FBI, CIA e NSA pedem para americanos não comprarem aparelhos da Huawei

Da Redação
14/02/2018 - 11h41
Agências de inteligência dos EUA temem ligação de fabricantes com o governo chinês e espionagem

Se depender das grandes agências de inteligência dos Estados Unidos, as gigantes chinesas Huawei e ZTE continuarão sem lugar cativo no mercado americano. Segundo informações da CNBC, os chefes de inteligência do FBI, CIA, NSA e o diretor de inteligência nacional, recomendaram aos cidadãos americanos não usarem produtos e serviços das empresas citadas. Tais advertências foram feitas durante audiência do Comitê de Inteligência do Senado nessa terça-feira (13).

Mas não é de hoje que os EUA veem a Huawei com preocupação. Fundada por um ex-engenheiro do Exército Popular de Libertação da China, a Huawei já foi descrita pelos políticos americanos como "um braço do governo chinês". Em 2014, a empresa, que também desenvolve hardware de infraestrutura de comunicações, foi proibida de fazer ofertas para contratos do governo. 

Entretanto, a popularidade da Huawei no mercado de smartphones nos últimos anos colocou a companhia novamente no radar das agências. Em setembro do ano passado, ultrapassou a Apple em número de venda de smartphones, ficando atrás apenas da Samsung. 

Fato é que a Huawei nunca conseguiu ter sucesso no mercado americano devido às restrições políticas. A companhia esperava mudar isso com o seu último smartphone, o Mate 10 Pro. Um lançamento com a AT&T estava previsto, mas a operadora voltou atrás devido às pressões políticas. Durante seu keynote na CES 2018, o CEO da Huawei, Richard Yu, descreveu o movimento como uma "grande perda" para a empresa, mas uma perda maior para os consumidores.

Já o diretor do FBI, Chris Wray, disse que o governo estava profundamente preocupado com os riscos de permitir que qualquer empresa ou entidade que seja ligado a governos estrangeiros para ganhar posições de poder dentro das redes de telecomunicações. E acrescentou que isso proporcionaria "a capacidade de modificar ou roubar informações maliciosamente. E proporciona a capacidade de realizar espionagem não detectada".

A barreira às duas empresas pode ser ainda estendida aos funcionários do governo, uma vez que legisladores dos EUA consideram um projeto de lei que os proibiria de usar telefones Huawei e ZTE. 

Um porta-voz da Huawei reconheceu à CNBC que a companhia está ciente dos planos dos EUA destinados a inibir o negócio da Huawei no mercado americano e ressaltou que a "Huawei é confiável por governos e clientes em 170 países em todo o mundo e não apresenta maior risco de segurança cibernética do que qualquer outro fornecedor de TIC".