Hands-on: primeiras impressões sobre o novo Asus Zenfone 5

Dominic Preston, TechAdvisor / Reino Unido
28/02/2018 - 17h44
Aparelho promete com recursos de IA e câmera dupla, mas é impossível não perceber as semelhanças visuais com o iPhone X, da Apple.

Se o nome Zenfone 5 lhe parece familiar, isso não é por acaso – a Asus já lançou um outro smartphone chamado Zenfone 5 lá em 2014. E nesta semana a fabricante apresentou a versão mais nova do dispositivo, que traz alguns upgrades e uma faixa preta um tanto familiar na tela. 

A Asus anunciou o novo Zenfone 5 nesta terça-feira, 27/2, durante o Mobile World Congress 2018, em Barcelona, mas já conseguimos passar algum tempo com o dispositivo. Veja abaixo as nossas primeiras impressões. 

iPhone X, é você?

Se você achou que o nome Zenfone 5 parecia familiar, isso não é nada em comparação com o visual do novo smartphone da Asus. 

Não, esse aparelho na foto acima não é o iPhone X, mas você estaria perdoado caso achasse isso. A Asus é uma das primeiras grandes fabricantes Android a incorporar essa já icônica faixa do iPhone X (chamada de “notch”, em inglês) ao seu próprio design, o que permite que os cantos da tela cheguem até o topo do dispositivo - veja a foto abaixo com os dois aparelhos lado a lado.

Ao contrário do iPhone X, a tela de 6,2 polegadas do Zenfone 5 não chega realmente à parte inferior do aparelho, mas a borda é tão mínima que provavelmente pouca gente vai ligar para isso – é difícil reclamar com uma proporção de “tela para corpo” de 90%. Além da tela, você tem um corpo muito fino com uma armação de metal, e vidro na parte traseira, o que faz com que o smartphone seja lindo e ótimo de segurar – mesmo lembrando muito o aparelho da Apple. 

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iPhone X e Zenfone 5

E, também ao contrário do iPhone X, o Zenfone 5 traz um sensor de impressão digital, localizado na parte de trás do smartphone (veja abaixo). Mas as duas câmeras traseiras alinhadas verticalmente no canto são outro toque que ajudam a trazer essa sensação de familiaridade já citada (também veja abaixo). De qualquer forma, o Zenfone 5 possui uma vantagem e tanto em relação ao iPhone X: o conector de fone de ouvido de 3,5mm.

Temos aqui outras concessões por conta do preço menor, é claro. Apesar de todo o vidro na parte de trás, não há suporte para recarga wireless no Zenfone 5, e a resistência à água também é uma ausência notável. Inicialmente, o Zenfone 5 estará disponível em duas cores: Midnight Blue e Meteor Silver.

De forma geral, é difícil criticar o aparelho da Asus neste sentido – parecer muito com o mais recente top de linha da Apple não é algo ruim quando o seu telefone deverá custar menos da metade do preço – os valores do Zenfone 5 não foram revelados, mas deverão ficar abaixo dos 500 dólares.

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Especificações

Então, apesar de trazer um visual que lembra muito o iPhone X, o Zenfone 5 compreensivelmente não é tão poderoso quanto o aparelho da Apple, que custa a partir de 1 mil dólares nos EUA.

Em primeiro lugar, a tela do Zenfone novo é IPS Full HD+, de 6,2 polegadas e com uma proporção de 19:9, sendo mais estreita do que muitos rivais. No tempo que passei com o aparelho, o display pareceu brilhante e intensa, com uma ótima reprodução de cores. Claro, não é OLED, mas é inegavelmente uma ótima tela pela faixa de preço – desde que você seja fã dessa “faixa” na parte superior, é claro. 

O Zenfone 5 também é um dos primeiros aparelhos do mercado a usar o Snapdragon 636, novo processador intermediário da Qualcomm que é voltado para oferecer suporte para telas FHD+. As especificações ainda incluem 4GB de RAM, 64GB de armazenamento interno (expansível via microSD), e bateria de 3.300mAh, que deve durar tranquilamente por um dia típico de uso.

Vale lembrar que ao longo deste ano a Asus também vai lançar o Zenfone 5Z, um irmão mais poderoso que tem o mesmo design do Zenfone 5, mas conta com especificações como chip Snapdragon 845, até 8GB de RAM e até 256GB de armazenamento. Por isso, se você gostou do visual do Zenfone 5, mas quer um pouco mais de poder, poderá querer esperar pelo 5Z. 

Câmeras

Quanto às câmeras, você recebe duas lentes na parte traseira do Zenfone 5: uma principal, que conta com um sensor Sony IMX363 e tem 12MP com abertura de f/1.8, mais uma lente de ângulo aberto com 8MP e abertura de f/2.2. A Asus optou por uma lente de ângulo aberto, após ter usado lentes zoom – segundo a empresa, a wide angle fornece imagens ainda melhores no modo retrato em condições de luz baixa. Na parte da frente, você tem uma câmera para selfies com 8MP e abertura f/2.0.

