados pela Anatel. "Antes da regulamentação, o mercado crescia, mas com o freio de mão puxado”, compara Granemann. 

Mercado se diversifica

Granemann tem acompanhado a expansão do mercado de drones nos últimos cinco anos. Se antes, o apelo maior se direcionava para fins recreativos, hoje drones revolucionam a forma como algumas indústrias operam. O setor agrícola e as verticais de mapeamento e de inspeções estão entre aqueles que mais se beneficiaram da agilidade e flexibilidade proporcionada pelos veículos. Granemann cita o exemplo do uso de drones cada vez mais frequente para dar apoio a situações de resgate, onde o acesso humano é difícil. No incêndio que tomou um prédio de ocupação no centro de São Paulo, no último domingo (30), o Corpo de Bombeiros usará um drone alimentado com sensores térmicos para ajudar na identificação de possíveis vítimas sob os escombros. Drones também já foram utilizados em combate a incêndios.

Há casos também de startups brasileiras que têm se dedicado a criar software de processamento de dados para uso em drones. Dado o volume de informações que os veículos capturam, soluções que enderecem esses dados saem na frente. "É um prato cheio para startups poderem se desenvolver”, estimula Granemann.

“É uma tecnologia disruptiva, que vai fazer coisas que antes eram, muitas vezes, feitas por vias tradicionais. Mas também coisas que ninguém pensou em antes fazer, como a vistoria interna de oleodutos. Esses drones conseguem entrar nos dutos, protegidos por uma esfera, e filmam todo o interior. Antes, sequer tinha como fazer isso”, explica. “Quando falamos de drones, não há uma grande variedade de fabricantes. Mas o que existe hoje é a proliferação da tecnologia embarcada que ele leva. Essas tecnologias e sensores, na maioria das vezes, são mais caras que o próprio veículo”, completa. 

Por um uso consciente

Para além das oportunidades de mercado e disrupções tecnológicas, drones já protagonizaram alguns transtornos e até mesmo incidentes. A popularização do veículo preocupa a segurança do espaço aéreo e de eventos que atraem multidões, por exemplo. Vale ressaltar que assim como em outros países, no Brasil, proprietários de drones podem ser responsabilizados civil ou criminalmente em caso de incidentes. 

Durante o DroneShow, representantes da ANAC e do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) também participam de debates em um painel dedicado exclusivamente à regulamentação dos veículos.

Drones entregando pizzas?

Uma das apostas para o uso de drones mira o serviço de entregas. Algumas empresas e até mesmo montadoras de carros têm firmado parcerias para colocá-los na logística do produto. A Amazon é uma das gigantes do varejo que testa a tecnologia e registra uma série de patentes para um futuro onde o horizonte estará povoado por drones ocupados em entregar nossos impulsos consumistas. 

Entretanto, as entregas comerciais por meio desses veículos ainda estão muito longe de se tornarem realidade devido à forte regulamentação. Para Granemann, o serviço de entregas por drones deve acontecer antes para áreas rurais. Mas já há projetos que utilizam os veículos para entrega de medicamentos e suprimentos médicos em comunidades de difícil acesso na África.

O mercado de drones é ainda emergente, mas as expectativas ao redor parecem ser otimistas e lucrativas. “Os números no Brasil ainda estão sendo construídos. Mas o mercado global de drones deve triplicar de tamanho até 2020”, diz Granemann.