Para brasileiros, valor do 5G está mais em sua velocidade do que em potencial inovador

Carla Matsu
13 de dezembro de 2017 - 17h16
Estudo da Qualcomm e IDC avaliou grau de conhecimento e preparo do país para a chegada do 5G; Para a indústria, a conexão é uma tecnologia de propósito geral
Não é de hoje que smartphones têm revolucionado a vida, o trabalho de muitas pessoas e impactado uma série de indústrias que recorrem à tecnologia móvel para inovar um sem número de serviços. Uma pesquisa da Qualcomm em parceria com a consultoria IDC avaliou a influência do dispositivo na vida dos brasileiros em um espectro menor e outras parâmetros que visam entender o quanto estamos preparados para compor uma sociedade tecnologicamente inovadora. 
 
Um dos destaques da quinta edição do "Índice de Inovação da Sociedade QuISI 2017" é o 5G, tecnologia de rede móvel cuja velocidade promete ser 10 vezes superior a atual 4G LTE e que tem pautado grande parte dos esforços da Qualcomm nos últimos dois anos.  
 
Entre os benefícios do 5G mais esperados pelos brasileiros entrevistados, estão o aumento de velocidade móvel (85,1%), melhoria nos serviços de banda larga móvel (81,2%) e a hiper conectividade (69,9%). Em seguida, fica a maior confiabilidade na rede, com 58,6%, um fator que é apontado por grande parte dos profissionais da área como o ponto mais revolucionário da tecnologia. No total, 1074 pessoas e 151 companhias no Brasil foram ouvidas para o QuISI 2017. 
 
Para a Qualcomm, a promessa dos primeiros desdobramentos comerciais da rede 5G tem no horizonte o ano de 2019. Em outubro deste ano, a companhia anunciou que conseguiu, com sucesso, estabelecer uma conexão 5G em um dispositivo móvel. O teste, realizado nos laboratórios de San Diego, utilizou o chipset com modem Snapdragon X50 NR, revelado no ano passado. 
 
O 5G tem sido professado pela indústria como uma tecnologia de propósito geral, assim como o automóvel e a eletricidade, devido ao seu potencial. Uma conexão móvel ultrarrápida impactaria desde serviços de missão crítica a carros autônomos. O estudo da Qualcomm e IDC, porém, reflete que os brasileiros ainda não estão a par do caráter disruptivo da tecnologia - apenas 7,2% dos usuários possuem conhecimento sobre o seu poder revolucionário. Segundo o estudo "The 5G Economy", comissionado também pela Qualcomm, o 5G deverá gerar receitas de até US$ 3,5 trilhões e produzir até US$ 12,3 trilhões em bens e serviços até 2035." 
 
A tecnologia, entretanto, encara uma série de obstáculos do ponto de vista estrutural, técnico e de mão de obra. Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, tem advogado a respeito do encerramento da disponibilidade da rede 2G para liberar banda para o 5G. De acordo com dados da Anatel de novembro de 2016, 20,37% de todos os celulares ativos ainda funcionam apenas com tecnologia da segunda geração. Um dos pontos cruciais é que na banda onde se encontra o 2G que reside a melhor propagação para a comunicação celular. 
 
"No Brasil ainda temos 45 milhões de assinaturas de 2G, isso é muito ruim. Lembremos que 2G é uma tecnologia de 1990 que funciona para falar, mas não nos dá acesso a Internet. E se é certo que o dispositivo celular hoje é o acesso primário para todo mundo à Internet, estamos também dizendo que 45 milhões dessas linhas, que pagam o serviço de celular, são excluídos digitais. É um direito expresso pelas Nações Unidas, estamos excluindo todas essas pessoas que tem 2G de um direito", argumentou o executivo durante evento de apresentação do estudo. 
 

Smartphones, casas inteligentes e Carros sem motorista 
 
O estudo da Qualcomm e IDC também focou na influência do smartphone e de novas tecnologias na vida dos brasileiros. O smartphone tem tornado a vida mais prática de 98,1% dos entrevistados, que afirmam usar a ferramenta para comunicação e execução de tarefas que exigiriam deslocamento físico do usuário. Do total, 62,5% citaram o dispositivo como uma das ferramentas que mais auxiliam no dia a dia. Algo que se reflete, por exemplo, em uma das verticais que mais tem sido impactada pelos aplicativos móveis: o banco. Cerca de 70% das pessoas responderam que o smartphone tornou visitas às agências bancárias menos frequentes, já que podem resolver pendências através de apps. 
 
O estudo também aponta que a troca de smartphones acontece em um período aproximado de dois anos para 41,9% dos entrevistados. O critério mais avaliado na compra do dispositivo é a capacidade de bateria, citada por 49,3% dos entrevistados. Outro ponto importante é a câmera: 49,1% mencionaram que o atributo é levado em conta durante o processo de compra. 
 
Sobre tecnologias emergentes que sinalizam o potencial da Internet das Coisas, casas inteligentes e carros conectados estão no radar dos brasileiros, mas ainda parecem ser uma realidade distante. Apenas 4,3% dos entrevistados possuem um dispositivo inteligente em casa, enquanto 68,4% gostaria de ter, mas considera os produtos ainda muito caros. 
 
O fator segurança é comum aos dois bens quando questionado sobre o benefício mais atrativo da tecnologia. Para 81,3% dos brasileiros, o controle de segurança é o recurso mais atraente de uma casa inteligente, seguido depois da iluminação.
 
Carros autônomos, que também serão impactados pelas redes 5G devido a conexão ultrarrápida e sua baixa latência, também estão num horizonte distante das expectativas dos brasileiros. Apenas 2,6% acreditam que eles estarão nas ruas brasileiras em 1 ano, enquanto 53% esperam que isso se tornará realidade em mais de 5 anos. Apesar de um prazo um tanto distante, 63,5% dos entrevistados informaram ter conhecimento sobre a tecnologia e 65,6% citaram como benefício mais claro a diminuição de acidentes por minimizar o erro humano. 
 
O estudo "Índice de Inovação da Sociedade QuISI 2017" pode ser acessado no link.