Por que o Google comprou a divisão de criação de celulares da HTC?

PC World / EUA
21 de setembro de 2017 - 11h20
Empresa de Mountain View pagou US$1,1 bilhão pela área criativa de smartphones da sua antiga parceira.

Enquanto o Google comprou a Motorola principalmente por seu enorme portfólio de patentes, a compra da divisão de criação de celulares da HTC parece ter a intenção de melhorar sua área de hardware. Até o momento, o Google precisou fazer parcerias com fabricantes como Huawei, LG, e sim, a própria HTC, para criar smartphones com a sua marca, como o Nexus e o Pixel. 

Esse novo acordo permite que o Google tenha um controle mais direto sobre as suas incursões pelo mundo do hardware, apesar de que a gigante ainda precisará de um processo de produção seguro para os seus aparelhos. Não seria surpreendente se o negócio também incluísse uma parte da equipe do HTC Vive, dado o interesse cada vez maior da empresa de Mountain View no segmento de Realidade Virtual (VR) em aparelhos móveis. 

A equipe mobile da HTC possui uma longa história com o Android, sistema móvel do Google. Também conta com um ótimo histórico em termos de já ter produzido smartphones e tablets de excelente qualidade, muitos deles em colaboração direta com o Google. Lançado em 2008, o HTC Dream (também conhecido como o T-Mobile G1) foi o primeiro smartphone Android do mundo. Era um aparelho touchscreen com um teclado QWERTY deslizável. A HTC também produziu o primeiro aparelho Nexus One e o último tablet Nexus 9. A empresa também fabricou o Google Pixel (e o Pixel XL) e rumores indicam que também estaria envolvida no ainda inédito Pixel 2 (que deve ser apresentado no início de outubro).

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Mas a HTC enfrentou dificuldades para ganhar tração nos últimos anos. Antes uma queridinha da comunidade Android com o industrial HTC One e uma parceria com a Beats Audio antes da compra pela Apple, a companhia acabou sumindo em meio à competição intensa de fabricantes como Samsung, Huawei e outras. A HTC renovou sua linha de smartphones neste ano com a marca U e uma superfície “líquida”, mas mesmo assim a companhia continua sendo um player pequeno no mercado Android. 

Agora, no entanto, os cérebros por trás desses aparelhos incríveis trabalham para o Google, que claramente está querendo entrar com tudo no mercado de hardware. É bom abrir o olho, Samsung e Apple. 

O que acontece com a HTC?

A HTC diz que “continuará tendo o melhor talento em engenharia”, e que essas pessoas já trabalham em um sucessor para o HTC U11. Números exatos não foram fornecidos, mas o The New York Times afirma que o CFO da HTC, Peter Shen, disse que a companhia ainda teria mais de 2 mil funcionários e pesquisadores em sua equipe após a compra do Google, em comparação com as cerca de 4 mil pessoas atualmente empregadas pela fabricante.

A companhia também diz que o negócio de 1,1 bilhão de dólares permitirá um “portfólio de produtos mais direto”, o que nos faz pensar como será a linha de aparelhos móveis da empresa depois disso. O negócio de celulares da HTC basicamente sumiu nos últimos anos, com a empresa anunciando sua nona perda trimestral seguida no último mês de agosto. Não ficaria surpreso se o futuro dos smartphones na HTC evoluísse para algo parecido com as estratégias atuais da Nokia e da BlackBerry: licenciar o nome/marca para serem usados em aparelhos criados e produzidos por terceiros.

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Parece também que a HTC está ampliando seu negócios de headsets de realidade virtual (VR) Vive. “A notícia de hoje permite que a #EquipeHTC continue investindo, inovando e liderando em novas tecnologias, incluindo #IoT #VR #AR #AI @HTCvive”, afirmou a empresa em um post no Twitter sobre a venda.