Essas câmeras do Zenfone 5 também trazem um novo software de Inteligência Artificial (IA) que promete te ajudar a conseguir imagens ainda melhores – mais sobre isso abaixo.

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Áudio

O áudio também recebeu melhorias. Os alto-falantes embutidos são seriamente poderosos – estão entre os mais altos que já ouvi em um smartphone – enquanto mantém um bom timbre. Tirando isso, também há suporte para a tecnologia DTS Headphone X, juntamente com Bluetooth 5.0 e aptX HD. 

Sistema mais simples e IA em peso

Além da já muito comentada tela com a faixa, as coisas mais interessantes do Zenfone 5 são todas relacionadas ao software.

O Android 8.0 Oreo, a versão mais recente do sistema móvel, está conduzindo tudo, com a Asus ZenUI 5 em cima – e é aí que estão as verdadeiras melhorias. Em primeiro lugar, temos a faixa (notch). O Google deverá adicionar suporte oficial para essas faixas na próxima versão do Android, mas até lá a Asus incorporou as suas próprias soluções na ZenUI, alegando que o “notch” nunca irá invadir o seu conteúdo ou entrar na frente dos seus apps. 

O sistema também passou por uma “limpeza geral”, o que o deixou mais próximo do Android puro: temos o Gboard como teclado padrão; nada de apps de navegador, e-mail e mensagens duplicados; e o Facebook e o Instagram são os únicos apps de terceiros que já vem pré-instalados.

Você também pode desbloquear o smartphone com o seu rosto, mas, assim como outros aparelhos Android, esse recurso não é baseado na tecnologia de câmera TrueDepth, presente no iPhone X – por isso, não espere pelo mesmo nível de sofisticação ou segurança. Um toque legal é que o Zenfone vai manter a tela ligada enquanto conseguir detectar que você está olhando para ela. 

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A Asus também se inspirou em outra criação da Apple, o Animoji, que no Zenfone 5 é chamado de ZeniMoji. Não pudemos testar essa funcionalidade durante nosso tempo com o dispositivo, mas sem a câmera TrueDeptch você deve esperar por algo menos refinado do que na versão da Apple – apesar de o recurso da Asus ter a vantagem de poder ser usado em videochamadas e transmissões ao vivo. 

Como manda a tendência de 2018, todos os outros recursos principais de software são relacionados à Inteligência Artificial. Desde a câmera até o carregador, notificações e até mesmo os seus ringtones, a Asus parece achar que descobriu como usar a IA para melhorar a sua experiência.

A câmera segue os passos do Honor View 10, da Huawei, ao usar IA para reconhecer 16 cenas e objetos – desde pôr do sol até cachorros – e ajustar automaticamente as configurações mais indicadas para cada situação. O app de galeria então irá organizar essas fotos pelas cenas reconhecidas para facilitar a vida do usuário na hora de encontrar todas as fotos com o seu bicho de estimação, por exemplo.

Mais do que isso, a solução também irá aprender a partir do seu comportamento. Se você costuma acessar as configurações para editar uma foto após tirá-la, seja para mexer nos níveis de luz ou adicionar um filtro, o smartphone vai se lembrar das suas escolhas e fará o melhor para editar automaticamente fotos futuras de forma compatível com o seu gosto – e sempre preservando as fotos originais sem alterações também, apenas por questão de segurança. 

Além disso, o aparelho fará o seu melhor para mudar o volume do seu toque para se adequar ao ruído local – aumentando se você estiver em um bar cheio, abaixando se for um escritório tranquilo, por exemplo – mudar a temperatura da cor tela com base nos níveis de luz, e até mesmo a cor do texto das notificações com base na sua imagem de fundo.

E então temos o chamado AI Boost, basicamente overclocking com um nome diferente, que te permite acelerar o processador para tarefas mais intensas. Isso também aumentará o ritmo de consumo de bateria. 

Por fim, temos a AI Charging, que aprenderá a partir de como você recarrega o seu smartphone para ajudar a preservar a bateria em longo prazo. Por exemplo, se você costuma deixar o aparelho carregando de madrugada, a funcionalidade vai parar nos 80% e deixar a carga nesse nível até o início do dia, antes de recarregá-la completamente logo antes de você acordar – segundo a Asus, isso poderia até dobrar o ciclo de vida da bateria.

Tivemos um tempo breve com o Zenfone 5, e muitos dos seus recursos de software mais interessantes ainda não estavam exatamente prontos para serem testados ou – como as coisas de IA – simplesmente exigem um tempo maior com o aparelho. O smartphone é realmente lindo – mesmo se tivermos que agradecer principalmente à Apple por isso – e se conseguir entregar um bom desempenho geral poderá ser um dos principais aparelhos intermediários deste ano.