Especial: 4 tendências Android para ficar de olho em 2018

JR Raphael, Computerworld/ EUA e Redação
17 de janeiro de 2018 - 12h07
Google parece decidido a montar um ecossistema completo com os seus próprios aparelhos e plataformas. Saiba quais temas vale a pena acompanhar de perto.

Maior sistema operacional móvel do mundo, o Android vem passando por transformações importantes nos últimos anos e em 2018 não deve ser diferente.

Por isso, separamos quatro temas relacionados à plataforma móvel do Google para ficar de olho neste ano que acabou de começar.

1-Convergência

É a maior história sobre Android que a maior parte do mercado perdeu (e continua negligenciando de alguma forma): a união lenta do Android e do Chrome OS, duas plataformas diferentes e complementares. É uma tendência em andamento já há alguns anos, apesar de ter passado um tanto despercebida na maior parte desse tempo – e é uma tendência que quase certamente continuará aumentando o ritmo nos próximos meses. 

Ajuda se pensarmos em 2017 como a “festa de revelação” oficial para o Chrome OS e o Android como uma casal simbiótico. No ano passado, o Google deu um gás de verdade no alinhamento das duas plataformas, com o lançamento de um launcher e de um sistema de navegação no estilo do Android no Chrome OS, e, é claro, a introdução formal dos aplicativos Android nos Chromebooks – talvez a iniciativa mais transformadora se olharmos para o quadro todo.

Todos esses passos ajudaram a preparar o palco para que os Chromebooks se tornem efetivamente os novos tablets Android – o foco do Google na próxima geração por uma experiência de computação com tela grande. Os próximos passos da convergência entre o Android e o Chrome OS só ajudarão a solidificar essa realidade à medida que mais e mais fabricantes de hardware embarquem no conceito.

A saber: muitos sinais sugerem que o Google está preparando o Chrome OS para suportar sensores de impressão digital (algo que parecia estar no plano inicial da empresa para o Pixelbook, mesmo não tendo chegado ao mercado). Mudanças no código indicam também que os desenvolvedores estão trabalhando em uma função para o sistema todo que converte áudio em texto – outro toque no estilo do Android que deixará as experiências mais próximas enquanto também preenche os buracos do Chromebook como um aparelho orientado pelo toque.

Além disso, os Chromebooks em breve deverão ganhar suporte para respostas de notificações, um sistema no estilo do Android para conexões VPN mais seguras no nível do sistema, melhores habilidades multitarefa para aplicativos Android rodando em segundo plano, um sistema nativo para ler e responder mensagens de texto baseadas no Android, e até mesmo mais elementos no estilo do chamado Material Design, do Android. 

Cada peça desse quebra-cabeça pode não parecer algo monumental por si só – mas junte-as, e você começará a ver o quadro todo. Fique de olho nessa imagem em 2018, e você poderá ver algumas coisas interessantes.

2-Segurança, com um olho nas empresas

A segurança do Android é sempre um tópico quente – e apesar de a maior parte do barulho costumar ser um hype sensacional com quase nenhum impacto no mundo real, as manchetes assustadoras realmente criam uma percepção do Android como um verdadeiro Velho Oeste onde o perigo está sempre à espreita. 

Por mais que essa noção seja mal orientada, a simples existência de uma percepção desse tipo é um problema que o Google precisa resolver há tempos. E as iniciativas da empresa nos últimos 12 meses deixam claro que a segurança continuará sendo um foco significativo para o Android no futuro próximo, especialmente por estar relacionada à adoção da plataforma nas empresas. 

Algumas sugestões interessantes sobre o que pode estar sendo preparado: em dezembro, o Google anunciou um novo plano para verificar a autenticidade dos aplicativos dentro da Play Store. A gigante também iniciou um esforço para alertar os usuários sobre apps e sites móveis que possam coletar dados pessoais sem consentimento (uma preocupação muito mais urgente do que malware para empresas e usuários corporativos). 

Além disso, o Android 8.0 Oreo, lançado no final de 2017, traz algumas melhorias de segurança não tão óbvias, muitas das quais foram criadas para estabelecer uma base para tecnologias futuras. Ao pesquisas essas melhorias, também aprendi que o Google está trabalhando em “muito mais” com criptografia, especialmente no que diz respeito às empresas, para a próxima versão do Android, a ser lançada em 2018.

