Review: Samsung Galaxy S9 traz melhorias em todos os lugares certos

Michael Simon, PC World / EUA
15/03/2018 - 10h22
Não deixe que o visual muito parecido com o antecessor Galaxy S8 te afaste do mais novo top de linha da Samsung, que tem muitas qualidades a serem apreciadas.

O novo Galaxy S9 (R$4.300 no mercado brasileiro), da Samsung, é um smartphone um tanto estranho. Com um processador Snapdragon 845 (disponível nos modelos vendidos no Brasil e nos EUA), ótima câmera, 128GB de armazenamento, que pode ser expandido via microSD (nos modelos vendidos no Brasil), e tela com proporção 18:9, ele possui todas as características de um aparelho fantástico lançado em 2018. Mas, ao mesmo tempo, é muito parecido com o seu antecessor, o Galaxy S8. Na verdade, o S9 se parece tanto com o S8 que problemas que normalmente seriam deixados de lado tornam-se ainda mais óbvios na segunda vez. 

O slogan da Samsung com o S9 é uma câmera “reimaginada”, mas os novos recursos de câmera – em especial o Dual Aperture, o Super Slow-Motion e o AR Emoji – são apenas “truques” e/ou já estavam presentes em aparelhos rivais. E como a Samsung está limitando a câmera dupla e o modo Live Portrait ao modelo maior Galaxy S9+, o Galaxy S9 (que é o aparelho que estamos analisando aqui) parece mais uma atualização simples do que um novo smartphone. Desta forma, o S9 é um aparelho perfeitamente bom como um dos primeiros smartphones premium de 2018, mas não há nada aqui que abra caminhos interessantes e/ou inovadores para serem seguidos por outros dispositivos.

Dual aperture? Na verdade, achamos que esse recurso não é assim tão necessário. Super Slow-mo? Funciona lindamente, mas não é uma funcionalidade que as pessoas vão usar com frequência. AR Emoji? É algo divertido e que funciona como prometido, mas parece mais uma resposta à Apple em vez de um recurso novo de verdade. 

Resumindo: quando olharmos para 2018 para escolher o smartphone definitivo do ano, o Galaxy S9 provavelmente não será esse dispositivo. Mas não deixa de ser um ótimo aparelho.

Um design clássico (e melhorado)

Muitos Galaxy S9 serão confundidos com o S8 quando começarem a chegar ao mercado, uma vez que eles são extremamente parecidos no tamanho e formato. No entanto, há algumas diferenças físicas entre os dois dispositivos – alterações sutis que mudam o novo modelo apenas o suficiente para os cases do ano passado não servirem mais:

Dimensões

Galaxy S8: 148.9mm x 68.1mm x 8.0mm
Galaxy S9: 147.7mm x 68.7mm x 8.5mm

Peso

Galaxy S8: 155g
Galaxy S9: 163g

O Galaxy S9 é um pouco mais baixinho do que o S8 graças à borda ainda mais fina na parte inferior da tela. Ele também é um pouco mais pesado e grosso do que seu antecessor por duas razões: o vidro da frente tem uma espessura maior e o alumínio nas laterais foi fortalecido. Apesar de essas mudanças serem praticamente imperceptíveis aos olhos, elas devem trazer mais durabilidade e proteção contra quedas – sempre algo interessante de ter em um smartphone que é quase todo feito de vidro. 

Você ainda encontrará a câmera frontal e outros sensores na borda superior, mas eles não distraem tanto a atenção quanto no S8. 

Outra mudança sutil do S9 é o visual da grade do alto-falante, na parte inferior, que agora traz uma abertura de 1,5mm em vez de cinco pequenas aberturas. Essa alteração traz o som estéreo ao smartphone, mas também pode atrair mais poeira. Tirando isso, os botões e os conectores são os mesmos, o que significa que felizmente a Samsung novamente resistiu à tendência de retirar o conector de fone de ouvido de 3,5mm.

