Os desafios de mobilizar as pessoas em um mundo cada vez mais digital

Por Leonardo Martins (*)
19/12/2017 - 16h10
Num mundo em que a tecnologia aliada ao consumo consciente está cada vez mais presente, discutir os atuais modelos de locomoção é necessário

Recentemente, o WeMuv Summit mobilizou pessoas para tratar sobre o tema mobilidade. Num mundo em que o discurso da tecnologia aliada ao consumo consciente está cada vez mais presente, uma discussão sobre os atuais modelos de locomoção torna-se não só conveniente como também necessária. Entre os diversos conteúdos, que me fizeram refletir sobre o que queremos, ou melhor, deveríamos adotar num futuro mais do que próximo.

A tecnologia sai de cena para dar protagonismo aos próprios operadores e passa a ser coadjuvante para nos auxiliar na resolução das questões sociais. Dentre os exemplos colocados durante o evento estão os modais como os carros compartilhados e autônomos, a eletrificação, o hyperloop e todos eles implicam, ainda mais nos dias de hoje, no problema da conscientização do trânsito. O carro autônomo mesmo, é mais IA do que o próprio veículo, usando algoritmos como base para a mobilidade, e permitirá maior segurança nos trajetos.

Esse pensamento consciente traz inúmeras provocações e talvez a mais impactante seja a de que um carro fica em média 70% do seu tempo parado, sendo assim, poderíamos fazer melhor uso deste tempo. Por isso mesmo, ao contrário do que pensavam nossos pais, o carro não é mais visto como um investimento. Contudo, o sentimento de posse e status, dificulta (e muito!) a disseminação do carsharing. Não à toa, uma quantidade significativa de pessoas possui carro próprio, mas sequer investe num imóvel próprio.

Em meio a esse discurso, um dado me chamou a atenção: a distância média do paulistano é de 7,2km. Como consequência, há modais atendendo cada um dos perfis, como, por exemplo, bicicletas elétricas que te levam a pontos nas ciclo faixas que ligam centros comerciais, ou até mesmo, voos de helicóptero indo da Faria Lima ao Aeroporto de Guarulhos em 15 min.

Como não ressaltar empresas como Uber e Cabify, sem dúvida inovaram nos seus modelos de negócio, e hoje chegamos ao ponto do surgimento de outras soluções como o ARK, baseada em blockchain, que põe em xeque o favoritismo destes modais, uma vez que a proposta é dar vazão a um modelo descentralizador, que permite o desenvolvimento das mesmas atividades do Uber com o diferencial da gratuidade, onde não há cobrança de qualquer comissão dos motoristas, algo como desintermediando o desintermediador, e nesse trava-língua do futuro, mudamos a maneira como as pessoas se locomovem.

No cenário atual, o que vemos na maioria são empresas privadas investindo em soluções de mobilidade, por isso mesmo a importância de incentivo para que elas adotem cada vez mais esse comportamento para seus colaboradores, uma vez que 20% dos carros pertencem à iniciativa privada e este é um fator crucial para a expansão dos modais no Brasil.

A partir daí devemos repensar se o Brasil está pronto para soluções como essa. Saindo das capitais e vislumbrando um panorama regional, acredito que não estejamos. Há diversas barreiras que impedem a expansão dos modais, passando pela mobilização do capital de giro no modelo “rent a car”, que acaba comprometendo um valor alto nas faturas de cartão de crédito e, via de consequência, impedindo sua massificação, até o modelo herdado da 1ª Revolução, em que as empresas funcionam das 8 às 18 horas.

Para mudar essa cultura, seria fundamental ter em mente que empresas são feitas por pessoas e só assim conseguiríamos ir de encontro ao simplificado pensamento B2B, assim como transpor a barreira política no Brasil, que impõe inúmeras restrições na regulamentação atual.

Faz total sentido então, a busca incessante por novas tecnologias, a sincronicidade dos meios de pagamento, modal pelas necessidades de combinação, tendo o serviço como diferencial e o cliente como centro de tudo, e assim podermos discutir a mobilidade como uma realidade, e não apenas em um 2030 que está no papel.

(*) Leonardo Martins é Head de Audiência da Webmotors e membro do comitê de branding e performance do IAB