Se isso tudo não é o bastante, nas últimas semanas o Google vem ampliando sua versão gerenciada da Play Store para empresas – um sistema que permite que as empresas “distribuam versões privadas de apps corporativos de forma segura e rápida”, como a gigante anunciou em novembro – e, ao mesmo tempo, destacando como os seus aparelhos Pixel possuem um novo módulo de segurança criado “para segurança no nível de empresas”.

Enxerga o padrão? E falando nas ambições do Google em termos de hardware... 

3-Google como um ecossistema – e amigável às empresas

O tema oculto dos grandes lançamentos de hardware do Google em 2017 não era apenas que a gigante estava fabricando os seus próprios aparelhos. A mensagem abaixo da superfície era muito mais profunda: que o próprio Google – não o Android, não o Chrome OS – estava se tornando a linha unificadora para a visão mobile da companhia. Em outras palavras, o Google agora é o ecossistema principal.

Esse novo formato pode parecer sutil, mas é significativo – e é uma tendência que estamos prestes a ver mais neste ano. Ao focar no Google como o denominador comum, a companhia pode exercer um controle maior sobre a experiência do usuário. Pode assim garantir que seus softwares e serviços, especialmente o Google Assistente, continuem sendo centrais, e também eliminar problemas comuns do Android – como interfaces de usuário desarticuladas, a presença de muitos apps sobrepostos e serviços supérfluos, e a lamentável ausência de recursos que a maioria das fabricantes destinam para updates de aparelhos. 

Com os especialistas da HTC na fabricação de hardware agora a bordo, o Google está pronto para mudar as coisas. O foco da gigante no software como um diferencial lhe dá uma vantagem única entre as fabricantes de aparelhos Android, e se conseguir resolver a situação complicada de marketing e distribuição, poderia – em teoria – reformatar o ecossistema Android como o conhecemos.  

Esse é um grande “se”, como sabemos. Mas o que parece certo é que o Google vai continuar avançando e tentando. Uma linha de aparelhos mais diversa e com um marketing mais agressivo parece inevitável, assim como uma ênfase maior sobre os benefícios de usar diversos aparelhos do Google para uma experiência coesa e conectada que continua a melhorar com o tempo – algo que ninguém mais no mundo Android pode realmente oferecer.

Em um tópico relacionado, parece também que o Google pode querer lançar em breve a sua própria loja de hardware, no estilo da Apple, que é quem melhor entendeu a questão do varejo e de suporte nas lojas. No momento, parece mais uma questão de “quando” o Google irá fazer isso do que “se” irá fazer isso. E, com novos relatos de que a gigante estaria trabalhando para abrir as suas primeiras lojas na Índia neste ano, não parece um exagero dizer que os esforços atuais do Google para o seu ecossistema sejam apenas uma introdução para uma história que ainda vai levar anos para se desenrolar.

4-Obsessão com bordas e outras distrações do tipo

Enquanto todas essas coisas fascinantes acontecem abaixo da superfície, a maioria dos fabricantes Android dão todos os indicativos de que continuarão focando em qualidades mais superficiais para vender seus aparelhos. E sim, isso provavelmente significa mais atenção na questão das bordas dos aparelhos, algo que já se arrasta há algum tempo.

Assim como as obsessões anteriores por espessura muito fina, mais e mais megapixels e as maiores densidades de tela nos últimos anos, a fixação atual nas bordas é mais sobre mexer no produto do que realmente fornecer algo com benefícios práticos.  

E isso não é nenhuma surpresa: quando uma empresa não controla o software e não possui interesse em fornecer melhorias significativas e constantes voltadas ao software ao longo do ciclo de um aparelho, chamar a atenção para as qualidades superficiais de um produto é uma tática e tanto para vender novos modelos de celulares com melhorias suplementares.

“Borda” parece ser a buzzword de marketing do momento, e nos próximos 12 meses, os fabricantes provavelmente ficarão destacando seus esforços para chegar o mais perto de acabar com as bordas nos aparelhos. É capaz até que a gente veja um aparelho Android que copie aquele “entalhe” no topo do iPhone X – se a Apple fez, então deve ser bom, certo?

Assim que as bordas perderem seu momento, as fabricante seguirão para outro tópico sem significado para fazer com que seus produtos pareçam novos e excitantes. É uma tendência consistente no mercado mobile, e não há razão para pensar que ela irá sumir em um futuro próximo.