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Desempenho esperado e ganhos de bateria

Mais uma vez, um aparelho da linha Galaxy S é usado como veículo de lançamento de um novo processador da Qualcomm – desta vez é o Snapdragon 845, que é principalmente uma melhoria incremental em relação ao 835 – vale notar que o 845 só estará disponível nos modelos vendidos nos EUA; nos mercados internacionais, incluindo o Brasil, o S9 virá com o chip Exynos 9810, da própria Samsung.

Veja abaixo alguns números de benchmark comparando o S9 e o S8 (os números maiores são melhores):

GeekBench (Single-core/Multi-core)

Galaxy S8: 1848/6193
Galaxy S9: 2392/8219

PCMark Work 2.0

Galaxy S8: 6784
Galaxy S9: 7610

3D Mark Sling Shot Extreme

Galaxy S8: 3378
Galaxy S9: 4551

Apesar de melhorias no geral, os maiores ganhos do Snapdragon 845 estão relacionados à parte gráfica e ao consumo de energia. Mas, mesmo nesses casos, não são aumentos enormes em relação à geração anterior. De qualquer forma, o casamento do S9 com o Samsung Experience OS fornece uma ótima duração de bateria, com os resultados de benchmark ficando consistentemente em torno de 8 horas. Isso não é tanto quanto as mais de 9 horas que consegui com o S8, mas o uso no mundo real mostrou o S9 superando a maioria dos smartphones recentes com baterias maiores – isso mesmo com o S9 usando a mesma bateria relativamente pequena do S8, de 3.000mAh. O S9 quase certamente vai durar por um dia cheio e talvez parte do segundo, dependendo do uso, mas se você estava em busca de uma grande inovação em termos de duração de bateria, terá de esperar um pouco mais. 

Um S9 vai parecer o smartphone mais rápido que você já usou, especialmente se você estiver vindo de um S6 ou S7. No entanto, apenas o tempo vai dizer se o S9 e o Snapdragon 845 vão se manter rápidos e otimizados após seis meses ou um ano de uso. Esse é o maior desafio que a Samsung precisa superar: fazer com que um aparelho continue atual por dentro após mostrar sinais de uso por fora.

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Uma ótima câmera mesmo sem uma segunda lente

O Galaxy S9 não vem com a mesma tecnologia de câmera do seu irmão maior Galaxy S9+, o que é decepcionante. Mais especificamente, na parte traseira, o S9+ conta com uma câmera de ângulo aberto de 12MP e o recurso Dual-Aperture, juntamente com uma lente “telephoto” de 12MP e abertura de f/2.4. Usadas em conjuntos, as câmeras habilitam o recurso Live Focus introduzido no Note 8.

O S9 menor, enquanto isso, conta apenas com a câmera com Dual-Aperture. Os resultados ainda são ótimos em fotos comuns, mas senti falta de ter um controle deslizante para borrar o fundo/segundo plano da foto quando o Live Focus está habilitado. A Apple faz a mesma coisa com o iPhone 8 e o 8 Plus, basicamente punindo quem quer um aparelho menor. Felizmente, a nova câmera Dual-Aperture de ângulo aberto é a atração principal e está disponível nos dois modelos do S9.

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Essa câmera vem com a mesma estabilização óptica de imagem que a Samsung introduziu no Galaxy S8, mas o interessante recurso Dual-Aperture é todo novo, e te permite mudar entre f/1.5 e f/2.4 com apenas um toque em um botão. Um elemento mecânico amplia a abertura para f/1.5, e quando a câmera está no modo automático, a mudança acontece automaticamente se a iluminação do ambiente cair para abaixo de 100 lux. Isso é algo realmente incrível para um smartphone, e f/1.5 estabelece um novo recorde em termos de aberturas para smartphones. Mas, na prática, o Dual Aperture não é tão útil quanto você pode pensar. 

Como outros smartphones sempre capturam as imagens na sua maior abertura possível – ou seja, com a sua única abertura fixa – o Dual-Aperture não oferece realmente nenhum benefício para situações de luz baixa (a não ser o que você consegue com a abertura f/1.5, é claro). Mas onde a abertura f/2.4 deveria ajudar é em condições normais de luz, já que a câmera pode permitir a entrada de uma quantidade menor de luz para (teoricamente) acentuar as sombras ou ganhar um pouco de claridade. 

