Celulares top de linha entram de vez na faixa dos R$4 mil no Brasil

Luiz Mazetto
12/05/2017 - 18h39
Mesmo em crise, país vê segmento de smartphones de luxo crescer nos últimos anos. Novos aparelhos da LG e Samsung chegam por a partir de R$4 mil.

O lançamento dos novos smartphones top de linha da Samsung e da LG no Brasil nas últimas semanas representou um marco do segmento no país, ao consolidar a faixa dos 4 mil reais como preço de entrada para esses smartphones de luxo. Lançado oficialmente nesta sexta-feira, 12/5, o Galaxy S8 custa entre 4 mil e 4.400 reais, dependendo do modelo escolhido. Já o LG G6, que desembarcou no país no fim de abril, tem preço sugerido de 4 mil reais no mercado brasileiro.

Antes disso, já existiam alguns modelos mais completos de smartphones top de linha que custavam 4 mil reais ou mais por aqui, mas os aparelhos de entrada ainda tinham preços abaixo isso, na casa dos 3.500 reais, caso do iPhone 7 e do LG G5 SE; e 3.800 reais, caso do Galaxy S7. Vale lembrar que o Galaxy Note 7 chegou a ter seu lançamento anunciado no Brasil por 4.300 reais, o que não acabou acontecendo após o recall do aparelho nos EUA que ocasionou a sua retirada definitiva do mercado.

Os valores a partir de 4 mil reais para os smartphones certamente chamam a atenção, ainda mais em um momento em que o Brasil enfrenta uma das suas piores crises econômicas da história e com uma queda significativa do dólar no último ano. Mesmo com tudo isso, as vendas no segmento dos aparelhos top de linha, com preços acima de 3 mil reais, devem continuar crescendo no mercado brasileiro. Segundo dados da IDC Brasil, as vendas desses devices no país saltaram de 720 mil, em 2014, para 2,1 milhões de unidades no ano passado – em relação a um total de 43 milhões de aparelhos comercializados no país na última temporada. 

“O consumidor brasileiro cada vez mais gosta de ser o primeiro a adotar a nova tecnologia. Quando ele vê valor nas inovações, certamente ele acaba se decidindo pelo produto mais caro, já que pode ficar mais tempo com o produto sem ter problemas”, explica o gerente de produtos da LG Brasil, Marcelo Santos, que espera que o novo LG G6 supere o seu antecessor, G5, no mercado brasileiro.

 

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LG G6 começou a ser vendido no Brasil por R$4 mil no final de abril

 

O analista da IDC Brasil, Leonardo Munin, segue a mesma linha de raciocínio e destaca também a evolução dos smartphones nos últimos anos. “Esses aparelhos top de linha estão funcionando cada vez mais como um tipo de computador alternativo. As pessoas veem um valor agregado maior nos celulares mais novos, então acabam achando que vale a pena gastar mais.”, explica Munin, para quem a questão de status relacionado a esses aparelhos de luxo também acaba influenciando as vendas por aqui.

Tanto o executivo da LG quanto o analista da IDC lembram ainda de novas formas e facilidades de pagamento, que podem ser vistas como estímulos para os consumidores gastarem mais na hora de comprar um smartphone top de linha. Enquanto Munin chama a atenção para os programas de trade-in e recompra, cada vez maiores no país, Santos destaca a possibilidade de parcelar as compras em até 24 vezes e os subsídios das operadoras. 

Objeto de desejo 

Pelo lado das empresas, ter um smartphone com uma margem maior e que também funcione como uma vitrine dos seus melhores recursos também é um bom negócio. Desta forma, um aparelho top de linha como o Galaxy S8 também traz ganhos indiretos para a empresa, que vão além das vendas específicas daquele modelo, conforme explica o analista de pesquisas da Gartner, Tuong Nguyen, que lembra obviamente dos impostos altos do nosso país.

Quando você olha para uma empresa grande, ela quer criar um produto muito desejado, aspiracional. Talvez o consumidor não possa comprar o top de linha, mas compra o modelo mais barato e diz que tem a mesma marca, que é associada com aquele produto. No caso de companhias como LG, Samsung e Apple, por exemplo, é mais fácil oferecer esses produtos top de linha e depois ir para os aparelhos mais baratos. O contrário é mais difícil. Se a Lamborghini disser que fez um carro mais barato, que custe algo como 20 mil dólares, então o consumidor vai querer comprar, certo? Mas se uma montadora mais conhecida por produtos baratos quiser vender um carro de 100 mil dólares, por exemplo, provavelmente não dará certo”, explica Nguyen.