Em situações muito específicas, você definitivamente pode ver os benefícios de uma configuração desse tipo, mas provavelmente não é uma configuração com a qual você vai passar muito tempo. Por exemplo, nas imagens abaixo, mudar para a abertura f/2.4 acentuou a textura do coral no coral do pinguim, assim como os cantos da água-viva. Mas na maioria das fotos foi difícil realmente notar uma diferença entre elas. Dito isso, assistir à mudança entre as duas aberturas é um tanto incrível.

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Assim como o Dual-Aperture, o recurso Super Slow-mo a 960 fps (frames por segundo) do S9 me deixou querendo mais. Mude para o novo modo de gravação e você poderá desacelerar os seus vídeos para uma velocidade ridícula ao apenas tocar na tela. A câmera pode até mesmo começar a gravar em câmera lenta automaticamente, uma vez que detectar movimento no seu quadro. Mas, apesar de ser um recurso realmente incrível para se ter em um smartphone (sem esquecer de dar crédito ao Sony Xperia XZ Premium, que fez isso primeiro em 2017), há algumas limitações técnicas.

Em primeiro lugar, o modo Super Slow-mo só grava em 720p, então os vídeos podem sentir falta de mais nitidez. Em segundo lugar, por conta de limitações de memória, você só pode capturar dois décimos de um segundo de conteúdo em tempo real, que é então espalhado por seis segundos de reprodução do Super Slow-mo. Os resultados são muito, muito legais mesmo. Mas, assim como o Dual-Aperture, provavelmente não é um recurso que você vai usar por muito tempo. 

Durante os testes, o que mais impressionou foi o modo como o S9 captura objetos em movimento. As fotos feitas com o S8, por exemplo, podem ficar muito suaves ou mesmo borradas ao capturadas em movimento, mas consegui de forma consistente imagens claras e vivas com o S9, não importando se o objeto estava em movimento. As fotos feitas com o S9 rivalizam com as do Pixel 2, do Google (em todos os tipos de luz), e foram notavelmente melhores do que as imagens feitas com o S8.

AR Emoji 

Desde que a Apple revelou o Animoji no iPhone X, era apenas uma questão de tempo até a Samsung desenvolver algum tipo de resposta. Como esperado, o S9 traz um recurso chamado AR Emoji, que é, ao mesmo tempo, melhor e pior do que a funcionalidade da Apple. 

Apesar de você não poder controlar emojis de verdade no estilo Unicode, a Samsung fornece alguns personagens de desenho interessantes para controlar (apesar de não tantos quanto a Apple), e o Mickey Mouse e outros personagens da Disney chegarão em breve à plataforma da Samsung.  

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Mas a maior inovação da Samsung com o AR Emoji é permitir que os usuários criem os seus próprios emojis animados com base na sua imagem e aparência. O processo de criação é um tanto similar com a configuração do Face ID no iPhone X, com a diferença de que será preciso tirar uma selfie no S9 antes do aparelho “fazer a sua mágica”. 

A engine de avatar do AR Emoji apenas replica os rostos das pessoas, por isso você terá arrumar o seu cabelo e adicionar óculos, por exemplo – o AR Emoji inclusive sugere que você remova os óculos antes de iniciar o processo. Tirando isso, a engine da Samsung faz um trabalho decente em capturar pontos faciais únicos para criar um avatar razoavelmente fiel.

Uma vez que criar o seu AR Emoji, você pode compartilhar adesivos e fazer vídeos, e é aqui que o S9 encontra alguns problemas. Sem uma câmera 3D como o sensor TrueDepth, da Apple, o rastreamento de expressões faciais não é tão bom quanto no iPhone X, e tanto os rostos quanto os personagens possuem um sentimento geral meio sem graça. De qualquer forma, ainda é tão divertido quanto no iPhone X.

Android Oreo

O Galaxy S9 traz o Oreo para a Samsung Experience, então você poderá aproveitar muitos dos recursos chave que o Google introduziu com o Android 8, incluindo categorias de notificação, atalhos para ícones de apps, e melhorias na hora de lidar com símbolos. No entanto, o software não é tão atualizado quanto poderia. Por exemplo, como o software não é baseado na versão mais recente 8.1, você não terá o interessante indicador de bateria para aparelhos Bluetooth nas Configurações Rápidas (Quick Settings). Esperamos que isso chegue em um próximo update.

Por outro lado, você terá o “picture-in-picture” aqui, melhorando um recurso que já estava nos aparelhos da Samsung desde o Galaxy S7. Apesar de ainda ser possível deslizar o dedo a partir do canto superior esquerdo da tela para criar janelas Pop-Up para qualquer app, a Samsung também usa o método automático do Oreo para coisas como janelas ativas do Maps e vídeos sendo reproduzidos no Chrome. É uma boa combinação, que faz com que o S9 seja ainda melhor em multitarefa do que o Google Pixel 2. Outra coisa legal é poder usar a tela inicial (e a “gaveta de apps”) no modo paisagem.

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Os pontos do Oreo também estão aqui, mas há algumas diferenças. Você pode optar por mostrar os símbolos com ou sem os números, o que é um toque interessante. Mas como os pontos e os símbolos estão conectados com a barra de status agora, os indicadores podem não ser tão precisos quanto poderiam. A Samsung também está suportando o Project Treble agora, o que trará upgrades mais rápidos para o S9. Isso significa que não deveremos ter de esperar seis meses para ver o Android P no S9. 

A Samsung introduziu um novo método de desbloqueio que combina reconhecimento facial e de íris para criar uma super biometria chamada de Intelligent Scan. É melhor do que outros métodos adotados anteriormente pela empresa sul-coreana, mas não é nenhum Face ID – da Apple. Também é menos seguro do que apenas o reconhecimento de íris por conta própria, e ainda enfrenta dificuldades em situações de luz muito baixa ou com sol muito forte. Por diversas vezes, tive de ajustar a minha posição antes de conseguir acessar o celular (mas não tanto quanto com o scan de íris do S8). 

Meu maior problema não é com a biometria em si, mas com a maneira como a Samsung a implementa. Como você não pode usar o “levante para acordar” ou dar um toque duplo fora do botão home virtual, acessar o Intelligent Scan não é tão suave quanto chegar ao Face ID no iPhone X, o que faz com que o negócio todo pareça menos inteligente do que é. 

Devo comprar um Galaxy S9?

Qualquer pessoa que estiver no mercado em busca de um novo smartphone deverá considerar seriamente o S9. Pode ser um upgrade insignificante em termos de design físico, mas essa só é uma preocupação se você realmente quer que as pessoas saibam que você tem o melhor e mais novo aparelho do mercado. Além do mais, o Galaxy S8 conta com um design incrível, então com o S9 você receberá mais disso. 

Apesar de você provavelmente conseguir encontrar um Galaxy S8 por um preço melhor no mercado com a chegada do S9, você talvez faça um melhor negócio comprando o S9, desde que a diferença não seja muito grande. O processador, a câmera e o design são todos os melhores possíveis.

O Galaxy S9 não é um aparelho do tipo “preciso ver” ou “preciso ter” como o S8 ou o próprio iPhone X, mas é uma atualização fantástica ao que já era um dos melhores smartphones lançados na história. A falta de uma câmera dupla no modelo padrão do S9 certamente é algo chato, mas a câmera traseira ainda se sai muito bem (mesmo que não tenhamos visto tantos benefícios assim no Dual Aperture). O preço mais baixo e o tamanho menor do S9 (em relação ao S9+) certamente serão fatores que farão com que muita gente opte por ele em vez do “irmão maior”.

Por isso, não deixe o design muito familiar com o antecessor te afastar do S9. Mesmo que o S10 acabe mudando o jogo com uma tela dobrável ou algo assim, o S9 ainda será um smartphone ótimo por muitos anos, e não há razão para temer que ele parecerá desatualizado ou obsoleto daqui um ano. Resumindo: há muitas coisas para gostar no Galaxy S9 mesmo que ele não pareça tão “novo” quanto poderia.